Com três décadas de intervalo, a revista "Newsweek"
publicava dois textos dos quais seguem excertos:
i)
O tempo é sempre caprichoso, mas o último ano deu de novo
significado ao termo. Inundações, furacões, secas [...] a única praga em falta
foram os sapos. O padrão de extremos corresponde às previsões sobre como seria
um mundo...[...]
ii)
Os meteorologista estão de acordo quanto às causas e à
extensão da tendência [...] bem como ao impacto específico sobre as condições
meteorológicas locais. Contudo, são quase unânimes ao defender que a tendência
acarretará a redução da produtividade agrícola durante o resto do Século [...]
Quanto mais os planeadores adiarem as coisas, mais difícil será lidar com as
mudanças climáticas quando os seus resultados se transformarem numa terrível
realidade.
Agora diga o leitor, se nunca leu os artigos, de que falava
a revista. Está a imaginar, mas provavelmente, está a imaginar mal. O primeiro
é, como esperava, sobre o aquecimento global "em curso": AGEC (não
confundir com PREC!). Mas o segundo é sobre o arrefecimento, três décadas
antes! E, eventualmente, dentro de 30 anos, a revista falará sobre a "desgraça"
da estabilidade do clima!
Os ambientalistas são como os agricultores portugueses:
se chove queixam-se de que chove; se não chove queixam-se de que não chove; se
nem uma coisa nem outra, queixam-se de antes pelo contrário. E os media é disso
que gostam—notícia boa não é notícia, miséria faz sempre cacha.
As coisas são assim há milénios e hão-de continuar a ser, ad saecula saeculorum: a
humanidade gosta de se atormentar. Faz parte da sua natureza. Veio com o pó de
estrela de que somos feitos.
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