Alegadamente, Kafka terá dito, ou escrito, qualquer coisa
como isto: "Vida significa ter fim", ou "O sentido da vida é que
acaba" ou, de forma mais livre, "O que caracteriza a vida é ter
fim" (em inglês a expressão é The
meaning of life is that it stops e em alemão nem cito porque acho
que não ajuda muita gente—a mim nada).
Em boa verdade, não se percebe o que Kafka queria dizer,
se disse tal—há dúvidas sobre isso e em que condições o terá feito,
eventualmente em estado de depressão profunda. Há interpretações rebuscadas.
Por exemplo, Santo Agostinho dizia que o significado
ou sentido da vida era servir Deus e desfrutá-Lo, e que, se não há Deus para a
pessoa, não há sentido ou objectivo e, portanto, a vida acaba com a morte.
Seria essa a visão de Kafka, pouco virado para Deus.
Diz-se também que a intenção de Kafka seria que a vida
tem sentido porque tem fim e não dura sempre, mais ou menos outra maneira de
dizer o que não me lembro quem disse: "A vida tem sentido porque tem
fim".
Na realidade, variações sobre o tema seguramente mais
importante de todos para o homem, o único ser vivo que sabe que vai morrer: viemos do nada e voltamos ao nada, ou viemos do nada para
viver duas vidas, uma antes e outra depois da morte, o que dito assim soa a
absurdo?
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