segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

LA FONTAINE DE CARREGAR PELA BOCA

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O abominável César das Neves escreve hoje uma alegoria pífia no "Diário de Notícias" em que as estações do ano, Outono, Inverno, Primavera Verão,  são protagonizadas pelos  últimos anos da Pátria Lusa—digna do Conselheiro Acácio.
Para cabal esclarecimento dos leitores, informo-os encontrarmo-nos na Primavera—"este ano prematura"—conduzidos por mão providencial, a do Governo que, pela Graça de Deus, tomou o timão da Pátria. Bonito de se ler, embora esta do timão da Pátria seja da minha lavra, inspirado pela prosa cesariana.
Gostei e acho a ideia divina. Apenas um reparo para um troço derradeiro, onde César verte a seguinte pérola:  Agora o problema já é outro. Porque os tempos mornos, apesar de muito menos agrestes, também suscitam os seus males. Sobretudo começam a regressar os mosquitos e carnívoros do calor que, deixando a hibernação em que estiveram nos últimos anos, surgem a rondar os campos. Pequenos parasitas e grandes predadores que dormiram no clima frio, preparam-se para voltar a morder a floresta rejuvenescida. Ressurgem novos perigos que o gelo e o frio mantinham ocultos, e que exigem atenção imediata. São precisamente aqueles que nos meteram neste terrível Inverno.
Aqui, Neves lavra em erro grosseiro porque os mosquitos e carnívoros do calor, pequenos parasitas e grandes predadores, nunca hibernaram nem dormiram no clima frio—pelo contrário, nunca parasitaram e predaram tanto como nesse clima e continuam a parasitar e predar cada vez mais, Neves incluído.
É uma peça de antologia de literatura manhosa, digna de envio directo para a Torre do Tombo, exemplo de mediocridade de sacristia.
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