O abominável César das Neves escreve hoje uma alegoria pífia no "Diário de Notícias" em que as estações do ano, Outono, Inverno, Primavera e Verão, são protagonizadas pelos últimos anos da Pátria Lusa—digna do Conselheiro Acácio.
Para cabal esclarecimento dos leitores, informo-os encontrarmo-nos
na Primavera—"este ano prematura"—conduzidos por mão providencial, a do Governo
que, pela Graça de Deus, tomou o timão da Pátria. Bonito de se ler, embora esta
do timão da Pátria seja da minha lavra, inspirado pela prosa cesariana.
Gostei e acho a ideia divina. Apenas um reparo para um
troço derradeiro, onde César verte a seguinte pérola: Agora o
problema já é outro. Porque os tempos mornos, apesar de muito menos agrestes,
também suscitam os seus males. Sobretudo começam a regressar os mosquitos e
carnívoros do calor que, deixando a hibernação em que estiveram nos últimos
anos, surgem a rondar os campos. Pequenos parasitas e grandes predadores que
dormiram no clima frio, preparam-se para voltar a morder a floresta
rejuvenescida. Ressurgem novos perigos que o gelo e o frio mantinham ocultos, e
que exigem atenção imediata. São precisamente aqueles que nos meteram neste
terrível Inverno.
Aqui, Neves lavra em erro grosseiro porque os mosquitos e carnívoros do calor, pequenos parasitas e grandes predadores,
nunca hibernaram nem dormiram no clima frio—pelo contrário, nunca parasitaram e
predaram tanto como nesse clima e continuam a parasitar e predar cada vez mais,
Neves incluído.
É uma peça de antologia de literatura manhosa, digna
de envio directo para a Torre do Tombo, exemplo de mediocridade de sacristia.
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