Em entrevista ao Público na semana passada, e a propósito
da detenção do vice-reitor do seminário menor do Fundão, Catalina Pestana
afirmou que este caso não era único e que ela própria já tinha denunciado
abusos sexuais na Igreja de Lisboa. A ex-provedora disse até ter reunido com D. José Policarpo e membros da conferência episcopal portuguesa.
Hoje, a diocese de Lisboa vem dizer, pela voz do director
do gabinete de comunicação de D. José Policarpo,
que nunca recebeu denúncias de Catalina Pestana e que esta não reuniu alguma
vez com ele.
Só há duas hipóteses sobre o que diz Catalina Pestana: ou
é verdade, ou é mentira—o que se diga mais é palha ou conversa de encher
chouriços, ponto. Se é verdade, caímos para o lado com a desfaçatez do
Patriarcado. É difícil acreditar que tenha tal desplante, facilmente
desmascarado. Se é mentira, pergunta-se a Catalina Pestana: então, Senhora Dr.ª,
qual é a sua?
Em boa verdade, Catalina Pestana anda há um ano, ou mais,
a falar disso. Face a tal situação, interrogo-me porque não dá conhecimento do
que sabe a quem de direito—neste caso as autoridades judiciais. Será
porque não tem a certeza? E, se não tem a certeza, é legítimo andar a atirar
palpites para o ar contra destinatários incertos?
Acho que Catalina Pestana gosta de falar, ou melhor
ainda, gosta de ser ouvida. Além disso, talvez ande por ali um nadinha de
senilidade. Como se sentiria se alguém viesse para os jornais fazer insinuações
vagas e indirectas sobre ela sem as concretizar? Mal provavelmente. Por isso, devia calar a
boca. Mais nada.
Declaração de interesses—Não tenho qualquer missão de, ou
vantagem em defender o nome de quem quer que seja suspeito de pedofilia,
incluindo o clero católico. O que fica escrito aplica-se a todo o cidadão a
quem palavreado como o da Dr.ª Catalina
Pestana possa atingir.
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