terça-feira, 4 de dezembro de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Sagres" e "Europa"
Lisboa, 22-07-2012
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JÁ TINHA PERGUNTADO

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SOMOS TODOS DA MESMA MASSA

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T.H. Huxley, biólogo, disse um dia: O conhecido é finito, o desconhecido infinito. Vivemos numa ilha no meio dum ilimitado oceano de inexplicabilidade. O papel de cada geração é reclamar um pouco mais de terra.
Huxley tinha razão, mas não é fácil a tarefa. Ironicamente, um dos obstáculos ao avanço do conhecimento mora no próprio meio encarregado de o promover. É conhecido internacionalmente por establishment e constituído pelos autores famosos dos anteriores e mais recentes progressos. A ideia nova, além de desvalorizar a velha, tira protagonismo ao autor desta e obriga-o a rever a atitude mental relativamente a toda a matéria.
Einstein foi um génio científico e homem com as fraquezas próprias da condição humana; também ele força de bloqueio da ciência. Perante o facto inexplicável de o universo não colapsar, estando os astros sujeitos à força gravitacional permanente, arranjou uma explicação tosca que nem ele aceitava perfeitamente mas defendia. Um dia, confrontado por Friedman com a teoria da expansão permanente do universo, o que resolvia a charada, correu com ele. Mais tarde, o físico e padre belga Lemaître expôs-lhe a teoria do Big-Bang e a expansão universal permanente desde então e Einstein, simpaticamente, atirou-lhe: "Os cálculos matemáticos  estão correctos, mas a sua Física é abominável"—arrumou-o. E porque arrumou Einstein Lemaître? Porque isto passava-se em 1927 e Einstein era a referência internacional da Física desde 1919. Ninguém faria vingar uma teoria diferente da de Einstein sem a aprovação deste  e este não queria que vingasse. Voilà—o establishment como força de bloqueio.
Claro que o tempo viria a dar razão a Friedman e a Lemaître e Einstein engoliu. Um dia reconheceu e escreveu: "Para punir o meu desprezo habitual pela autoridade, o destino fez de mim próprio uma autoridade". Somos todos feitos do mesmo carbono, hidrogénio e oxigénio, digo eu. Einstein também era.
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(A fotografia à direita é de Lemaître)
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OUTONO

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Poiares Baptista (2012)
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CHOVE LÁ FORA

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O planeta Terra tem cerca de 4,5 mil milhões de anos, num universo com 13,7 mil milhões. Ao princípio, tudo era diferente. A Terra girava mais depressa, as noites e os dias eram mais curtos, a Lua estava mais próxima, o Sol era fraco, não existiam plantas ou animais e o ar era irrespirável. Depois, passo a passo, tudo mudou. Estas coisas vão-se sabendo gradualmente, graças à capacidade de observação de alguns achados arqueológicos e à inteligência criativa dos homens. Vem a conversa a propósito duma investigação feita por um senhor chamado Sanjoy Som, dos Estados Unidos, que estuda fósseis de pingos da chuva. Ditas as coisas assim, parece piada. Não é.
Em 1980, numa terra da África do Sul chamada Ventersdorp, foram encontradas rochas com marcas de pingos da chuva de há 2,7 mil milhões de anos. A chuva havia caído em cinzas vulcânicas, posteriormente cobertas por novas cinzas, quando as primeiras já tinham algum grau de dureza. As novas cinzas endureceram por sua vez e preservaram os buracos. A erosão de milénios descobriu as marcas iniciais, a que os cientistas chamam fósseis de pingos da  chuva.
Partindo do conhecimento de que a dimensão da gota de chuva não é condicionada pela  pressão atmosférica, e era de cerca de 7 mm como agora, estudando a dimensão e forma das marcas dos pingos, consegue-se saber a velocidade com que a chuva chegava à cinza,  dependente  da densidade do ar. Essa velocidade era de 9 metros por segundo, tal como nos dias de hoje. Logo, a pressão atmosférica era semelhante à actual.
Dado que não havia oxigénio como hoje, haveria outros gases eventualmente com efeito estufa, o que terá impedido a congelação da água uma vez que o calor do Sol era muito fraco. Nesse tempo, o aquecimento global era bem-vindo. Agora é o que se vê, lê e ouve.
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DONGBANG GIANT 3

