quinta-feira, 5 de setembro de 2013

COMO OS NEURÓNIOS PATINAM

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O dinheiro tem um valor facial e isso é que interessa. Uma nota de 20 euros velha, amarrotada e suja vale tanto como uma nota nova do mesmo valor acabada de sair da máquina do Multibanco, ainda quente, como um pãozinho a sair do forno. É isto verdade? Não é!...
Na prática, as coisas funcionam de maneira diferente. Gastam-se mais depressa 100 euros em notas de 20 que numa nota só. E, em qualquer dos casos, gasta-se mais depressa o dinheiro se as notas são velhas. Não são afirmações gratuitas. Foram estudadas com critério científico por investigadores do Canadá especializados em marketing e os resultados publicados no "Journal of Consumer Research".
A número significativo de  "cobaias" humanas foram passadas algumas "rasteiras". Por exemplo, depois de participarem num jogo onde ganhavam quase sempre 10 dólares, era-lhes proposto arriscar essa quantia numa partida tipo moeda ao ar. Se ganhassem, recebiam 20 dólares, em vez dos 10. Se perdessem, adeus dinheiro. Quando se lhes mostrava uma nota de 20 dólares novinha e ainda a "estalar", quase todos arriscavam. Se a nota fosse velha, não jogavam.
Noutro teste, eram-lhes dados  20 dólares, com obrigação de comprar qualquer coisa—o que quisessem—numa feira ou coisa parecida. Os que tinham notas novas compravam muito menos que os possuidores de notas velhas;  e, quanto menor fosse o valor das notas, mais gastavam.
A natureza humana é complicada, toda a gente já percebeu. Os encéfalos funcionam regularmente, mas ainda têm muitos neurónios a patinar. Por exemplo, outro estudo mostra que a forma como é apreciada a música clássica é influenciada pela pose e comportamento dos artistas. Não estou a falar de simples amadores da música; refiro-me a pessoas ditas especializadas que integram júris de concursos.
Também a esses foi passada uma rasteira, pedindo-lhes para classificarem desempenhos com imagens e sem imagens e os resultados mostram claramente que a observação do artista—ou dos artistas—a actuar tem importância inegável na avaliação.
Vivemos no mundo da relatividade de Einstein, campo fértil para essa espécie daninha chamada cabotino. Não é muito grave. É só preciso  estar atento.
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