sábado, 7 de setembro de 2013

JOYCE, PROUST E A OBSTIPAÇÃO

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Ler ou não ler, quando sentado na sanita? Parece a pergunta inconveniente, mas os sanitários são lugares frequentados por todos—pelo rei e pelo vassalo. Merecem a atenção da comunidade científica. Podem evitar-se muitas situações, mas a essa ninguém escapa e, consequentemente, deve ser estudada.  Assim pensaram médicos israelitas que realizaram uma investigação em 500 adultos, cujos resultados foram publicados na revista "Neurogastroenterology & Motility".
Em boa verdade, os autores partiram da hipótese que a leitura seria útil em tais circunstâncias, admitindo que Marcel Proust ou James Joyce ajudariam os obstipados, prevenindo a hemorróida e a diverticulose intestinal. Aliás, em linha com Lord Chesterfield que, em carta a seu filho, falava de um homem, bom gestor do tempo, incluindo o passado nas instalações sanitárias, durante o qual lia os poetas latinos. Por exemplo, escrevia ele, comprava uma edição de Horácio de onde ia tirando páginas que levava consigo para esse lugar solitário, onde a vaidade se apaga e todo o cobarde faz força. E, depois de ler, não perdiam as folhas a utilidade, servindo propósito higiénico, antes de serem enviadas ao seu destino pelo autoclismo.
Mas, infelizmente, o inspirado estudo israelita saiu inconclusivo. Há indícios de sim e indícios de não. Depois de ler o protocolo do ensaio, e aqui queria chegar, constato que há enorme falha metodológica: não é dito o que liam os incluídos no estudo. Naturalmente que não é indiferente ler isto ou aquilo. Há autores obstipantes e autores  laxantes, melhores que o óleo de rícino. Conheço os dois géneros—muito bem!
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