sábado, 12 de outubro de 2013

ENVIADO OU SACANA ?

.

De forma pateticamente megalómana, na última entrevista de Passos Coelho na televisão—evento a cheirar aos velhos combates de luta livre no Parque Mayer, onde tudo estava combinado—a individualidade teve esta grande tirada:  "Se eu falhar a minha missão, é o País que falha." Coisa a cheirar a Shakespeare!
Não sei que mais disse, pois tive o prazer de não assistir, mas estou informado pela comunicação social quanto baste para me felicitar por não ter visto nem ouvido. Queria, contudo,  comentar a citada frase, pelo que informa sobre a personalidade do Primeiro-Ministro. Quem assim fala sente-se enviado da Providência a cumprir tarefa quase sobrenatural, ou lá perto, o que é preocupante.  O homem tem uma missão e o País está dependente da sua mestria para se salvar. Tal e qual!
Pacheco Pereira, que é maldoso e não embarca em conversas de embalar, é mais prosaico e tem outra explicação. Hoje, no "Público", escreve assim a propósito:

[...] Toda esta exibição de “o meu fracasso é o fracasso de Portugal” pode não passar de incutir medo, pressionar o Tribunal Constitucional ou de, pura e simplesmente, preparar uma saída baixa vitimizada caso o Tribunal não deixe passar qualquer lei com incidência orçamental.
Suspeito aliás, e não é de agora, que este plano de enviar legislação claramente inconstitucional para o Tribunal e receber o respectivo “não”, se destina a atirar para o Tribunal o ónus do falhanço próprio e preparar uma demissão do Governo. [...]

Não está mal visto, não senhor. Isto é, ou o homem se sente um enviado, ou o homem é um sacana. Pensando bem, vou mais para a teoria de Pacheco Pereira.
.

Sem comentários:

Enviar um comentário