Thomas Jefferson foi o terceiro Presidente dos Estados
Unidos e o principal autor da Declaração de Independência daquele País. Além de
político, era um intelectual, com interesse em múltiplas disciplinas, incluindo
a religião. Sendo crente, talvez até cristão, mantinha muitas dúvidas sobre a História
do Cristianismo, em especial sobre a chamada actualmente hierarquia e sobre a
genuinidade de passagens do Novo Testamento. Chegou mesmo a escrever uma versão
"depurada" do Novo Testamento.
Quando o Presidente Kennedy reuniu 49 laureados com o Prémio Nobel, em 1962,
disse na altura: "Acredito que esta é a mais extraordinária reunião de
talento e conhecimento humano que já foi reunida na Casa Branca – com a
possível exceção de quando Thomas Jefferson jantava aqui sozinho."
O que me faz trazer hoje Jefferson ao blog são algumas
citações suas sobre religião.
Concorde-se ou não com ele, vale a pena pensar no que escreveu. Encontra
o leitor a fonte das citações e a sua origem aqui.
Milhões de homens, mulheres e crianças inocentes foram
queimados, torturados, penalizados e presos, desde a introdução do Cristianismo;
contudo, com isso, não avançámos nada no sentido da igualdade.
Não me afecta que o meu vizinho diga que há vinte deuses, ou Deus nenhum. Não
me vai ao bolso, nem me quebra uma perna.
Que é que não se consegue fazer um homem acreditar?
Questiona com firmeza, mesmo a existência de Deus;
porque, se existe um, deve aprovar mais o uso da razão que a crença cega pelo
medo.
Nunca submeti as minhas convicções ao credo de um grupo
de homens, fosse na Filosofia, na Política, ou no quer que fosse em que seja
capaz de pensar por mim. Tal submissão é a última degradação da liberdade e da
moral.
Os clérigos pensam que o poder que me foi confiado será
exercido em oposição a eles e aos seus esquemas. E pensam bem; porque jurei,
perante o altar de Deus, hostilidade eterna a toda a forma de tirania sobre a
mente do homem. É o que têm de recear em mim: é bastante, na opinião deles.
A história dos evangelhos é tão imperfeita e duvidosa que
se torna vão gastar um minuto com ela: foram praticadas tais distorções com os
seus textos, e com os textos de livros com eles relacionados, que temos boas
razões para manter dúvidas sobre quais as partes que são genuínas. No Novo
Testamento, há indícios nítidos de
partes originárias de um homem extraordinário; mas outras são fruto de mentes
inferiores. É tão fácil distinguir essas partes, como separar diamantes do
lixo.
Em todas as nações e em todos os tempos, o sacerdote foi
hostil à liberdade. Está sempre aliado ao déspota, apoiando os seus abusos em paga
da sua protecção.
A minha opinião é de que nunca haveria um infiel, se não
houvesse um sacerdote. As estruturas que construíram nos sistemas morais mais
puros, com o propósito de obter benesses e poder, revoltam os que pensam pela
sua cabeça e percebem naquelas estruturas o que realmente são.
Os sacerdotes receiam o avanço da ciência, como as
feiticeiras a luz do dia, e hostilizam-na de forma violenta pela subversão das teorias que elaboraram.
Entre as palavras atribuídas a Jesus pelos seus
biógrafos, encontro passagens de fina imaginação, correcção moral e da mais
adorável benevolência; e outras, de tanta ignorância, de tanta mentira,
charlatanismo e impostura, que considero impossível que tais contradições venham do mesmo ser.
Há 50 ou 60 anos li o Apocalipse, que considerei
meramente o delírio de um maníaco, sem mais explicação que a incoerência dos
nossos sonhos nocturnos.
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