sábado, 13 de abril de 2013

PEQUENO E GRANDE: TUDO A MESMA COISA


O físico atómico é muitas vezes olhado como personagem de comédia, cabelos compridos e desgrenhados, fato amarrotado, comportamento distraído e esotérico, conversa fora de contexto. Para completar o perfil, não é raro preocupar-se com as implicações filosóficas das investigações e usar linguagem impenetrável para o mortal comum. É frequentemente respeitado e ridicularizado no mesmo tempo. A Física Atómica, além de permitir construir bombas e geradores de electricidade, servirá para pouco mais; assim pensa o cidadão do fato cinzento.
Na verdade, nada mais errado. Dando de barato que as implicações filosóficas do conhecimento da Física Atómica são jogos florais sem utilidade, há hoje um sem número de aplicações práticas de tal disciplina que o homem comum não conhece, ou de que não se apercebe.
Na Medicina, a tecnologia baseada na Física Atómica é de uso diário, silenciosa mas importante: na prática da Imagiologia e da Medicina Nuclear com fins de diagnóstico, e na terapêutica com radiações e isótopos radioactivos, por exemplo. Vêm depois os detectores de fumo, de fissuras nas construções e plataformas, os supercomputadores, a compreensão dos fenómenos astrofísicos da Cosmologia, em que os físicos quânticos têm a liderança, e por aí fora.
Mas, contrariamente ao que penso ser a opinião geral, e sem querer ser cabotino, acho que a maior contribuição de gente como Bertrand Russel, Stephen Hawking, Lisa Randall, Steven Weinberg e Brian Greene, para referir apenas os que conheço melhor—não estou a dizer bem—são as implicações filosóficas dos seus trabalhos: não só as extraídas pelos próprios, como também as deduzidas por terceiros. Afinal, a Filosofia é a tentativa de nos conhecermos e de perceber o mundo em que estamos. Todo. E só vamos lá começando pelo princípio, ou seja, pelo infinitamente pequeno. Quanto mais conhecermos do quark e dos leptões, melhor compreendemos o universo e nós próprios.
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