sábado, 24 de abril de 2010

MEMÓRIAS DO PORTUGAL RESPEITADO


Corria o ano da graça de 1962. A Embaixada de Portugal em Washington recebe pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares (em termos actuais algo parecido com € 50 milhões) com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall.O embaixador incumbiu-me – ao tempo era eu primeiro secretário da Embaixada – dessa missão.
Aberto o expediente, estabeleci contacto telefónico com a desk portuguesa, pedi para ser recebido e, solicitado, disse ao que ia. O colega americano ficou algo perturbado e, contra o costume, pediu tempo para responder. Recebeu-me nessa tarde, no final do expediente. Disse-me que certamente havia um mal entendido da parte do governo português. Nada havia ficado estabelecido quanto ao pagamento do empréstimo e não seria aquele o momento adequado para criar precedentes ou estabelecer doutrina na matéria. Aconselhou a devolver o cheque a Lisboa, sugerindo que o mesmo fosse depositado numa conta a abrir para o efeito num Banco português, até que algo fosse decidido sobre o destino a dar a tal dinheiro. De qualquer maneira, o dinheiro ficaria em Portugal. Não estava previsto o seu regresso aos EUA.
Transmiti imediatamente esta posição a Lisboa, pensando que a notícia seria bem recebida, sobretudo num altura em que o Tesouro Português estava a braços com os custos da guerra em África. Pensei mal. A resposta veio imediata e chispava lume. Não posso garantir a esta distância a exactidão dos termos mas era algo do tipo: "Pague já e exija recibo". Voltei à desk e comuniquei a posição de Lisboa.
Lançada estava a confusão no Foggy Bottom: - não havia precedentes, nunca ninguém tinha pago empréstimos do Plano Marshall; muitos consideravam que empréstimo, no caso, era mera descrição; nem o State Department, nem qualquer outro órgão federal, estava autorizado a receber verbas provenientes de amortizações deste tipo. O colega americano ainda balbuciou uma sugestão de alteração da posição de Lisboa mas fiz-lhe ver que não era alternativa a considerar. A decisão do governo português era irrevogável.
Reuniram-se então os cérebros da task force que estabelecia as práticas a seguir em casos sem precedentes e concluíram que o Secretário de Estado - ao tempo Dean Rusk - teria que pedir autorização ao Congresso para receber o pagamento português. E assim foi feito. Quando o pedido chegou ao Congresso atingiu implicitamente as mesas dos correspondentes dos meios de comunicação e fez manchete nos principais jornais. "Portugal, o país mais pequeno da Europa, faz questão de pagar o empréstimo do Plano Marshall"; "Salazar não quer ficar a dever ao tio Sam" e outros títulos do mesmo teor anunciavam aos leitores americanos que na Europa havia um país – Portugal – que respeitava os seus compromissos.
Anos mais tarde conheci o Dr. Aureliano Felismino, Director-Geral perpétuo da Contabilidade Pública durante o salazarismo (e autor de umas famosas circulares conhecidas ao tempo por "Ordenações Felismínicas" as quais produziam mais efeito do que os decretos do governo). Aproveitei para lhe perguntar por que razão fizemos tanta questão de pagar o empréstimo que mais ninguém pagou. Respondeu-me empertigado: - "Um país pequeno só tem uma maneira de se fazer respeitar – é nada dever a quem quer que seja".
Lembrei-me desta gente e destas máximas quando há dias vi na televisão o nosso Presidente da República a ser enxovalhado pública e grosseiramente pelo seu congénere checo a propósito de dívidas acumuladas.Eu ainda me lembro de tais coisas, mas a grande maioria dos Portugueses de hoje nem esse consolo tem.

Estoril, 18 de Abril de 2010
Luís Soares de Oliveira

(Publicado no Blog Luís Marques da Silva, Arquitecto)

A NOITE DO MAR

.
.

DIZ "THE TIMES"


Funcionários superiores do organismo de regulação financeira dos Estados Unidos passaram horas a ver vídeos pornográficos na Net, em computadores do governo, quando deviam estar a vigiar Wall Street durante a maior crise desde 1930. Mais de 30 foram investigados, 17 dos quais recebem entre $100.000 e $220.000 por ano.
Alguns dos que foram apanhados acederam a mais de mil imagens, passando oito horas por dia a ver pornografia e a gravar material em CDs e DVDs guardados em caixas nos gabinetes.
Um contabilista foi bloqueado por filtros para sites pornográficos 16.000 vezes num único mês! E uma mulher, contabilista também, tentou aceder a um site porno 1.800 vezes em duas semanas, e tinha 600 registos no disco rígido!
Talvez seja altura de pensar nas nossas entidades reguladoras. É que ás vezes tem-se a sensação que andam distraídos com alguma coisa - digo eu.

