Sir James Hopwood Jeans foi um físico, astrónomo e
matemático britânico conhecido pela Lei de Raleigh-Jeans. Num dos muitos livros que escreveu, intitulado "The Mysterious Universe" (1930), a páginas tantas, diz
assim:
[...] O facto essencial de todos os quadros que a ciência
desenha da natureza, os únicos concordantes com os factos observados, são de
natureza matemática.
Grande parte dos cientistas concordarão que não são mais
que quadros—ficção, se quiserem, ao aceitarmos que a ciência não está em
contacto com a última realidade. Muitos terão de admitir que, de um ponto de vista
filosófico alargado, os mais importantes feitos
da Física do Século XX não é a Teoria da Relatividade com a junção do
espaço e do tempo, nem a Teoria dos Quanta e a aparente negação das leis da
causalidade, ou a dissecção do átomo com a descoberta de que as coisas não são
o que parecem; há a convicção geral de que não estamos ainda em contacto com a
última realidade. Falando em termos da conhecida alegoria de Platão, estamos
ainda prisioneiros na nossa caverna*, de costas voltadas para a luz , a ver
apenas sombras na parede. No presente, o único papel da ciência é estudar tais
sombras, classificá-las e explicá-las da forma mais simples possível. E o que
vamos verificando, nesta torrente de conhecimento surpreendente, é que a
maneira mais clara, mais completa, mais natural que qualquer outra, de a
explicar é a abordagem matemática, ou explicação em termos de conceitos
matemáticos. É verdade, em sentido um pouco diferente de Galileu, que o grande
livro da natureza está escrito em linguagem matemática. Tão verdade isto, que
ninguém, além dos matemáticos, tentou compreender os ramos da ciência que
procuram tornar clara a natureza do universo—a Teoria da Relatividade, a Teoria
Quântica e a Mecânica Ondulatória.
A sombras que chegam à parede da nossa caverna devem ser,
a priori, de muitas espécies. Para nós, têm sido perfeitamente sem significado,
como um filme sobre o crescimento microscópico dos tecidos para um cão que
entrasse por engano numa sala de conferências.
Na verdade, a Terra é tão infinitesimal, em comparação
com o universo; nós somos os únicos seres pensantes—tanto quanto sabemos—nesse
espaço; somos tão acidentais e tão aparte do esquema principal do universo que,
provavelmente, qualquer significado desse universo como um todo transcenda a
nossa experiência terrestre e nos seja ininteligível. Em tal situação,
não temos pé para iniciar a exploração do seu verdadeiro significado. [...]
. 
Sem comentários:
Enviar um comentário