Wagner é geralmente considerado um dos maiores compositores que alguma vez viveu. Mas Wagner tinha outras características: era arrogante, desagradável no trato, capaz de explorar o próximo, desleal, intolerante, racista, anti-semita, defendendo a expulsão dos judeus da Alemanha, rebabá.
Tiram essas características valor à obra de Wagner? A
pergunta é complicada e pode ainda ser ampliada se incluir obras esteticamente
perfeitas abordando temas eticamente inaceitáveis, como alguns filmes da
propaganda nazi. Mas fiquemos pelo primeiro aspecto.
Em princípio a obra de um artista deixa de ser dele
depois de acabada e tornada pública. Vale por si, independentemente de quem a
fez. A resposta é bonita, mas levanta outra interrogação. A ser assim, porque
não vale tanto o original e a cópia completamente igual duma pintura de Picasso,
Rembrandt, ou van Gogh?
Há, sem dúvida, preconceitos na arte, aquilo que os
estudiosos chamam falácia intencional, falácia afectiva e por aí fora, e que muitas vezes é, simplesmente, snobismo
encapotado. Convenção talvez.
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