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O navio coreano de grandes cargas "Dongbang Giant 3" viajava de Algeciras para Ferrol, em Espanha, transportando seis gruas de contentores. Zarpou ontem e, ontem mesmo, teve de se abrigar no Porto de Lisboa devido ao mau tempo. Aqui o vemos, hoje de manhã, esperando melhores dias para ir a Ferrol. Um monstro com 38 metros de largura!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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SOMOS UM 'LEGO' ?

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Ao princípio eram os quarks, os leptões, os bosões; depois, protões; depois hidrogénio, hélio, carbono, oxigénio, ferro, cálcio e coisas assim; depois as células procariotas e eucariotas; e depois nós, feitos predominantemente de carbono, hidrogénio e oxigénio; e nós, feitos de carbono, hidrogénio e oxigénio,  fizemos as pirâmides, os cemitérios, escrevemos a Bíblia, fabricamos cigarros, fazemos cirurgia e lâmpadas eléctricas, a Internet, o Facebook, cozido à portuguesa, e já construímos castelos. Os nossos ingredientes são poucos e fizemos isto tudo. Um dia voltamos a ser carbono, hidrogénio, oxigénio e pouco mais e esses átomos são os mesmos mas deixam de fazer o que faziam e fazem outras coisas, ou nada. Eventualmente, o hidrogénio faz hélio, o carbono faz silício e ferro e por aí fora, mas não fazem pirâmides, nem escrevem a Bíblia, nem organizam bibliotecas, nem montam a Internet, nem vão à Lua. E a Lua acaba, engolida pelo Sol, juntamente com a Terra, e o nosso carbono e hidrogénio e oxigénio continuam lá, ou cá, mas continuam, talvez incorporados em ferro ou enxofre ou parecido. Somos um arranjo precário de quarks, leptões, bosões e por aí fora, sem explicação. Um "Lego" laboriosamente construído para ser desfeito, não sabemos quando. É o que parece.

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DICIONÁRIO DO DIABO

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OCIDENTE s.m.—Parte do mundo que fica a Oeste do Oriente. É predominantemente habitado por cristãos cujas principais actividades são o crime e a trafulhice, a que gostam de chamar guerra e comércio. Estas são também as principais actividades no Oriente.



DOCA DE PEDROUÇOS

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(07-06-2012)
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APARAS DE HISTÓRIA

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A fotografia, feita em 1930, quando Einstein se deslocou a Cambridge para receber um grau honorífico, mostra o investigador na companhia dum senhor chamado Arthur Eddington. E porque estão os dois tão contentes por se encontrarem? É uma história longa.
Quando começou a II Guerra Mundial, muitos cientistas foram mobilizados em Inglaterra. Eddington, por razões religiosas, era objector de consciência e recusou-se a ser incorporado nas forças britânicas. Foi demitido do Observatório Astronómico de Cambridge e mandado internar num campo de detenção. Nessa altura, Einstein lutava para demonstrar a correcção da sua teoria, nomeadamente que Newton estava errado no que se referia à gravidade, e necessitava de observações astronómicas durante um eclipse total do Sol para confirmar que a luz das estrelas era deflectida pela força gravitacional dos astros de acordo com a sua fórmula e não com a de Newton.
Para ir depressa ao assunto, Frank Dyson,  Astronomer Royal, conseguiu que Eddington não fosse preso a fim de organizar uma expedição para observar um eclipse total do Sol, em Março de 1919, na Ilha do Príncipe, o que poderia comprovar a teoria gravitacional de Einstein. Curiosamente, Eddington viajou da Ilha da Madeira para a do Príncipe num navio de carga belga chamado "Portugal".
Embora as condições meteorológicas não fossem perfeitas durante o eclipse na Ilha do Príncipe, foi possível fazer as fotografias suficientes para comprovar que a teoria de Einstein estava certa e a de Newton errada. Começou aí a glória de Einstein e o início da sua enorme popularidade científica e não só. A fotografia foi feita 11 anos depois, quando Einstein ainda era professor da Universidade de Berlim, e compreende-se a alegria dos dois homens com o encontro. Um formulou a hipótese teórica, o outro comprovou-a experimentalmente.
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FOTOGRAFIA

