quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

FACTOS E BOATOS

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Em entrevista ao Público na semana passada, e a propósito da detenção do vice-reitor do seminário menor do Fundão, Catalina Pestana afirmou que este caso não era único e que ela própria já tinha denunciado abusos sexuais na Igreja de Lisboa. A ex-provedora disse até ter reunido com D. José Policarpo e membros da conferência episcopal portuguesa.
Hoje, a diocese de Lisboa vem dizer, pela voz do director do gabinete de comunicação de D. José  Policarpo, que nunca recebeu denúncias de Catalina Pestana e que esta não reuniu alguma vez com ele.
Só há duas hipóteses sobre o que diz Catalina Pestana: ou é verdade, ou é mentira—o que se diga mais é palha ou conversa de encher chouriços, ponto. Se é verdade, caímos para o lado com a desfaçatez do Patriarcado. É difícil acreditar que tenha tal desplante, facilmente desmascarado. Se é mentira, pergunta-se a Catalina Pestana: então, Senhora Dr.ª, qual é a sua?
Em boa verdade, Catalina Pestana anda há um ano, ou mais, a falar disso. Face a tal situação, interrogo-me porque não dá conhecimento do que sabe a quem de direito—neste caso as autoridades judiciais. Será porque não tem a certeza? E, se não tem a certeza, é legítimo andar a atirar palpites para o ar contra destinatários incertos?
Acho que Catalina Pestana gosta de falar, ou melhor ainda, gosta de ser ouvida. Além disso, talvez ande por ali um nadinha de senilidade. Como se sentiria se alguém viesse para os jornais fazer insinuações vagas e indirectas sobre ela sem as concretizar? Mal provavelmente. Por isso, devia calar a boca. Mais nada.

Declaração de interesses—Não tenho qualquer missão de, ou vantagem em defender o nome de quem quer que seja suspeito de pedofilia, incluindo o clero católico. O que fica escrito aplica-se a todo o cidadão a quem palavreado como o da Dr.ª  Catalina Pestana possa atingir.
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