quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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No dia 25 de Junho de 2011, publiquei a imagem da nau "Flor de la Mar" que volta hoje. E volta porque, consultando a estatística do meu contador de visitas, constatei que é a imagem mais copiada deste blog em vários países do mundo, da Austrália, aos Estados Unidos—merece uma homenagem!
Nesse post de 2011, escrevi o que segue.

Almocei hoje na Messe da Marinha, onde fotografei este óleo de Alberto Cutileiro, representando a nau “Flor de la Mar”. É um quadro do Museu da Marinha, ali exposto. Foi o navio, de 400 toneladas e um dos mais avançados da época, construído em Lisboa, em 1502. Seguiu para a Índia, sob o comando de Estêvão da Gama, irmão de Vasco da Gama, nesse mesmo ano e viria  a fazer nova viagem em 1505, comandado pelo galego João da Nova, viagem de que não regressou. Participou em vários episódios bélicos importantes da época, mas ficou famoso pelas circunstâncias em que naufragou.
Em 1511, Afonso de Albuquerque, dada a grande capacidade da nau, usou-a para transportar o valioso espólio tomado na conquista de Malaca, e ainda presentes do Reino do Sião (Tailândia) para o rei de Portugal. Mas, na noite de 20 de Novembro de 1511, no estreito de Malaca, violenta tormenta caiu sobre o navio, que se afundou, escapando Albuquerque por pouco, numa jangada improvisada. A “Flor de la Mar” levou consigo para o fundo das águas todos os tesouros que transportava: 200 cofres de pedras preciosas, diamantes “como punhos”, e muitas outras coisas, algumas das quais serão fantasia dos historiadores, a quem se deve dar sempre um desconto—a História é, simultaneamente, ciência  e actividade criativa. Mas o caçador de tesouros americano Robert Marx investiu 20 milhões de dólares para localizar os destroços da nau, o que leva a supor estar muito dinheiro no local do naufrágio. Diz ele tratar-se do navio mais rico alguma vez desaparecido no mar. E a Indonésia tem disputado judicialmente com a Malásia o direito aos salvados da nau, o que quer dizer qualquer coisa.
Se vierem a recuperar-se alguns bens, Portugal devia ter direito aos diamantes “como punhos”, pelo menos; para ajudar a tapar os rombos do governo do Zézito. Zézito que, além de não ter conquistado Malaca, só trouxe paquistaneses e moçambicanos para os comícios do PS, e nos ia pondo a todos malacos.

Um dia explicarei porque se chamava a nau "Flor de la Mar", sendo portuguesa e não espanhola.

Hoje, embora tarde, é tempo de cumprir a promessa e explicar porque se chamava assim a nau. A explicação que encontrei é de Carlos Rocha, suponho que historiador, e que transcrevo a seguir.

Não consegui apurar a origem factual do nome Flor de la Mar. A expressão é castelhana e não portuguesa, mas tal não nos deve surpreender, porque sabemos que o castelhano era língua corrente no Portugal do século XVI, a par do português, falando-se até de bilinguismo na corte portuguesa e noutros meios; por exemplo, Gil Vicente escreveu em castelhano, e mais tarde Camões fez o mesmo.
Por isso, convém dizer que:
– o artigo la não é um arcaísmo português, é simplesmente a forma que essa palavra tinha e tem em castelhano (ou espanhol);
– a palavra mar era e é usada nos dois géneros em castelhano: normalmente é um substantivo masculino, como em português, mas em certos meios (pescadores, marinheiros) e contextos (poesia) prefere-se o feminino («la mar», «mar calma», «mar gruesa», «alta mar»; cf. "Diccionario Panhispánico de Dudas" da Real Academia Española.
– quanto a frol*, trata-se de um arcaísmo português: a forma Frol de la Mar parece, portanto, um nome híbrido, a ilustrar bem a situação de contacto entre português e castelhano em Portugal, no século XVI.
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* A nau era também conhecida por "Frol de la Mar"
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