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Magnífica fotografia da manifestação dos estivadores em frente ao Parlamento, no dia 29 de Novembro, publicada no jornal "Foreign Policy".
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domingo, 2 de dezembro de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Zélie"
1829
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APRENDER

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A ALMA DA ÁRVORE

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(15-12-2011)
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MAL ENTERRADOS

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[...] Os aposentados são indefesos. Com a existência organizada em funçãodum determinado rendimento, para o qual se prepararam toda a vida, entregando ao Estado o estipulado para este fazer render e pagar-lhes agora o respectivo retorno, os reformados não têm defesa. São agora espoliados e, não tendo condições para procurar outras fontes de rendimento, apenas lhes resta, face à nova realidade que lhes criaram, não honrar os seus compromissos, passar frio, fome e acumular dívidas.
No resto da Europa, os velhos viram as suas reformas não serem atingidas e, em alguns casos, como sucedeu, por exemplo, em Espanha, serem até ligeiramente aumentadas. Portugal não é país para velhos. Os políticos devem pensar que os nossos velhos já estão mortos e que, no fim de contas, estamos todos mal enterrados...
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Joaquim Letria

(Recebido de Francisco Carvalho)
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BANCOS DE PORTUGAL

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(15-11-2012)
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ACTO DE CONTRIÇÃO

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Guterres admitiu ter também contribuído para o "pântano" em que estamos afundados. Mas quando percebeu para onde ia a Pátria com as suas políticas e as de quem o antecedeu, agarrou-se a uma derrota em eleições municipais e deu de frosques. Não foi bonito, mas foi assim.
Guterres é um nabo, está bom de ver, mas não é mau tipo. Com os meus amigos costumo usar outro termo que não posso reproduzir num espaço sério como este, muito mais expressivo. Mas também é do género de fazer a asneira e admiti-la, o que é louvável e raro. Guterres é uma das argolas da cadeia de asneiras que começaram a seguir ao 25 barra 4 com o PREC e duraram até hoje, com picos no PREC, em Soares, nele, em Cavaco e no Zezito, calados os dois últimos como ratos. Os comunistas há muito que sacudiram a água do capote porque a memória dos povos  é fraca e muitos dos que viveram aqueles dias já se passaram. Soares é um cara de pau sem lugar na classificação taxonómica de Lineu. Cavaco é boliqueimense. E o Zezito uma nulidade sem senso crítico bastante para perceber as borradas que faz.
Por isso, tiro o chapéu a Guterres; não por ter feito as asneiras, nem por se ter raspado quando viu a coisa preta, mas pela contrição. Ao menos que haja um capaz de reconhecer e assumir as burrices.
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RECANTOS DE LISBOA

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(15-11-2012)
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ENCHER CHOURIÇOS

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O "Expresso" on line tem esta extraordinária notícia: "Polícias sem dinheiro perturbam missão da PSP". Parece que o facto, perfeitamente inesperado e surpreendente, terá sido revelado à Agência Lusa pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia.
A notícia é o clássico exemplo da prosa de encher chouriços. Pergunta-se: Quantos portugueses sem dinheiro há neste momento e quantas missões que eles desempenham estão perturbadas? E quantos portugueses estão perturbados por não terem dinheiro? E quantos portugueses não têm dinheiro porque estão perturbados? E quantos perturbados estão sem dinheiro? E quantos serviços estão perturbados porque os servidores têm dinheiro a mais? E quantos portugueses têm dinheiro a mais e não perturbam nenhum serviço porque não fazem a ponta dum corno?
É um jornal de referência o citado semanário. Deve lá haver também jornalistas sem dinheiro o que perturba a missão do jornalismo, calculo eu.
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