Auguste Comte, o filósofo francês, dizia ao mundo, em 1842, que há áreas do conhecimento para além da capacidade científica do homem e dava como exemplo a composição química das estrelas. Tais afirmações, embora compreensíveis, são arriscadas, como o tempo viria a demonstrar.
Pouco mais de uma década depois, já Comte havia morrido,
Robert Bunsen e Gustav Kirchhoff determinariam
a composição do Sol. E a técnica parece hoje simples. Sabe-se que a radiação
electromagnética solar e das outras estrelas é constituída por vários comprimentos
de onda que se distinguem no espectro visível por cores diferentes—separáveis
por um prisma—e que cada cor é emitida pelo aquecimento de um átomo particular.
Esse átomo também tem a propriedade de absorver a mesma radiação quando chega
até nós. Assim, determinando quais os átomos que absorvem as várias faixas da
luz solar, sabe-se quais os átomos que as emitiram e são, consequentemente, constituintes
do Sol. A explicação está muito simplificada, mas serve e não vale a pena
complicar.
Serve isto para contar que um dia Kirchhoff conversava
com o seu banqueiro e dizia-lhe que andava a investigar a presença de metais
pesados no Sol, nomeadamente ouro. O banqueiro riu-se e perguntou-lhe: para que
serve o ouro do Sol, se não se pode ir lá buscá-lo?
Anos mais tarde, Kirchhoff recebeu uma medalha de ouro
pelo mérito das suas descobertas astrofísicas e ainda não tinha esquecido a
conversa do banqueiro. Deslocou-se ao gabinete dele com a medalha e atirou-lhe:
acha que o ouro do Sol não serve para nada, mas olhe—aqui está ele.
Moralidade: nunca digas nunca como fez Comte e pensa antes de troçar de alguém.
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