Ler ou não ler, quando sentado na sanita? Parece a
pergunta inconveniente, mas os sanitários são lugares frequentados por todos—pelo
rei e pelo vassalo. Merecem a atenção da comunidade científica. Podem evitar-se
muitas situações, mas a essa ninguém escapa e, consequentemente, deve ser
estudada. Assim pensaram médicos
israelitas que realizaram uma investigação em 500 adultos, cujos resultados foram
publicados na revista "Neurogastroenterology
& Motility".
Em boa verdade, os autores partiram da hipótese que a
leitura seria útil em tais circunstâncias, admitindo que Marcel Proust ou James
Joyce ajudariam os obstipados, prevenindo a hemorróida e a diverticulose
intestinal. Aliás, em linha com Lord Chesterfield que, em carta a seu filho,
falava de um homem, bom gestor do tempo, incluindo o passado nas instalações
sanitárias, durante o qual lia os poetas latinos. Por exemplo, escrevia ele,
comprava uma edição de Horácio de onde ia tirando páginas que levava consigo
para esse lugar solitário, onde a vaidade se apaga e todo o cobarde faz força. E,
depois de ler, não perdiam as folhas a utilidade, servindo propósito higiénico,
antes de serem enviadas ao seu destino pelo autoclismo.
Mas, infelizmente, o inspirado estudo israelita saiu
inconclusivo. Há indícios de sim e indícios de não. Depois de ler o protocolo
do ensaio, e aqui queria chegar, constato que há enorme falha metodológica: não
é dito o que liam os incluídos no estudo. Naturalmente que não é indiferente
ler isto ou aquilo. Há autores obstipantes e autores laxantes, melhores que o óleo de rícino.
Conheço os dois géneros—muito bem!
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