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No dia 25 de Junho de 2011, publiquei a imagem da nau
"Flor de la Mar" que volta hoje. E volta porque, consultando a
estatística do meu contador de visitas, constatei que é a imagem mais copiada
deste blog em vários países do mundo, da Austrália, aos Estados Unidos—merece uma homenagem!
Nesse post de 2011, escrevi o que segue.
Almocei hoje na
Messe da Marinha, onde fotografei este óleo de Alberto Cutileiro, representando
a nau “Flor de la Mar”. É um quadro do Museu da Marinha, ali exposto.
Foi o navio, de 400 toneladas e um dos mais avançados da época, construído
em Lisboa, em 1502. Seguiu para a Índia, sob o comando de Estêvão da Gama,
irmão de Vasco da Gama, nesse mesmo ano e viria a fazer nova viagem
em 1505, comandado pelo galego João da Nova, viagem de que não regressou.
Participou em vários episódios bélicos importantes da época, mas ficou famoso
pelas circunstâncias em que naufragou.
Em 1511, Afonso de
Albuquerque, dada a grande capacidade da nau, usou-a para transportar o valioso
espólio tomado na conquista de Malaca, e ainda presentes do Reino do Sião
(Tailândia) para o rei de Portugal. Mas, na noite de 20 de Novembro de 1511, no
estreito de Malaca, violenta tormenta caiu sobre o navio, que se afundou,
escapando Albuquerque por pouco, numa jangada improvisada. A “Flor de la Mar”
levou consigo para o fundo das águas todos os tesouros que transportava: 200
cofres de pedras preciosas, diamantes “como punhos”, e muitas outras coisas,
algumas das quais serão fantasia dos historiadores, a quem se deve dar sempre
um desconto—a História é, simultaneamente, ciência e actividade criativa.
Mas o caçador de tesouros americano Robert Marx investiu 20 milhões de dólares
para localizar os destroços da nau, o que leva a supor estar muito dinheiro no
local do naufrágio. Diz ele tratar-se do navio mais rico alguma vez
desaparecido no mar. E a Indonésia tem disputado judicialmente com a Malásia o
direito aos salvados da nau, o que quer dizer qualquer coisa.
Se vierem a
recuperar-se alguns bens, Portugal devia ter direito aos diamantes “como
punhos”, pelo menos; para ajudar a tapar os rombos do governo do Zézito. Zézito
que, além de não ter conquistado Malaca, só trouxe paquistaneses e moçambicanos
para os comícios do PS, e nos ia pondo a todos malacos.
Um dia explicarei
porque se chamava a nau "Flor de la Mar", sendo portuguesa e não
espanhola.
Hoje, embora tarde, é tempo de cumprir a promessa e explicar
porque se chamava assim a nau. A explicação que encontrei é de Carlos
Rocha, suponho que historiador, e que transcrevo a seguir.
Não consegui apurar a origem factual do nome Flor
de la Mar. A expressão é castelhana e não portuguesa, mas tal não nos deve
surpreender, porque sabemos que o castelhano era língua corrente no Portugal do
século XVI, a par do português, falando-se até de bilinguismo na corte
portuguesa e noutros meios; por exemplo, Gil Vicente escreveu em castelhano, e
mais tarde Camões fez o mesmo.
Por isso, convém dizer que:
– o artigo la não é um arcaísmo português, é
simplesmente a forma que essa palavra tinha e tem em castelhano (ou espanhol);
– a palavra mar era e é usada nos dois
géneros em castelhano: normalmente é um substantivo masculino, como em
português, mas em certos meios (pescadores, marinheiros) e contextos (poesia)
prefere-se o feminino («la mar», «mar calma», «mar gruesa», «alta mar»; cf. "Diccionario Panhispánico de Dudas" da
Real Academia Española.
– quanto a frol*, trata-se de um arcaísmo português: a forma Frol de la Mar parece, portanto, um
nome híbrido, a ilustrar bem a situação de contacto entre português e
castelhano em Portugal, no século XVI.
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* A nau era também conhecida por "Frol de la Mar"
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