quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O JULGAMENTO É DIFÍCIL

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A atenção do público para problemas  colectivos—sejam ambientais, sanitários, climáticos, políticos, ou outros—é louvável e indispensável. Mas uma coisa é isso, outra o pessimismo militante do tipo Al Gore. Infelizmente, tal pessimismo faz carreira fácil e contribui para alguma—quando não muita—ansiedade social. Um jornalista não chega à primeira página do jornal se diz ao editor ter uma história com boas notícias—a desgraça é que rende.
O pessimismo é "campeão de vendas", seja em livros, em jornais, em filmes, reportagens televisivas, ou documentários. Curiosamente, os cidadãos são maioritariamente optimistas ao nível individual, acreditando que viverão muitos anos, não adoecerão, estarão casados toda a vida e por aí fora, mas a nível colectivo vivem amedrontados e lêem respeitosamente tudo que é lixo.
Uma notícia pode informar que a incidência de qualquer doença grave está a diminuir, mas recebe mais atenção se começar por dizer que a incidência está a diminuir muito pouco em determinado grupo, seja em mulheres, em crianças, em velhos, sócios do Sporting, rebabá. É a boa nova transformada em tragédia à procura do flanco frágil do público.
Algumas vezes tem subjacente interesses económicos notórios, como aconteceu com a gripe das aves e o "Tamiflu"; noutras os interesses são profusos, difusos e confusos e é difícil encontrar o fio da meada. Normalmente, e até prova em contrário, há gato escondido com o rabo também escondido. Ler jornais é ciência difícil. Fazê-lo bem não está ao alcance de qualquer—são precisos anos de experiência. Parafraseando Hipócrates, a vida é curta, a arte longa, a oportunidade fugaz, a experiência enganosa, o julgamento difícil. Tal e qual!
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