segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

DEAD MAN WALKING

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Há quem não aprenda com a História, mesmo a mais recente. Na Tunísia aconteceu o que aconteceu; no Egipto Mubarak passa pelas maiores humilhações e só não será executado se os militares conseguirem salvá-lo; e Kadafi teve o fim conhecido. Agora, Bashar al-Assad joga à roleta russa na Síria quando a bala está em frente do cão do revólver.
Sem conseguir intimidar os oponentes, Bashar entrou na escalada de violência que resulta sempre em duas coisas: encarniçamento dos inimigos e mobilização internacional contra os desmandos militares.
Bashar al-Assad está liquidado: ainda anda mas, como no filme, a morte espera-o.
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POSTAIS

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Barcelona, 2007
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HÁ LÍNGUA DE VACA E OUTRAS LÍNGUAS

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 O “Telegraph” de hoje publica um artigo de David Hughes intitulado “Do we really need foreign language skills to flourish?” em que o jornalista fala da necessidade, ou não, dos britânicos aprenderam outra língua além da sua e, pelas voltas dadas ao mundo, conclui que se fala inglês em toda a parte, pelo que não é necessário. Diz a terminar: “In other words, while the British may be monumentally hopeless at learning foreign languages, the rest of the world is coming to our rescue by learning ours.”
É uma manifestação de tanta estupidez tal posição que me parece difícil perceber como um jornalista importante, com funções de chefia no “Telegraph”, pode escrever coisa assim. Um leitor, na caixa de comentários, comenta: Meu Deus! Sou um estrangeiro a viver na Grã-Bretanha e sentir-me-ia inferior e mudo se falasse só uma língua. Falar outras línguas não serve só para perguntar onde é a casa de banho numa aflição. Alarga os horizontes. Não se é mentalmente limitado... fica-se familiarizado com outra cultura. Pode ler-se literatura estrangeira no original e aprende-se a apreciar os estrangeiros que fazem esforços hercúleos para aprender a nossa língua.
A língua é um instrumento mental ímpar, digo eu. A capacidade de pensar e raciocinar avançou léguas com o seu desenvolvimento. É um dos mais importantes factores no condicionamento da actividade racional. Povos há com limites nas faculdades mentais decorrentes duma língua pobre, com incapacidade, por exemplo, de exprimir conceitos abstractos. Mas mesmo as línguas diferenciadas têm limitações aqui e ali. E o que é o “aqui e ali” difere dumas para outras. Daí a vantagem de poder ler alguns textos no original, textos que perdem a capacidade de exprimir uma ideia precisa quando são traduzidos. Tente-se fazer uma tradução e logo se esbarra com tal dificuldade.
O artigo do “Telegraph” é uma infeliz loa à preguiça, se não à xenofobia.
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GESTÃO DAS PALAVRAS

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Jean Jaurès terá dito uma vez: "Quand les hommes ne peuvent changer les choses, ils changent les mots." Há grande número de nomes mudados em consequência do politicamente correcto; mas para ficar tudo na mesma, seja no aspecto ecológico, financeiro, político, científico e por aí fora. O quadro acima documenta o que se diz. É a gestão da reputação pela reconfiguração dos nomes.
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domingo, 5 de fevereiro de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Wilhelm Pieck"
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O "Wilhelm Pieck" era o navio escola da Marinha Mercante da República Democrática da Alemanha
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COISAS QUE ESPANTAM

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Demócrito, que viveu de 460 a 370 AC, concebeu a teoria de que o Universo é formado por espaço vazio e um número quase infinito de partículas invisíveis que se distinguem umas das outras pela forma, posição, e disposição, a que chamou átomos.
E voltando à vergonha, de falámos ontem, disse Demócrito: “Aprende a envergonhar-te mais ante ti do que ante os demais.” Demócrito tinha a percepção de que a vergonha tem carácter social, como referimos, e seria muito mais útil se funcionasse também na intimidade.
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SOMA E SEGUE

