Imagine-se uma sondagem para perguntar aos portugueses se devia reduzir-se a carga fiscal para metade. Sem ser especialista em matéria nenhuma relacionada com o problema, tenho a certeza que a maioria diria sim—eventualmente falaria, não em metade, mas num terço ou menos. É caricato falar nisto, não é? Pois li agora mesmo, no "Expresso" on line, que uma sondagem Expresso/SIC/Eurosondagem revelou haver 61,1% de portugueses (sondados) contra a intenção do Governo de diminuir quatro mil milhões de euros na despesa e 31,6% a favor da referida redução.
Sabem o que acho? Os portugueses fazem um povo melhor que os suecos, os noruegueses, ou os suíços. Numa conjuntura de aflição, em que corte de despesa significa mais sacrifícios, ainda há 31,6% de compatriotas a favor da redução da despesa. Esperava-se menor civismo? Eu esperava. Mas aí está o resultado da sondagem—esperava mal; enganei-me!
O título do artigo é "Portugueses contra os cortes de quatro mil milhões", donde
se conclui ser intenção do jornal mostrar a impopularidade do corte. E é, de
facto, impopular. Mas o título, como tal, é um flop. Se a ideia era surpreender, eu daria outro à peça: "Um terço dos
portugueses a favor dos cortes de quatro mil milhões". Esse faria cacha ou
furo; ou mais que furo: buraco, poço, abismo. Assim ficou chocho.
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