O capitão-de-mar-e-guerra Seara, comandante do navio "Sintra"
há 12 anos, chegado ao limite de tempo previsto no regulamento para comandar
a mesma unidade, pretende o comando do navio "Lisboa" e perfilou-se
para assumir o dito. Eis senão quando, um impertinente juiz de um
ainda mais impertinente tribunal, vem dizer que não pode. Que está a tentar entrar pela janela do navio
quando os regulamentos dizem que não pode entrar pela porta.
Seara não se conforma. Comandante de navio por opção e profissão, Seara não sabe fazer mais nada, sem que isso signifique que sabe comandar navios—bem pelo contrário. Não sabe, mas gosta, pronto. E gostava de
comandar o navio "Lisboa". Se as coisas corressem de feição, eram
mais doze aninhos de comando, com protagonismo e as mordomias inerentes, anexas
e associadas—muito bom! E com hipóteses futuras de Cascais, Loures e Amadora,
no mínimo.
Então, reclama junto do tribunal que lhe quer travar o
passo, mas este insiste: não pode entrar pela janela se o regulamento não deixa
entrar pela porta. Seara não desarma e, isaltinamente, diz que recorrerá para a
Relação, para o Supremo, para o Constitucional, para o Europeu, para a ONU,
para o Interestelar, para o Intergaláctico, para o Juízo Final.
Seara é uma ternura. Com obra feita em Sintra, não pode
parar agora de obrar. Seara quer obrar em Lisboa. O problema de Seara é que o
juiz do Tribunal Cível está a "obrar-se" pra ele.
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