Já por duas
vezes—pelo menos—referi a peça de Bertrand Russell, "Why I Am Not
a Christian". Hoje recorto um fragmento que me parece digno de reflexão,
pedindo desculpa pelo dano que a minha tradução lhe causou. Diz assim:
[...] Há um defeito
sério, quanto a mim, no carácter moral de Cristo, que é o facto de Ele
acreditar no Inferno. Sinto que ninguém profundamente humano pode acreditar no
castigo eterno. Cristo, a avaliar pelos Evangelhos, acreditava; e encontra-se
frequentemente alguma fúria vingativa contra os que não ouviam as suas
prédicas—atitude que não é rara entre pregadores e não constitui excelência
superlativa. Não encontro, por exemplo, tal atitude em Sócrates, brando e
urbano com os que não lhe davam ouvidos; e, em minha opinião, é bastante mais
inteligente essa conduta que a da indignação. Recordais provavelmente o género
de coisas que Sócrates disse quando morreu e dizia às pessoas que não
concordavam com ele. [...]
Não sou versado
em estudos bíblicos, mas lembro passagens que Russell também cita, como a de
"Vós serpentes, vós geração de víboras, como podeis escapar à danação do
Inferno?" Confesso que é linguagem um nadinha forte para a minha
sensibilidade. Seguramente, o defeito é meu. E seria também de Russell.
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