quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O DESCONHECIDO UNIVERSO

.


Sir James Hopwood Jeans foi um físico, astrónomo e matemático britânico conhecido pela Lei de Raleigh-Jeans. Num dos muitos livros que escreveu, intitulado "The Mysterious Universe" (1930), a páginas tantas, diz assim:

[...] O facto essencial de todos os quadros que a ciência desenha da natureza, os únicos concordantes com os factos observados, são de natureza matemática.
Grande parte dos cientistas concordarão que não são mais que quadros—ficção, se quiserem, ao aceitarmos que a ciência não está em contacto com a última realidade.  Muitos  terão de admitir que, de um ponto de vista filosófico alargado, os mais importantes feitos  da Física do Século XX não é a Teoria da Relatividade com a junção do espaço e do tempo, nem a Teoria dos Quanta e a aparente negação das leis da causalidade, ou a dissecção do átomo com a descoberta de que as coisas não são o que parecem; há a convicção geral de que não estamos ainda em contacto com a última realidade. Falando em termos da conhecida alegoria de Platão, estamos ainda prisioneiros na nossa caverna*, de costas voltadas para a luz , a ver apenas sombras na parede. No presente, o único papel da ciência é estudar tais sombras, classificá-las e explicá-las da forma mais simples possível. E o que vamos verificando, nesta torrente de conhecimento surpreendente, é que a maneira mais clara, mais completa, mais natural que qualquer outra, de a explicar é a abordagem matemática, ou explicação em termos de conceitos matemáticos. É verdade, em sentido um pouco diferente de Galileu, que o grande livro da natureza está escrito em linguagem matemática. Tão verdade isto, que ninguém, além dos matemáticos, tentou compreender os ramos da ciência que procuram tornar clara a natureza do universo—a Teoria da Relatividade, a Teoria Quântica e a Mecânica Ondulatória.
A sombras que chegam à parede da nossa caverna devem ser, a priori, de muitas espécies. Para nós, têm sido perfeitamente sem significado, como um filme sobre o crescimento microscópico dos tecidos para um cão que entrasse por engano numa sala de conferências.
Na verdade, a Terra é tão infinitesimal, em comparação com o universo; nós somos os únicos seres pensantes—tanto quanto sabemos—nesse espaço; somos tão acidentais e tão aparte do esquema principal do universo que, provavelmente, qualquer significado desse universo como um todo transcenda a nossa experiência terrestre e nos seja ininteligível. Em tal situação, não temos pé para iniciar a exploração do seu verdadeiro significado. [...]
. 
.

Sem comentários:

Enviar um comentário