segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

DAR DE COMER A UM MILHÃO DE MAMÕES

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Muitos mamíferos adultos não conseguem digerir a lactose, principal hidrato de carbono do leite. O homem antigo também não. Já falámos em tempos disso, admitindo-se ter sido essa limitação que levou à fermentação do leite e à consequente produção do queijo.
Hoje pensa-se que a aptidão de digerir a lactose se desenvolveu nos últimos 10 mil anos, em várias partes do mundo; sobretudo no Norte da Europa, onde a radiação solar é fraca. A síntese da Vitamina D na pele depende da exposição à luz do Sol e a vitamina é indispensável para a absorção do cálcio no intestino, cálcio necessário para muitas coisas, especialmente nos ossos. Teriam sido os nórdicos os primeiros que, através da selecção natural, primeiro desenvolveram populações de adultos com lactase, enzima necessária para a digestão da lactose.
Estudos recentes, realizados na Península Ibérica, onde a radiação solar era e é bastante mais intensa, mostraram que em fósseis humanos não havia ainda o gene da produção da lactose activo. Mas outra investigação posterior, cujos resultados foram publicados na revista "Molecular Biology and Evolution", revela haver actualmente elevada percentagem de espanhóis com o gene da produção de lactase activo. Isto é, em cerca de 7 mil anos, o gene desenvolveu-se—por selecção, naturalmente.
E porque aconteceu tal, se havia sol com fartura? Provavelmente, a fominha dos anos de más culturas levava os espanhóis, e também os portugueses, a alimentarem-se de lacticínios. Os capazes de digerir alguma coisa a lactose, foram ficando, reproduzindo-se. Muitos dos outros "despediram-se". E parte dos capazes de o fazer podem ter resultado do cruzamento com imigrantes de outras terras onde o gene já estava activo.
Eis porque podemos beber umas canecas de leite neste recanto onde a terra se acaba e o mar começa e Febo repousa no oceano. Excepto os pensionistas—bem entendido—que, segundo o Dr. Soares, estão todos a morrer à fome. Tal e qual.

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