Não sei bem como é nos outros países, mas deve ser
parecido com a portuguesa maneira de ser, optar e agir: aquele é do PS pela
mesma razão que se é do Sporting; o outro é do PSD pela mesma razão que se é do
Benfica; o terceiro é do CDS pela mesma razão que se é do Belenenses, blá, blá,
blá. Quando o PS, ou o PSD, ganham as eleições, vão para o Marquês
de Pombal manifestar-se, como se se tivessem ganho a Liga Zon Sagres. Na realidade, nem isso ganharam.
E porque é aquele do Sporting, o outro do Benfica, o
outro do Belenenses e por aí fora? Em boa verdade, não há nenhuma explicação
racional: é quase tudo por motivos emocionais, afectivos, familiares,
tradicionais, sociais, culturais—no sentido lato da palavra, aplicada mesmo a massa
bruta humana sem cultura nenhuma—e por aí fora.
A paixão e o clubismo são coisas perigosas—vê-se no
futebol. Levam à violência, ao vandalismo, à estupidez, ou seja, a defender a
estupidez de ser estupidamente estúpido e irracional. Também se vê na política
e aí é ainda mais grave porque se defendem coisas indefensáveis em nome da
solidariedade com partidos que não têm ponta por onde se pegue e causam prejuízo
colectivo.
O ideal seria que cada um tivesse a honesta inteligência e
serenidade de ver as asneiras defendidas e praticadas pela sua facção e
procedesse em conformidade, o que pode resultar em não apoiar ninguém na cena
política. Se são todos maus, nenhum serve. Infelizmente, assiste-se a tal
enquadramento no Portugal do Anno Domini 2013.
Um professor de medicina dizia, em relação à terapêutica
de determinada doença, que todos os tratamentos servem e nenhum presta. No
espectro político nacional da Terceira República, estamos pior: nenhum partido presta e nenhum serve.
Estou daqui a ver Pacheco Pereira, ou António José Saraiva, a abanar a cabeça
se lessem isto—porque não se pode generalizar, porque é mau princípio lançar
labéus sobre a classe política, porque blá, blá, blá. A pergunta é: atura-se a
mediocridade, o interesse, a venalidade, o nepotismo, a intriga baixa, a
impostura, em nome de quê? Em nome da democracia? Qual democracia? Onde está
ela? Nalguns aspectos formais e em bastantes liberdades, a verdade seja dita?
Não chega. Precisamos de competência, compostura, credibilidade, honestidade, espírito sincero e desinteressado de serviço público, e ausência de demagogia, de carreirismo, de
compadrio e ainda de meter um freio, um bridão e uma barbela na maçonaria,
condição esta sine qua non. Depois respiraremos melhor. De certeza!
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