O oráculo da Praia do Vau escreve hoje no "Diário de Notícias", Graças a Deus. Que saudades!... Desde ontem que não falava dele! Escreve sobre a Senhora Thatcher e começa por lembrar que faleceu ao fim de uma longa doença que a inutilizou psiquicamente. É mau e infelizmente não é raro, como já percebemos.
Mas Mrs Thatcher, com todos os seus defeitos, incluso ser responsável pela política "que conduziu à crise terrível em que a Europa se encontra hoje", "era muito simpática e gostava dos socialistas estrangeiros, como François Mitterrand, Helmut Schmidt, Felipe González e eu próprio"—não eu, mas o Dr. Soares, está claro. Todas as manhãs pensava nele, quando lavava os dentes.
E, como argutamente nota o oráculo, "Thatcher sempre foi contrária
a uma política europeia, que fosse além do livre-câmbio e tivesse um sentido
político, de solidariedade e igualdade entre os Estados membros. E sempre foi
contrária ao euro como moeda única". É verdade! Era bem esperta,
acrescento: já previa o descalabro que aí viria e veio.
Um dia, Mrs Thatcher reuniu-se com o Dr. Soares na
embaixada de Sua Majestade em Moscovo, num bunker,
onde conversaram, sem perigo dos microfones soviéticos... As reticências são do
Dr. Soares e a gente percebe-as: era o equilíbrio político mundial que estava ali
a decidir-se e isso são matérias que se enterram com os grande líderes—a parte
inglesa da conversa irá a enterrar na próxima Quarta-Feira.
Mas o Dr. Soares fecha com chave de ouro—aliás como faz
tudo, compreendendo também o abrir, até a boca. Diz assim: "Elogiar
politicamente Margareth Thatcher é um mau sinal para a Europa que, a
prosseguir, nos pode levar a um desastre de consequências imprevisíveis. Mas
acredito que virá aí, proximamente, um novo ciclo político que acabe com a
austeridade que nos tem causado tanto mal. E a verdade é que os Estados
compreenderão que não são as troikas que mandam. E que quando não há dinheiro
não se paga, como os países da América Latina nos ensinaram. O exemplo da
Argentina é, nesse aspeto, paradigmático."
É caso para dizer que quem não tem dinheiro, não tem
vícios e, se tem vícios e não tem dinheiro, faz como a Argentina, exemplo
paradigmático do caloteiro, e não paga. Que fiz eu, Meu Deus, para merecer ter
nascido neste berço dos barões assinalados
que, da ocidental praia Lusitana, por mares nunca de antes navegados passaram
ainda além da Taprobana? Nada, a bem dizer! Sou um bafejado pela sorte!
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