Há um jogo—também teste—chamado do "ultimato", que consiste em oferecer uma quantia relativamente elevada a um indivíduo ou grupo, com a condição de que parte dessa quantia, de montante escolhido pelo indivíduo ou grupo, seja doada a outra ou outras pessoas. Estas são informadas de que se aceitarem a oferta, todos recebem, mas se não aceitarem, ninguém recebe—nem o primeiro beneficiário, nem o segundo.
Isto é, se a oferta ao segundo protagonista é grande,
este aceitará, mas o primeiro ganha menos. Se é pequena, o segundo pode
rejeitar, por achar a coisa pouco decente e ninguém recebe nada— o segundo não
recebe, mas vinga-se da mesquinhez do primeiro e dá-lhe uma lição.
Em termos práticos, mostra a experiência que nos povos
sem tradição no comércio os primeiros receptores oferecem muito pouco e os
segundos aceitam esse muito pouco. Contudo, nos povos familiarizados com a
actividade comercial, a oferta inicial é muito maior, chegando a 50%—quase
sempre aceite.
O desenvolvimento e a compreensão comercial ensinaram
empiricamente ao primeiro protagonista que não pode esticar muito a corda, sob
pena de ela partir. O seu comportamento pode ser influenciado pela ética, mas é
mais vezes fruto da experiência. Na sociedade das trocas, a falta de equidade
nas propostas dá mau resultado. Assim se arruínam os "careiros" e
especuladores, porque o resto da sociedade não anda a dormir, como nas sociedades
sem comércio. Nestas, tudo que vem à rede é peixe; mas o perigo de comer peixe estragado
é muito grande e, frequentemente comem-no.
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