Falava esta tarde, num post que publiquei em baixo, da indiferença dos media perante a declaração de Soares, lembrando Cavaco que, por menos do que ele faz, mataram o Rei D. Carlos.
Ninguém no seu juízo perfeito, sendo jornalista, pode deixar de malhar numa coisa assim, para usar expressão cara a outro socialista. Mas, como constatei, apenas João Pereira Coutinho pegou no bitaite para ridicularizar o autor. E porquê isto? Fácil explicar: porque é politicamente incorrecto malhar no Dr. Soares, pai da democracia que nos governa e que ele quer derrubar, pela violência se for preciso. É a chatice do politicamente correcto que estraga tudo.
Li há dias a conferência que
Alexandre Solienitsyne fez em 8 de Julho de 1978, na Universidade de Harvard ("O
Declínio da Coragem") e onde, a folhas tantas, diz sobre os media o seguinte:
A liberdade sem travões é unicamente para a imprensa e
não para os leitores; uma opinião só será apresentada com um pouco de relevo e
ressonância, se não estiver em grande contradição com as ideias do jornal e com
esta tendência geral da imprensa.
O Ocidente, que não tem uma censura, procede, contudo, a
uma selecção minuciosa, separando as ideias que estão na moda das que o não
estão e, se bem que estas não se encontrem sob a alçada de qualquer interdição,
não se podem exprimir verdadeiramente na imprensa periódica, nem por meio de
livros, ou através do ensino universitário. Blá, blá, blá.
Tal e qual. Qualquer papagaio duma redacção que diga que
o Dr. Soares está xexé, que nunca foi muito fixe e que devia calar-se, ou é
filho ou afilhado do accionista principal do órgão de comunicação, ou vai em
grande velocidade em cima duns patins em linha na direcção do Centro de Emprego
e Formação Profissional mais próximo.
Depois enchem a boca com a liberdade de imprensa e de opinião. E nós? Somos parvos ou quê?
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