PORTUGUESE STYLE BOILED-MEAT-AND-VEGETABLES ACADEMY

.
. A Academia do Cozido à Portuguesa presta regularmente culto às vitualhas envolvidas na confecção do dito. Mas tem divagações esporádicas por pratos leves. Desta vez o repasto teve lugar na Tasca do Gordo, em Pedrouços, com uma entrada ligeira de Feijoada à Transmontana, a que se seguiu o prato principal de Dobrada com Feijão Branco.
Estava tudo muito bom, e ficaram todos muito satisfeitos, como dizia um comandante que tive, depois de se empanturrar alarvemente.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

.
.

PINGOS DE ESCÁRNEO

MANIFESTO ANTI-DANTAS

Basta pum basta!
Uma geração, que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi! É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!
Abaixo a geração!
Morra o Dantas, morra! pim!


Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!
Uma geração com um Dantas à proa é uma canôa em seco!
O Dantas é um cigano!
O Dantas é meio cigano!
O Dantas saberá gramática, saberá sintaxe, saberá medicina, saberá fazer ceias p'ra cardeais, saberá tudo menos escrever que é a única coisa que ele faz!
O Dantas pesca tanto de poesia que até faz sonetos com ligas de duquezas!
O Dantas é um habilidoso!
O Dantas veste-se mal!
O Dantas usa ceroulas de malha!
O Dantas especula e inocula os concubinos!
O Dantas é Dantas!
O Dantas é Júlio!
Morra o Dantas, morra! pim!
..-
O Dantas nasceu para provar que, nem todos os que escrevem sabem escrever!
O Dantas é um automato que deita pr'a fora o que a gente já sabe que vai sair... Mas é preciso deitar dinheiro!
O Dantas é um soneto d'ele-próprio!
O Dantas em génio nunca chega a pólvora seca e em talento é pim-pam-pum!
O Dantas nú é horroroso!
O Dantas cheira mal da boca!
Morra o Dantas, morra! pim!
[...]

.
Almada Negreiros

.

.
.

CORRESPONDÊNCIA DE CHARLES DARWIN

.

Historiadores e investigadores coleccionaram já cerca de 15.000 (!) cartas escritas por, e para, Charles Darwin, com o propósito de melhor compreender o pensamento científico e a vida do cientista. Um dos seus correpondentes frequentes era Joseph Dalton Hooker, botânico que o ajudou a identificar muitas espécies recolhidas durante a expedição de Darwin no Hemisfério Sul, a bordo do navio Beagle. A página aqui reproduzida é de uma carta de Janeiro de 1844, para Hooker, e é um dos primeiros documentos em que Darwin fala da teoria da selecção natural (O livro On the Origin of Species foi publicado em 1859).
No local assinalado com o número 3, está escrito: ...as espécies não são (é como confessar um crime) imutáveis... Darwin estava consciente do impacto social, religioso e filosófico que ia ter a divulgação da sua teoria.
No ponto 2, refere ter lido “montes” de livros sobre agricultura e horticultura, nomedamente Malthus (An Essay on the Principle of Population), que pensava ser o crescimento da população humana condicionado pelos recursos alimentares, pensamento que Darwin estendeu aos animais e plantas.
Finalmente, no último ponto, manifesta reconhecimento pela colaboração que Lamarck deu à ideia da selecção natural, com o livro Philosophie Zoologique, mas é notório que Darwin não estava minimamente de acordo com a teoria lamarckiana da transmissão dos caracteres adquiridos - noutros escritos refere qualquer coisa como Deus me livre do absurdo de Lamarck.
A verdade é que investigações recentes mostram ser possível adquirir características e transmiti-las à descendência. A selecção natural será o principal factor da evolução, mas não se pode excluir de todo a hipótese de transmissão dos caracteres adquiridos, em que a epigenética, e não só, terá papel determinante.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

22 DE ABRIL, 1500

Pedro Álvares Cabral, partido de Lisboa a 8 de Março, chega à Terra de Santa Cruz há 510 anos

ESCREVER BEM É ASSIM

Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... Espantem-se à vontade, podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir. A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; - e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira. (...) Agora, é preciso saber que a alma exterior não é sempre a mesma...
- Não?
- Não, senhor; muda de natureza e de estado. Não aludo a certas almas absorventes, como a pátria, com a qual disse o Camões que morria, e o poder, que foi a alma exterior de César e de Cromwell. São almas enérgicas e exclusivas; mas há outras, embora enérgicas, de natureza mudável. Há cavalheiros, por exemplo, cuja alma exterior, nos primeiros anos, foi um chocalho ou um cavalinho de pau, e mais tarde uma provedoria de irmandade, suponhamos.

