sábado, 18 de maio de 2013

CIÊNCIA À MARTELADA

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De todas as eras com alterações climáticas, o período de aquecimento medieval—de 900 a 1280 AD—foi generosamente quente e fértil. A Gronelândia, agora inabitável, permitiu que os Vikings ali se instalassem, cultivassem cereais e criassem gado. Foi tempo em que as uvas cresciam nalgumas partes da Inglaterra, onde dificilmente sobrevivem hoje. Mas não foi só no Norte da Europa que tal aconteceu. Há evidência de que o mesmo ocorreu na China, Japão e na África, América do Norte e do Sul. E, tanto quanto é possível avaliar duma época em que não havia termómetros—baseados  no que conhecemos da vegetação e dos hábitos de então—as temperaturas eram significativamente mais altas que as actuais. Assim referiram eminentes cientistas, incluindo o Prof. H. Lamb, primeiro director da Climatic Research Unit  (CRU), da Universidade de East Anglia, no livro clássico "Climate, History and the Modern World".
Recordo que a CRU mencionada, dirigida pelo Prof. Phil Jones,  esteve recentemente envolvida no escândalo conhecido por "Climategate", em que uma fuga de informação em e-mails revelou haver manipulação de dados para forçar a tese do aquecimento actual provocado por actividade humana. Os envolvidos no escândalo não é gente céptica em relação ao problema do aquecimento global—pelo contrário, acreditam nele com muita fé provavelmente, e por isso acham lícito escamotear dados das observações, eventualmente utilizáveis contra eles pelos detractores, ou usar dados de forma enviesada para concluir com o inconcludente. Cientistas a comportarem-se como activistas políticos é matéria grave, fora de todas as normas da ética e à margem da natureza da ciência. Por exemplo, na ausência de gráficos termométricos de tempos antigos, usam a técnica do estudo dos anéis dos troncos das árvores para estimar as temperaturas. Só que isso é altamente falível, pois o crescimento da árvore não depende apenas da temperatura, sendo influenciado por outros factores ambientais, como o regime das chuvas, as doenças parasitárias, as condições de exposição ao Sol, a abundância de CO2 que respiram e por aí fora, factores que são lamentavelmente "esquecidos", ou ignorados.
Num livro intitulado "On Being a Scientist", editado pela Academia Nacional das Ciências dos Estados Unidos,  pode ler-se o seguinte:
Os investigadores que manipulam os seus dados de forma a enganar outros, mesmo que a manipulação pareça insignificante no tempo em que é feita, estão a violar os valores básicos e amplamente aceites pelos padrões profissionais da ciência. Os investigadores tiram conclusões baseados nas suas observações da natureza. Se os dados são alterados, para dar ao caso mais força do que tem, os cientistas desrespeitam três obrigações referidas no princípio deste guia. Enganam os colegas e, potencialmente, impedem o progresso naquela área de investigação. Minam a sua autoridade  e credibilidade como investigadores. E introduzem informação nos registos científicos que pode causar dano a toda a sociedade, como quando o risco de um tratamento médico é intencionalmente subestimado.
Dilingpole, diz no livro "Watermelons—The Green's Movement True Colors" que o mais grave é que os investigadores do "Climategate" têm muito poder. Os homens que surgem nos e-mails e parecem fedelhos a enviar lixo de Trieste para o Hawai, para a Finlândia, Veneza, ou Tanzânia, não é gente com quem se goste de jantar, mas não podem ser ignorados porque somos agarrados e espremidos em partes anatómicas sensíveis pelas suas mãos.
Notas—i) O texto em cima é um apanhado tosco de parte do livro de James Dilingpole, "Watermelons—"The Green's Movement True Color's" ontem aqui citado. ii) A fotografia à direita é do Prof. Phil Jones, de East Anglia, referido no texto.
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