domingo, 26 de maio de 2013

TORRE SINEIRA

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Escola dos Salesianos do Estoril
25-05-2013
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ERA PRÉ-'OFFSHORES'


(Veneza. Uma rua. Entram António, Salarino e Salânio)

ANTÓNIO (o mercador)Não sei, realmente, porque estou tão triste. Isso me enfada; e a vós também, dissestes. Mas como começou essa tristeza, de que modo a adquiri, como me veio, onde nasceu, de que matéria é feita, ainda estou por saber. E de tal modo obtuso ela me deixa, que mui dificilmente me conheço.

SALARINO (amigo)Vosso espírito voga em pleno oceano, onde vossos galeões de altivas velascomo burgueses ricos e senhores das ondas, ou qual vista aparatosa distendida no marolham por cima da multidão de humildes traficantes que os saúdam, modestos, inclinando-se, quando perpassam com tecidas asas.

SALÂNIO (amigo)Podeis crer-me, senhor: caso eu tivesse tanta carga no mar, a maior parte de minhas afeições navegaria com minhas esperanças. A toda hora folhinhas arrancara de erva, para ver de onde sopra o vento; debruçado nos mapas, sempre, procurara portos, embarcadoiros, rotas, sendo certo que me deixara louco tudo quanto me fizesse apreensivo pela sorte do meu carregamento.

SALARINOMeu hálito, que a sopa deixa fria, produzir-me-ia febre, ao pensamento dos desastres que um vento muito forte pode causar no mar. Não poderia ver correr a ampulheta, sem que à ideia me viessem logo bancos e mais bancos de areia e mil baixios, inclinado vendo o meu rico "André" numa coroa, mais fundo o topo do que os próprios flancos, para beijar a tumba; não iria à igreja sem que a vista do edifício majestoso de pedra me fizesse logo lembrado de aguçadas rochas, que, a um simples toque no meu gentil barco, dispersariam pelas ondas bravas suas especiarias, revestindo com minhas sedas as selvagens ondas. Em resumo: até há pouco tão valioso tudo isso; agora, sem valia alguma. Pensamento terei para sobre essa conjuntura pensar, e há-de faltar-me pensamento no que respeita à ideia de que tal coisa me faria triste? Mas não precisareis dizer-me nada: sei que António está triste só de tanto pensar em suas cargas.
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In "O Mercador de Veneza", de William Shakespeare
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COODBYE !

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330.000/mês!
Siga o enterro...
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QUADRO DE HONRA

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In "Diário de Notícias"
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sábado, 25 de maio de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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MANSARDA

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Estoril, 25-05-2013
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LEIS IMUTÁVEIS ?! NEM NA FÍSICA !

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A vida surgiu na Terra sob a forma de seres elementares, eventualmente constituídos por uma molécula capaz de se multiplicar, eventualmente duas ou três moléculas combinadas e, ao longo de milhões de anos evoluiu, dando origem às espécies actuais, muitas e complicadas, de que fazemos parte. O stock actual resultou da sobrevivência das novas espécies que por razões várias se desenvolveram ao longo do tempo, depois de desaparecerem as fracas por serem desadaptadas e mal engendradas. Chama-se a isto selecção natural, conceito quase pacífico e consensual na comunidade científica biológica.
Na Física Newtoniana e na Mecânica Quântica, o raciocínio é diferente: assume-se que o universo evoluiu em resultado de leis imutáveis ao longo do tempo. Isto é, as leis que governam o mundo desde o Big-Bang foram sempre as mesmas―o que mudou foi o sujeito passivo―para usar uma expressão cara ao fisco que um dia muda porque acaba a passividade do sujeito.
A verdade é que não está demonstrado que assim seja. Poderá aceitar-se que há leis fora de uso, por falta de sujeito passivo, desaparecido com a transformação do cosmos―tal como o Código do IRS deixará de se aplicar quando só houver portugueses depenados e sujeitos passivos fugitivos. Mas o mais inesperado é que as leis físicas podem também ter evoluído desde o Big-Bang, circunstância que põe em causa algumas teorias cosmológicas.
Coisas não comprovadas, mesmo que aceites por toda a gente, não são necessariamente verdades. E porque hão-de ser independentes do tempo as leis da Física? É o tempo dinâmico e são as leis estáticas? Por alma de quem? É um conceito metafísico usado no pensamento científico. Perguntava  Feynman quantas questões estão por explicar na evolução do universo e quantas o estão porque não podem sê-lo com as leis actuais da Física? Aí está uma pergunta inteligente, embora Feynman  não estivesse muito preocupado com a minha opinião!―suspeito eu.
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. . . É PEDRA, É O FIM DO CAMINHO . . .

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Estoril, 25-05-2013
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TÚNEL DA PRAIA DO TAMARIZ

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Estoril, 25-05-2013
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PITÁGORAS DE SAMOS

