O físico atómico é muitas vezes olhado como personagem
de comédia, cabelos compridos e desgrenhados, fato amarrotado, comportamento
distraído e esotérico, conversa fora de contexto. Para completar o perfil, não é raro preocupar-se com as implicações filosóficas das investigações e usar linguagem impenetrável para o mortal comum. É frequentemente respeitado e
ridicularizado no mesmo tempo. A Física Atómica, além de permitir construir
bombas e geradores de electricidade, servirá para pouco mais; assim pensa o
cidadão do fato cinzento.
Na verdade, nada mais errado. Dando de barato que as
implicações filosóficas do conhecimento da Física Atómica são jogos florais sem
utilidade, há hoje um sem número de aplicações práticas de tal disciplina que o
homem comum não conhece, ou de que não se apercebe.
Na Medicina, a tecnologia baseada na Física Atómica é de
uso diário, silenciosa mas importante: na prática da Imagiologia e da
Medicina Nuclear com fins de diagnóstico, e na terapêutica com radiações e
isótopos radioactivos, por exemplo. Vêm depois os detectores de fumo, de
fissuras nas construções e plataformas, os supercomputadores, a compreensão dos
fenómenos astrofísicos da Cosmologia, em que os físicos quânticos têm a
liderança, e por aí fora.
Mas, contrariamente ao que penso ser a opinião geral, e
sem querer ser cabotino, acho que a maior contribuição de gente como Bertrand
Russel, Stephen Hawking, Lisa Randall, Steven Weinberg e Brian Greene, para
referir apenas os que conheço melhor—não estou a dizer bem—são as implicações
filosóficas dos seus trabalhos: não só as extraídas pelos próprios, como também
as deduzidas por terceiros. Afinal, a Filosofia é a tentativa de nos
conhecermos e de perceber o mundo em que estamos. Todo. E só vamos lá começando pelo princípio, ou seja, pelo infinitamente pequeno. Quanto mais conhecermos do quark e dos leptões, melhor compreendemos o universo e nós próprios.
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