O Professor Myles Allen é um respeitado ambientalista britânico
e, pelo que se diz adiante, parece homem com grande senso prático. Num
artigo publicado no dia 14 passado, no "Mail Online", considera que os
últimos dados registados mostram não se ter verificado o ritmo acelerado que as projecções científicas previam para o aquecimento global, significando isto que as políticas actuais de condicionamento das emissões de carbono para a atmosfera
podem ser moderadas e menos violentas, até porque têm custos económicos
enormes e o sucesso daí decorrente não é de nenhum modo estimulante.
Diz quase a abrir o seguinte: Acham que penso estarmos condenados
inapelavelmente a um aquecimento desastroso? Não; absolutamente. Mas penso que estamos condenados, se persistimos
com as actuais políticas ambientais—além de ineficazes, são economicamente
ruinosas. Desde o Acordo de Kyoto, em 1977, 90% das medidas adoptadas no mundo para
reduzir as emissões de carbono revelaram-se um desperdício inútil de tempo e
dinheiro, incluindo os parques eólicos, as taxas de carbono e essa coisa
bizantina dos sistemas comerciais das taxas. Desde Kyoto, há 36 anos, as
emissões mundiais aumentaram 40%, apesar dos prejuízos económicos resultantes da
aplicação das medidas ali acordadas. Por outro lado, a diminuição de algumas
actividades industriais em países mais evoluídos da Europa e América são compensadas
por importações de regiões como a China, Índia e outras, com muito menor
eficiência energética e maior poluição ambiental, do que resulta que tal
diminuição, a nível planetário, é contraproducente. Além de ser discutível se é legítimo dizer à Índia, à China e a outras nações menos industrializadas, que não podem queimar combustíveis fósseis para melhorar as suas condições económicas e sociais, porque é necessário preservar o ambiente, incluindo
o dos países que o poluíram previamente.
A solução mais sensata, de acordo com o Professor Allen,
consiste neste momento em devolver ao solo o carbono de lá extraído. É perfeitamente
possível, segundo diz, filtrar o dióxido de carbono dos gases industriais,
pressurizá-lo e devolvê-lo ao subsolo. Quem queima gasolina no seu automóvel, ou
viaja de avião, tem de pagar a quem faz o trabalho de sequestrar e inumar o
carbono com que contamina o ar. Fica mais barato e é mais útil que o panorama horroroso
das ventoínhas dos parques eólicos e outro folclore do mesmo género, pouco eficiente e também ambientalmente discutível.
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