Há pouco tempo, recebi na caixa de correio electrónico
uma mensagem assinada por um colega, dizendo-me que estava na Tailândia, tinha
sido assaltado e depenado, e estava sem dinheiro. Pedia-me para lhe enviar uma
quantia cujo montante não recordo—não era muito—e deixava instruções sobre como
proceder, através da "Western Union", se bem me lembro.
Tratava-me e assinava da forma que é habitual e, segundo recordo, fazia referência a um facto
real que nos dizia respeito. Estranhamente, o texto estava redigido em inglês.
Era uma aldrabice careca!
Não liguei ao assunto e, mais tarde, quando o encontrei, contei-lhe a história. Tinha sido vítima de hackers da África do Sul que, além de se apoderarem do seu livro de endereços, tiveram acesso a algumas mensagens, eventualmente traduzidas para inglês pelo Google e, daí, a referência a factos reais.
Não liguei ao assunto e, mais tarde, quando o encontrei, contei-lhe a história. Tinha sido vítima de hackers da África do Sul que, além de se apoderarem do seu livro de endereços, tiveram acesso a algumas mensagens, eventualmente traduzidas para inglês pelo Google e, daí, a referência a factos reais.
Dir-se-á que enquanto os aldrabões forem tão primários,
podemos bem com eles. É verdade, mas o crime compensa mesmo assim. De acordo
com um estudo económico de 2012 sobre o spam, este rende aos trapalhões cerca
de 200 milhões de dólares por ano. E porquê? Porque, espantosamente, são
enviadas 100 mil milhões de mensagens de spam todos os dia e, com tanta abundância, como
diria Alegre, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não, mas também
há sempre alguém que cai na esparrela, mesmo gente prevenida.
Digo-o com conhecimento porque já caí numa. Um dia, tive
um problema com a ligação para o homebanking e dirigi-me ao Banco telefonicamente
por tal razão. Como me disseram que iam ver o que se passava e depois me diriam
alguma coisa, esperei. Nesse mesmo dia à tarde, recebo um mail, alegadamente do
Banco, a pedir-me informações, que forneci. Passadas horas, vejo na Net que os
clientes daquele Banco estavam a ser vítimas de tentativas de phishing. Voltei
a telefonar e constatei ter sido vítima de trapalhões que mais tarde se
veio a saber serem brasileiros. Felizmente, não me comeram nada, talvez por
falta de tempo. E aqui está uma das razões porque, no meio de 100 mil milhões
de mensagens de spam por dia, há sempre alguém que se espalha.
Quando surge uma mensagem do género, mesmo sendo de
pessoa da família que está no estrangeiro, nunca fazer nada sem contactar essa
pessoa por sms ou telefonema para confirmar. Habitualmente, as vítimas são avós
pouco familiarizados com a Internet que tentam ajudar netos a viajar ou a viver
no estrangeiro e daí o nome internacional do fenómeno de grandparent scam, classicamente com origem na Nigéria—nigerian grandparent scam.
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