O que se passa depois da morte e como são exactamente os
locais para onde vão os mortais depois de passarem a imortais, não é conhecido. Mas, em 1972, um anónimo—muito provavelmente com pouco que fazer—publicou
uma carta ao editor na revista "Applied Optics" em que tenta reconstituir esses
locais a partir de fontes fidedignas, de acordo com as suas palavras, ou seja a
Bíblia.
Segundo ele, a Lua brilha no Paraíso como o Sol na Terra.
E a intensidade da radiação solar é 49 vezes superior à observada na Terra. Tudo somado, conclui que no Paraíso o Sol é 50 vezes
mais forte pelo que, aplicando a lei de Stefan-Boltzmann,
a temperatura deve rondar os 525º C.
Quanto ao Inferno, o Livro do Apocalipse diz que as almas
condenadas vivem num mar de enxofre em chamas. Sendo o ponto de ebulição do
enxofre de 444,61º C, temperatura a partir da qual passa ao estado gasoso,
parece que o calor ali é menor que no Paraíso.
Mas, em 1979, o "Journal of Irreproducible
Results" veio dizer que não é assim porque o ponto de ebulição
depende da pressão e o Inferno é um local restrito, completamente cheio, com
pressão muito alta e, portanto, a temperatura será muito superior a 525º C.
Também dois investigadores espanhóis publicaram, em 1998,
uma carta na revista "Physics Today",
onde negam que a intensidade do Sol seja no Paraíso 49 superior à da Terra.
Segundo eles, é apenas 8 vezes mais. Por enquanto, não há informação sobre a
temperatura do Purgatório.
Serve esta conversa, não para fazer chacota com matéria
que deve merecer o nosso respeito, mas para dizer que estas caricaturas são o
resultado inevitável da posição de uns tantos—bastantes—fósseis religiosos
fundamentalistas, agarrados à interpretação à letra dos livros sagrados. Ao
contrário do que pensam, fazem mais mal que bem às religiões que professam.
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