O ilusionista do circo, ou o malabarista, ou o aramista, despertam o quê na pessoa? Admiração.
Se nos dizem que os neurónios do cérebro humano, colocados todos na mesma
linha, cobrem a distância de Londres a Berlim, superior a mil quilómetros, o
que sentimos? Admiração, naturalmente. Se olhamos para o firmamento à noite e
vemos todas as estrelas, nebulosas, galáxias e por aí fora, e nos dizem que
aquilo vai até à distância de quase 14 mil milhões de anos/luz, pelo menos,
caímos de cauda, admirados.
E, admirados, o que fazemos? Curiosamente, duas ou três
coisas: militamos numa religião, procuramos explicar cientificamente os fenómenos
dentro da nossa limitação, ou exprimimos sentimentos sob várias formas, a que
genericamente chamamos arte.
É verdade! As pinturas de leões nas paredes da Cave
Chauvet, em Ardèche, na França, não são mais que admiração pelos leões
registada pelo homem pré-histórico na sua melhor forma de arte. E o Livro do
Génesis é a expressão genuína da admiração pelo mundo. E a lei da gravitação
universal de Newton, é fruto da admiração pela maravilhosa organização dos
astros e sua mecânica no espaço celeste.
Digamos que a admiração move o homem, mas não é exclusiva
dele. Por exemplo, a primatologista Jane Goodall observou, em várias ocasiões,
chimpanzés com gestos e atitudes de admiração perante quedas de água com forma
invulgar. A diferença é que o chimpanzé observa e por aí se fica e o homem
acciona o encéfalo, mete a primeira e arranca. A arte, a ciência e a religião,
como fruto da admiração, são a expressão da superioridade intelectual do Homo
sapiens.
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(A figura—extraordinária—é uma pintura da Cave Chauvet)
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