Machado de Assis, in "O Espelho"

SUNSPOTS




As manchas solares, mais conhecidas pela expressão inglesa sunspots, correspondem a "tempestades" electromagnéticas na superfície do Sol. Nunca, até agora, se tinha obtido imagens como as mostradas neste vídeo, feito a partir do telescópio do Solar Dynamics Observatory, satélite lançado pela NASA em Fevereiro. Cada "explosão" que vemos tem mais energia que 100 bombas de hidrogénio.

A PRAGA DA NOSSA HUMILHAÇÃO

PORTUGAL SEM DINHEIRO E SEM VERGONHA

ÓLEO DE MAMONA


Inês de Medeiros foi eleita pelo círculo de Lisboa e presta, politicamente, contas aos eleitores do círculo de Lisboa. Que tenha casa em Paris, em Moscovo, em Chicago ou em Freixo-de-Espada-à-Cinta não é, nem poderia ser relevante para efeitos da aplicação do disposto no artigo 16º, nº1, do Estatuto dos Deputados: "No exercício das suas funções ou por causa delas, os Deputados têm direito a subsídios de transporte e ajudas de custo correspondentes." Repito: "No exercício das suas funções ou por causa delas". Um deputado eleito pelo círculo de Lisboa não pode invocar que está em trabalho político e parlamentar quando, ao fim de semana, se desloca a Paris, a Moscovo, a Chicago ou a Freixo-de-Espada-à-Cinta para se encontrar com os filhos ou ir ao teatro. Há muitos deputados eleitos nos círculos de Portugal continental que têm filhos a viver no estrangeiro, e, que eu saiba, nenhum se atreveu ainda a exigir o pagamento de subsídio de transporte quando sai do país, ao fim de semana, para os visitar. Inês de Medeiros, apesar de eleita pelo círculo de Lisboa, sente-se diferente: ela acha que o parlamento deverá custear-lhe essas viagens, porque tem casa e filhos em Paris. E tem o atrevimento de apontar o dedo acusador a quem lhe nega essa mordomia.

Post publicado por Ademar Santos no blog “abnoxio”, em 31 de Março de 2010

NOVIDADE TECNOLÓGICA

O LIVRO!!!

(Publicado n'O Inimigo Público)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

PENSAMENTOS E REFLEXÕES


Toda a gente há-de ter notado o gosto que têm os gatos de parar e andar a passear entre os dois batentes de uma porta entreaberta. Quem há aí que não tenha dito a algum gato: «Vamos! Entras ou não entras?» Do mesmo modo, há homens que num incidente entreaberto diante deles, têm tendência para ficar indecisos entre duas resoluções, com o risco de serem esmagados, se o destino fecha repentinamente a aventura. Os prudentes em demasia, apesar de gatos ou porque são gatos, correm algumas vezes maior perigo do que os audaciosos.

Victor Hugo, in 'Os Miseráveis'

.

.
.
-
.
.
.
.
.--------A Cidade

MÁS NOTÍCIAS!...


.
.
.
Manchester City are monitoring Ángel di María and Óscar Cardozo, the coveted Benfica players, as they weigh up their options before a spending spree that could rival Real Madrid’s extraordinary £216 million outlay last summer.

The Times

O INEFÁVEL EVO MORALES



.
La calvicie que parece normal es una enfermedad en Europa, casi todos son calvos, y esto es por las cosas que comen, mientras que en los pueblos indígenas no hay calvos, porque comemos otras cosas.

.
.
El pollo que comemos está cargado de hormonas femeninias. Por eso, cuando los hombres comen esos pollos, tienen desviaciones en su ser como hombres.


.
.

Palavra de Evo Morales, Presidente da Bolívia pela Graça de Deus, e líder do movimento de esquerda boliviano Cocalero, federação de agricultores cuja tradição é o cultivo da coca, para desgraça dos americanos.
Veja o vídeo clicando no título deste post.

.

.








................Pose de Escultura