Estudos sociológicos e psicológicos mostram que o homem exagera na avaliação da capacidade de ter sucesso. Cerca de 80% dos condutores, por exemplo, acham que conduzem melhor que outros automobilistas e a probabilidade de terem um acidente é pequena ou nula. O mesmo se observa com outras situações menores, como a possibilidade de escapar à chuva se ameaça chover, ou de chegar a tempo ao cinema, apesar de ser tarde. Exagerar a probabilidade de sucesso é um viés, provavelmente o que se chama optimismo.
Mas, curiosamente, esses mesmos optimistas com coisas menores são, na maioria, pessimistas na grande perspectiva. Para eles, a idade dourada está no passado e não no futuro, como era de esperar. São os do "no meu tempo...!"
Estão certos ou errados? Mostra a História que, verosimilmente,
estão errados. A sociedade tem evoluído para melhor com o passar dos séculos e
os do "no meu tempo...!" sempre existiram—isto é, o tempo deles terá
sido quase sempre pior. Porquê, isto?
É difícil explicar, mas há algumas razões evidentes. Primeiro,
a memória é traiçoeira e, com a diminuição da aptidão física e mental, apaga os
problemas do passado e conserva os êxitos e sucessos vividos; coisa
compreensível. Depois porque, com a sepultura no horizonte, mesmo subconsciente,
a nostalgia floresce—afinal, vimos de um tempo em que esse horizonte estava distante,
ou mais distante.
Penso nisto sempre que vejo jovens com piercings, tatuagens,
boné de pala para o lado, calças abaixo do rabo, brinquinhos, cabelo à Yannick Djaló.
Suspeito que estou a mais naquela fita; embora—no fundo—fique à espera do dilúvio.
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