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πλανήτης*

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Uma equipa internacional de astrónomos realizou o estudo, durante seis anos, dos planetas da Via Láctea e chegou à conclusão de que há muitos mais planetas do que se pensava. Usaram método inovador e verificaram que há muitos planetas a orbitar estrelas, tal como a Terra em volta do Sol. As fotografias que divulgaram das observações são extraordinárias, como aquela que aqui se reproduz em duas versões, uma delas para evidenciar o registo referido.
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* Planeta em grego
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TRECHOS QUE VALE A PENA CITAR

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O mundo não tem apenas sindicalistas irresponsáveis que são uma ameaça a qualquer economia: também tem os Madoffs, que são salteadores de estrada e cujo único destino aceitável é a cadeia.
Miguel Sousa Tavares in Expresso
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ARION

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 O navio de cruzeiro "Arion",  irmão do "Funchal", no Mar Adriático.
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A MEMÓRIA GASTA

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Fidel de Castro publicou um livro de memórias escrito por uma jornalista cubana. Para manter o equilíbrio com a duração dos seus discursos, o livro tem mil páginas. Não é muito, mas o défice foi compensado pela duração da apresentação do documento: seis horas!!!
E que diz Fidel? Presumo que muita coisa importantíssima que nunca saberei na íntegra porque ler o livro é penitência excessiva para os meus pecados, embora estes sejam muitos. De acordo com os periódicos, na apresentação, “El Comandante” terá dito que é um erro acreditar que o socialismo resolve todos os problemas. Surpreendente? Para quem lê a notícia não deve ser porque terá também afirmado, noutro passo, que a memória se gasta. É verdade. Fidel tem a memória gasta e esqueceu o seu habitual e patético discurso. Afinal, aquilo não é completamente perfeito! Matéria de reflexão, se não mesmo de um retiro de meditação, para os nossos convictos militantes do PCP.
Para ser franco, eu já tinha percebido que aquilo não era, de facto, um paraíso, se excluirmos a Coreia do Norte. Mas esta é apenas a excepção que até aqui tem confirmado a regra.
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FOLCLORE PARA TURISTA

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Estónia (2004)
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sábado, 4 de fevereiro de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Abel Tasman"
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O navio "Abel Tasman", de bandeira holandesa, organiza viagens de instrução para jovens.
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TER VERGONHA NA CARA

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Em 2008, com os Estados Unidos a atravessar uma crise financeira gravíssima que exigiu do governo federal a disponibilização de 245 mil milhões de dólares para resgate de instituições bancárias, e em que 3 milhões de casas foram perdidas pelos respectivos proprietários e moradores por execução de hipotecas, os executivos financeiros que criaram tal situação receberam um bónus salarial de 20 mil milhões. Interrogado numa entrevista sobre esta matéria, o Presidente Obama respondeu com uma palavra: vergonhoso.
Serve a introdução acima para falar da vergonha. Difícil de definir a vergonha. Diz-se que é um sentimento despertado por falta na colaboração com o interesse da sociedade ou do grupo, que regula os comportamentos e serve de alerta para a hipótese de punição. Terá sido sentido de início em relação a problemas de cobiça e incompetência. Está escrito, mas não parece provável; porque a cobiça e a incompetência, na minha modesta opinião, serão sentimentos mais recentes que a vergonha na história do homem.
A culpa é coisa diferente. Enquanto a vergonha implica um contexto social, a culpa pode existir no mais completo isolamento. O carácter social da vergonha é demonstrado pelo condicionamento dos comportamentos quando se está ou não a ser observado. Numa universidade inglesa em que o café do bar era pago voluntariamente numa caixa sem funcionário, e num montante ao critério do utilizador, verificou-se que, se em frente da caixa estivessem quadros com faces humanas, a contribuição era quase três vezes maior do que se estivessem quadros com flores.
A sensação de ser observado aumenta a cooperação com a sociedade e daí a obrigação social de observar os outros. Tentar ver o que os outros fazem não é, possivelmente, tão mau como se pinta. Talvez seja parte fundamental de ser humano. Porque quanto mais proeminente é o papel da vergonha, mais colectivista e solidária é a sociedade.
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COMUNICADO DA PROTECÇÃO CIVIL

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(Recebido de António Pedro Fonseca)
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O REPÓRTER DA CIDADE

