domingo, 9 de fevereiro de 2014

CIÊNCIA INFUSA . . . E CONFUSA

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Um neutrão—que, como se sabe, é uma das partículas do núcleo atómico, sem carga eléctrica—pode decair, originando um protão e um electrão; o primeiro é a outra partícula do núcleo, com carga eléctrica positiva, e o segundo a partícula negativa que orbita os núcleos. Mas, em 1930, o físico Pauli verificou que as contas não estavam certas: faltava energia no resultado final, ou na segunda parte da equação. Pauli admitiu que havia ainda outra partícula, além do protão e do electrãoo neutrino (nessa altura ainda não tinha nome).
Só em 1956 foi observado o neutrino, numa experiência conhecida como de Cowan-Reines. O neutrino quase não tem massa e é destituído carga eléctrica—é mais que discreto! É provavelmente uma das partículas originais do Big-Bang, que contribuiu para a formação de  todas, ou quase todas as outras. É um "peixe de águas quentes": o seu habitat nessa altura era de temperaturas superiores a 100 mil milhões de graus Celsius.
Hoje, só existem temperaturas dessa ordem nas supernovae, quando uma grande estrela, muito maior que o Sol, explode no fim da vida. A essas temperaturas, as partículas atómicas são fragmentadas em neutrinos enviados para o espaço.
Mas não só neutrinos resultam dessas explosões—surgem também núcleos de átomos, incluindo os mais pesados que o ferro, como a prata e o ouro. Só as grandes estrelas conseguem fundir átomos até esses pesos. O sol, por exemplo, não vai além do ferro. E porque só as grandes estrelas produzem átomos pesados, estes são raros na Terra, como a dita prata e o dito ouro. Mas 99% da grande estrela é convertida em neutrinos. Os núcleos pesados, ou resistem à alta temperatura da explosão da supernova, ou formam-se a seguir, quando o arrefecimento subsequente o permite.
Os neutrinos, assim chamados pelo físico Fermi (neutrino significa "neutro pequeno " ou "neutrinho" em italiano) passa através da matéria sem ser detectado ou interceptado—na Terra, cerca de 66 mil milhões de neutrinos passam, por segundo, através da superfície como uma unha do polegar. É obra!

(É chato, mas é importante, sobretudo para resolver o défice público)
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