Manuel Alegre—lê-se
nos jornais—classifica a intenção do Governo de cortar nas subvenções vitalícias
dos ex-políticos como uma manobra contra os políticos e acusa o PSD, e
sobretudo o CDS, de estarem a embarcar numa onda populista. Alegre é um dos 400
beneficiários desta subvenção.
E acrescenta que se trata de uma manobra de diversão para
desviar as atenções sobre a responsabilidade do PSD e do CDS nos cortes nos
salários da Função Pública, nas pensões de reforma e, sobretudo, nas pensões de
sobrevivência, o que é verdade.
Mas, chegados aqui, pergunta-se ao deputado socialista: depois
dos cortes anunciados nos ordenados da função pública e nas pensões, acha bem
que não se toque nas subvenções dos políticos? Aí reside o problema base.
Parece muito mais justo cortar em tais subvenções, que não resultaram de
nenhuma carreira contributiva, do que cortar nos funcionários e nos
pensionistas. Ou não?
É nítido que o Governo, depois da cegada dos cortes
inaceitáveis anunciados, não pode poupar os políticos "reformados" a
martelo—só faltava isso! E, ao não poupar, pratica uma manobra de diversão. Mas tal manobra é imperativa à luz da mais elementar justiça. Injusto
era esbulhar o cidadão comum e deixar políticos de fora, como parece que o
senhor Alegre quer. O resto é conversa de encher chouriços.
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