"Devemos regular os relógios e não ser regulados por eles."
Golda Meir.
Afinal, o que é um relógio? É um mecanismo capaz de
contar as vezes que um fenómeno se repete. Por exemplo, as vezes que uma ampulheta
se esvazia, as oscilações de um pêndulo, fenómenos cíclicos num átomo de césio,
rebabá. Mede o tempo? Não mede coisa nenhuma. Tempo é mais complicado—tão
complicado que talvez nem exista! Quem acredita em tempo diz que começou no
Big-Bang. Quem não acredita diz que, depois do
Big-Bang, continuou tudo na
mesma e nem sequer há depois—é apenas uma ilusão criada pelo homem que funciona como uma seta, num sentido:
hoje será amanhã e nunca ontem. Ilusão que faz falta, convencionalmente
aceite por isso, mas uma ilusão—demonstrou-o Einstein.
Se fosse possível um astronauta viajar um ano no espaço à
velocidade da luz, quando regressasse à Terra seria notoriamente mais novo que
um irmão gémeo porque a gravidade e a velocidade foram diferentes. Os relógios
atómicos dos satélites do GPS não marcam
o mesmo tempo que relógios atómicos iguais à superfície da Terra. Os
astronautas na Estação Espacial Internacional, quando regressam ao fim de seis
meses, são cronologicamente mais novos que se tivessem ficado em casa. A teoria
da relatividade chama a isso "dilatação do tempo".
Portanto, uma trapalhada! Usamos umas máquinas catitas
para não perder o comboio, para avaliar a velocidade dos atletas, para saber
como o Benfica arrumou os lagartos e por aí fora, mas mais nada. Tempo não é
tic-tac. Nem sequer é dinheiro—para quem
envelheceu, é lixo. Isso mesmo.
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