A atenção do público para problemas colectivos—sejam ambientais, sanitários, climáticos, políticos, ou outros—é louvável e indispensável. Mas uma coisa é isso, outra o pessimismo militante do tipo Al Gore. Infelizmente, tal pessimismo faz carreira fácil e contribui para alguma—quando não muita—ansiedade social. Um jornalista não chega à primeira página do jornal se diz ao editor ter uma história com boas notícias—a desgraça é que rende.
O pessimismo é "campeão de vendas", seja em
livros, em jornais, em filmes, reportagens televisivas, ou documentários.
Curiosamente, os cidadãos são maioritariamente optimistas ao nível individual, acreditando
que viverão muitos anos, não adoecerão, estarão casados toda a vida e por aí
fora, mas a nível colectivo vivem amedrontados e lêem respeitosamente tudo que
é lixo.
Uma notícia pode informar que a incidência de qualquer
doença grave está a diminuir, mas recebe mais atenção se começar por dizer que
a incidência está a diminuir muito pouco em determinado grupo,
seja em mulheres, em crianças, em velhos, sócios do Sporting, rebabá. É a boa nova transformada em
tragédia à procura do flanco frágil do público.
Algumas vezes tem subjacente interesses económicos
notórios, como aconteceu com a gripe das aves e o "Tamiflu"; noutras os
interesses são profusos, difusos e confusos e é difícil encontrar o fio da
meada. Normalmente, e até prova em contrário, há gato escondido com o rabo
também escondido. Ler jornais é ciência difícil. Fazê-lo bem não está ao
alcance de qualquer—são precisos anos de experiência. Parafraseando Hipócrates,
a vida é curta, a arte longa, a oportunidade fugaz, a experiência enganosa, o
julgamento difícil. Tal e qual!
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