A comunicação social destaca hoje o ranking das escolas
portuguesas—a Escola X teve melhores classificações nos exames que as Escolas Z
e Y, logo a X é boa e campeã do ensino. A abordagem é tosca e forma de publicidade; talvez involuntária, faça-se a justiça de admitir. Gil Nata, investigador do Centro de Investigação e Intervenção Educativas, em
entrevista ao jornal "Público", esclarece a questão de forma sintética
perfeita:
" A maioria esmagadora das pessoas interpreta os
rankings como sendo a manifestação da qualidade de uma escola. Os dez primeiros
têm uma publicidade fabulosa. Mas o que aquilo mostra é outra coisa: é que eles
têm os alunos que tiraram as melhores notas nos exames nacionais. Ponto. Não se
pode daí fazer qualquer inferência sobre se a escola está ou não a trabalhar
muito bem. Eu só posso fazer essa inferência se souber o que lá entrou, qual é
a matéria-prima com que eles trabalham, e perceber qual é o percurso que a
escola conseguiu fazer com essa matéria-prima."
É difícil dizer melhor. Por exemplo, não podemos comparar
a qualidade do ensino e trabalho pedagógico realizado através dos resultados
nos exames dos alunos do Colégio de S. João de Brito, em Lisboa, e dos alunos
da Escola Secundária de Alfornelos, sem desprimor para Alfornelos. Considerando
a matéria-prima com que ambos trabalham, pode até ser maior o mérito da segunda.
Tal ponto de vista devia ficar bem esclarecido e os media não podem abordar a
matéria com títulos superficiais e enganadores
como fazem.
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