No filme "No Dia Em Que A Terra Parou", do realizador
Scott Derrickson, a páginas tantas, uma personagem, comentando a morte do
marido, diz que as coisas no universo acontecem por acaso. É o tipo de afirmação
que choca com a religião e com a ciência por razões óbvias. Se há um ser
inteligente ao comando, ou se esse ser fez as coisas com um plano evolutivo,
nada acontece ao acaso. O estudo científico do universo, por outro lado, mostra
que as coisas acontecem segundo as leis da Cosmologia, da Física, da Biologia e
por aí fora e não aleatoriamente.
Poderia dizer-se que o universo se comporta de forma
indiferente. A morte do marido da personagem do filme referido é indiferente às
leis da Cosmologia, da Física, da Biologia, etc. Tal forma de encarar as
coisas, para a ciência não aquece nem arrefece; a ciência até acha que é mesmo
assim—há uma conjugação de circunstâncias em que o desfecho é previsível e
fatal. Para a religião, não.
Cientificamente há determinismo na evolução dos fenómenos
cósmicos, o que não acontece na religião—uma espiga. E é espiga porque o
determinismo científico esbate a responsabilidade moral, inseparável da
religião. O toxicodependente tem o vício programado nos cromossomas, ou o
serial-killer, ou o pilha-galinhas? Se têm, estão perdoados porque as leis
cósmicas são indiferentes à valorização moral do comportamento.
Não é de pouca monta tal problema. De cada ponto de vista
se tiram ilações para a organização social. Como funciona a cabeça dum
penalista em face da questão? Sem formação jurídica, não sei. Espero que o
penalista saiba. Sobretudo que cada um não se comporte como inspirado e improvisador solista de concerto de Jazz.
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