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CIÊNCIA QUASE OCULTA

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Alguns átomos, espontaneamente e sem nenhum estímulo, emitem radiações de vários tipos. Chama-se a isso radioactividade, descoberta pelo investigador francês Henri Becquerel.
Mais tarde, Pierre e Marie Curie identificaram três tipos de radiação emitida pelas substâncias radioactivas que designaram pelas três primeiras letras do alfabeto grego, alfa, beta, e gama. Como têm carga eléctrica diferente - a alfa positiva, a beta negativa, e a gama neutra - se passarem por um campo magnético, separam-se em direcções opostas a alfa e a beta, seguindo a gama sem desvio.
A radiação alfa é de partículas e constituída por núcleos de hélio (2 protões e 2 neutrões); a beta, também
de partículas, é constituída por electrões; a gama não é de partículas, pois é electromagnética (EM). Qualitativamente, é igual à luz, às ondas da rádio, do radar, do micro-ondas e por aí fora. Estas radiações EM são variações cíclicas dos campos eléctrico e magnético perpendiculares entre si, que se propagam em ondas no espaço e
distinguem-se apenas pelo comprimento das ondas e pelo número das variações dos campos eléctrico e magnético em cada segundo - frequência.
No núcleo dos átomos, como é sabido, estão protões e neutrões. Estes não têm carga, mas os protões são electricamente positivos e, portanto, repelem-se. Deviam sair todos do núcleo em várias direcções e isso só não acontece porque há forças que os “aprisionam”. Mas os átomos com grande massa, como os do urânio por exemplo, com 92 protões e entre 141 e 146 neutrões (o urânio tem vários isótopos), são menos estáveis e existe a possibilidade de saírem do núcleo compostos formados por dois protões e dois neutrões, o mesmo que um núcleo do átomo do hélio, ou seja, uma partícula alfa. O resultado é um novo átomo - o tório – e radiação alfa – é o dacaimento. Adicionalmente, há a libertação da energia que sujeitava as partículas dentro do núcleo do urânio.
E aqui está uma explicação tosquíssima da radioactividade. E mais não digo porque a Mossad não gosta de conversas sobre energia nuclear!
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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Traneker"
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HERÓIS DO MAR

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Da esquerda para a direita: Infante D. Henrique, D. Afonso V, Vasco da Gama, Afonso Baldaia, Pedro Álvares Cabral, Fernão de Magalhães, Nicolau Coelho, Gaspar Corte-Real, Martim Afonso de Sousa, João de Barros e Estêvão da Gama. (A figura que está em quarto lugar, quase oculta no segundo plano, não é aqui identificada)
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(Agradeço ao Prof. Poiares Baptista que me facultou a identificação das personalidades representadas no Padrão dos Descobrimentos)
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O ACORDO DO NOSSO DESACORDO

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Os portugueses no fundo assinaram um Pacto ortográfico que sabe a pato.
Miguel Esteves Cardoso

Acordo Ortográfico é "acto colonial" do Brasil
Miguel Sousa Tavares
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Vasco Graça Moura cancelou o uso da ortografia aprovada no novo acordo e ordenou a reconversão dos computadores do Centro Cultural de Belém a que agora preside. Graça Moura é um dos muitos portugueses que dedicam grande parte da sua vida a escrever, tal como Miguel Sousa Tavares, Filomena Mónica, José Cutileiro, Alberto Gonçalves, Miguel Esteves Cardoso, e muitos outros. Estão todos contra o acordo.
Mas, na realidade, isso não interessa nada. O Prof. Malaca Casteleiro, e mais uns tantos teóricos da língua portuguesa que vivem nas catacumbas das faculdades de letras e sítios correlativos, acharam que tinham agora oportunidade de associar o seu nome a uma das mais importantes mudanças que uma nação pode fazer. Não se trata de alterar o Código da Estrada, o Código do IVA, o Código Penal, nem mesmo a Constituição; é coisa muito mais importante. Mexer na língua, seja escrita ou falada, é meter o bedelho em matéria que exige peito. É coisa que não pode fazer-se sem ouvir todos, especialmente os que a usam como ferramenta de trabalho, seja na arte, na ciência, no jornalismo, na administração e em muitas áreas mais.
Como podemos deixar meia dúzia de obscuros e insensatos teóricos alterar a grafia das palavras de forma inaceitável? Não podemos!... Ou não devíamos poder.
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