sexta-feira, 12 de julho de 2013

ADMIRAR E CRIAR

.

O ilusionista do circo, ou o malabarista, ou o aramista, despertam o quê na pessoa? Admiração.  Se nos dizem que os neurónios do cérebro humano, colocados todos na mesma linha, cobrem a distância de Londres a Berlim, superior a mil quilómetros, o que sentimos? Admiração, naturalmente. Se olhamos para o firmamento à noite e vemos todas as estrelas, nebulosas, galáxias e por aí fora, e nos dizem que aquilo vai até à distância de quase 14 mil milhões de anos/luz, pelo menos, caímos de cauda, admirados.
E, admirados, o que fazemos? Curiosamente, duas ou três coisas: militamos numa religião, procuramos explicar cientificamente os fenómenos dentro da nossa limitação, ou exprimimos sentimentos sob várias formas, a que genericamente chamamos arte.
É verdade! As pinturas de leões nas paredes da Cave Chauvet, em Ardèche, na França, não são mais que admiração pelos leões registada pelo homem pré-histórico na sua melhor forma de arte. E o Livro do Génesis é a expressão genuína da admiração pelo mundo. E a lei da gravitação universal de Newton, é fruto da admiração pela maravilhosa organização dos astros e sua mecânica no espaço celeste.
Digamos que a admiração move o homem, mas não é exclusiva dele. Por exemplo, a primatologista Jane Goodall observou, em várias ocasiões, chimpanzés com gestos e atitudes de admiração perante quedas de água com forma invulgar. A diferença é que o chimpanzé observa e por aí se fica e o homem acciona o encéfalo, mete a primeira e arranca. A arte, a ciência e a religião, como fruto da admiração, são a expressão da superioridade intelectual do Homo sapiens.
.
(A figura—extraordináriaé uma pintura da Cave Chauvet)
.

Sem comentários:

Enviar um comentário