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Pitágoras de Samos, cerca de 540 anos AC, iniciou o movimento racionalista da Filosofia, decorrente da sua paixão pela Matemática. Demonstrou como a Matemática podia ajudar a formular teorias científicas e, curiosamente, aplicou-a inicialmente à música. Usando um instrumento apenas com uma corda sujeita sempre à mesma tensão, verificou que, alterando o seu comprimento para metade, criava uma nota uma oitava mais alta, mas em harmonia com a do comprimento inicial, o que não acontecia se a relação entre os dois comprimentos não fosse harmónica também, por exemplo 15/37.
Pitágoras acreditava que tudo são números e que eles tudo governam, inclusivamente os corpos celestes. Poeticamente, defendia que o movimento do Sol, da Lua e dos planetas no céu geravam notas musicais particulares e harmónicas, determinadas pela dimensão das suas órbitas. Então, concluía que as órbitas, tal como as notas, têm de ter proporções numéricas específicas para o universo ser harmónico.
Talvez a ideia de Pitágoras não fosse tão poética como parecia. A ciência moderna mostra que teorias científicas muito complicadas, habitualmente não colhem, facto expresso na célebre frase do físico Berndt Mattias―já aqui citada―de que, se virmos uma fórmula que ocupa um quarto de página, o melhor é esquecê-la porque está errada: “a natureza não é assim tão complicada”, dizia ele.
Afortunadamente, Pitágoras fez escola e os sucessores melhoraram o método. A ciência sofisticou-se até chegar ao cálculo do diâmetro do Sol, da Lua e da Terra, sem telescópios espaciais Hubble, sem estações espaciais internacionais, sem telescópios de RX Chandra, sem radiotelescópios, blá, blá, blá―apenas papiro e pena de pato. Ah ganda Pitágoras!...
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1967

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O "Rochinha", João José Simões Rocha, militar "da tropa", alferes miliciano de Infantaria e meu companheiro de quarto na messe de oficiais de Laclubar "City", em Timor, sentado à porta da dita. Os rabos são do Sousa e do Fonseca. 

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O "Rochinha", ao meio, grande craque no futebol, pega nas rédeas "à padeiro"―um nabo na arte de bem cavalgar em toda a sela! (o da direita é o Fonseca, do rabo que se vê em cima)
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sexta-feira, 24 de maio de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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BIG-BANG IORUBÁ

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De acordo com o povo Iorubá, da África Ocidental, Olorum, Dono do Céu, olhando para a Terra e vendo os pântanos sem vida, pediu a outra divindade para mandar cá abaixo a concha de um caracol, com uma pomba, uma galinha e um bocado de terra dentro. A terra foi espalhada sobre os pântanos e a pomba e a galinha debicaram nela até o solo se tornar sólido e fértil. Para testar o facto, Olorum enviou um camaleão que, de azul passou a castanho, confirmando que o trabalho estava feito.
É estúpido e tem piada? Sim senhor. De um lado da Terra ao outro, contam-se―ou contaram-se―histórias assim ou parecidas. Não há nenhuma melhor que a outra: são todas de carregar pela boca.
Agora, nos países finos e aromáticos, há a história do Big-Bang. Esta é mais pacífica e consensual, se excluirmos os criacionistas. O problema actual é Big-Bang versus Olorum. Terá sido ele que fez a esfera de raio zero, com toda a massa e energia do universo lá dentro? Para ser franco, acho que custa mais a perceber isso que o Big-Bang  dos iorubás!
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CARTE D'ASIE

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Jean Baptiste Louis Clouet
(1788)
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VIRA DA NAZARÉ

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O reproduzido em cima lê-se hoje no “Correio da Manhã”. Estamos todos de acordo―quando a embarcação mete muita água, é habitual virar. Ainda assim, a Nau Portugal tem grande estabilidade: com incomparavelmente menos água, o “Costa Concordia” foi o que se viu.
Passos Coelho é o capitão Francesco Schettino nacional. Mas, ainda assim―valha a verdade―o nosso capitão avisa os passageiros do momento crítico que se aproxima. Agarremos os coletes de salvação e preparemos uma palhinha para respirar, se a água passar acima da tomada de ar. E como, provavelmente, o navio vira para a esquerda, juntemo-nos todos a estibordo e cantemos o Vira da Nazaré: Haja peixe com fartura para a gente/Que o resto não corre mal…


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Entregues a um nabo que queria ser Primeiro-Ministro!
Cómico, se não fosse uma tragédia
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SABER DANÇAR

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'MARCHE ARRIÈRE'

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Miguel Sousa Tavares (MST) não faz muito o meu género; digo-o previamente em jeito de declaração de conflito de interesses. O homem gosta da boutade, tem conversa de quem paira acima do mortal comum, é “do contra”―coisa que, tout cout, dá imagem―e é definitivo no que afirma, quase sempre em divergência com o povão, que somos nós. Mais definitivo que Pedro Marques Lopes―difícil, mas é!
Pois MST, em entrevista ao “Jornal de Negócios”, declarou que em Portugal não surgirá um Beppe Grillo porque já temos um palhaço, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. Tirava o chapéu a MST se ele não se comportasse posteriormente como um cágado.
A Presidência da República enviou as declarações para a Procuradoria-Geral da República e MST arrisca uma pena que pode ir até três anos de prisão. Provavelmente, nem um mês será e o mais certo, neste recanto, cume da cabeça de Europa toda, nem sequer um dia. Mas MST molhou a fralda e fez marche arrière: que não, a boutade não foi espontânea, foi o jornalista que encaminhou a conversa, puseram aquilo no título com relevo excessivo para fazer cacha, que tem o maior respeito pelo Presidente da República/Institução, que já me borrei todo, etc. e tal, blá, bá, blá.
É caso para dizer que melhor seria ter guardado de Conrado o prudente silêncio. Agora,  vai ter algumas contracções espasmódicas do cólon descendente e da ansa ilíaca e ameaças de trovoada molhada. É a vida!
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quinta-feira, 23 de maio de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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"Golden West"
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Clipper americano lançado em 1852, tinha 64 m de comprimento, 
12 m de boca, 7 m de calado e 1.441 toneladas.

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A FALAR CLARO É QUE . . .

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(Com colaboração de J. Castro Brito)
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QUEM DIRIA !

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Nada como a ciência helénica se viu no mundo, até ao dealbar da moderna ciência na Europa, no Século XVII.

Seven Weinberg in "Dreams of a Final Theory"
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