O dinheiro tem um valor facial e isso é que interessa. Uma
nota de 20 euros velha, amarrotada e suja vale tanto como uma nota nova do
mesmo valor acabada de sair da máquina do Multibanco, ainda quente, como um
pãozinho a sair do forno. É isto verdade? Não é!...
Na prática, as coisas funcionam de maneira diferente.
Gastam-se mais depressa 100 euros em notas de 20 que numa nota só. E, em
qualquer dos casos, gasta-se mais depressa o dinheiro se as notas são velhas.
Não são afirmações gratuitas. Foram estudadas com critério científico por
investigadores do Canadá especializados em marketing e os resultados publicados
no "Journal of Consumer Research".
A número significativo de "cobaias" humanas foram passadas
algumas "rasteiras". Por exemplo, depois de participarem num jogo onde
ganhavam quase sempre 10 dólares, era-lhes proposto arriscar essa quantia numa
partida tipo moeda ao ar. Se ganhassem, recebiam 20 dólares, em vez dos 10. Se
perdessem, adeus dinheiro. Quando se lhes mostrava uma nota de 20 dólares novinha
e ainda a "estalar", quase todos arriscavam. Se a nota fosse velha,
não jogavam.
Noutro teste, eram-lhes dados 20 dólares, com obrigação de comprar qualquer
coisa—o que quisessem—numa feira ou coisa parecida. Os que tinham notas novas
compravam muito menos que os possuidores de notas velhas; e, quanto menor fosse o valor das notas, mais
gastavam.
A natureza humana é complicada, toda a gente já percebeu.
Os encéfalos funcionam regularmente, mas ainda têm muitos neurónios a patinar.
Por exemplo, outro estudo mostra que a forma como é apreciada a música clássica
é influenciada pela pose e comportamento dos artistas. Não estou a falar de
simples amadores da música; refiro-me a pessoas ditas especializadas que integram
júris de concursos.
Também a esses foi passada uma rasteira, pedindo-lhes
para classificarem desempenhos com imagens e sem imagens e os resultados
mostram claramente que a observação do artista—ou dos artistas—a actuar tem importância
inegável na avaliação.
Vivemos no mundo da relatividade de Einstein, campo
fértil para essa espécie daninha chamada cabotino. Não é muito
grave. É só preciso estar atento.
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