O cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, revelou ter tido pessoalmente dois fortes sinais que Jorge Mario Bergoglio era o "escolhido" para ser Papa. Um, diz não poder revelar. O outro foi assim: no final da missa especial que antecedeu o início do Conclave, encontrou um casal amigo, oriundo da América Latina, a quem terá pedido um conselho. E a mulher segredou-lhe ao ouvido "Bergoglio"; e ele pensou: "Se estas pessoas dizem Bergoglio é uma indicação do Espírito Santo".
Respeito tudo quanto são convicções religiosas e acho que ninguém deve discutir ou pôr em causa a crença das pessoas, desde que não perturbem a ordem pública. Mas considerar que a sugestão do nome de um cardeal argentino para Papa, dada por uma senhora da América Latina, é um sinal do Espírito Santo e declará-lo publicamente revela um nadinha de falta de senso, com estima pela figura do cardeal austríaco.
Ao contrário do que pretende o dignitário católico, possivelmente
provar ao mundo que a eleição do Papa é realizada sob influência sobrenatural,
actos destes não ajudam a tal desiderato—pelo contrário, têm efeito oposto,
incluindo a exposição ao ridículo. A hierarquia religiosa não deve abster-se de
defender as suas convicções publicamente. É mesmo bom que o faça. Há, no
entanto, circunstâncias em que era melhor calar-se, como tem acontecido em
Portugal com alguns conhecidos membros seus que adoram o protagonismo mediático
e não acertam uma—com todo o respeito!
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