quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

SMSS J031300.36-670839.3

.

De acordo com a revista "Nature", investigadores australianos descobriram a mais antiga estrela conhecida. Está na Via Láctea, "apenas" a 6 mil anos /luz de nós e tem cerca de 13,6 mil milhões de anos—o universo começou há perto de 13,7 mil milhões, ou seja, a estrela em causa formou-se 100 milhões de anos depois do Big-Bang.
Como se sabe uma coisa dessas?—perguntar-se-á. É "simples"! As primeiras estrelas começaram com a compactação gravitacional apenas de hidrogénio e hélio formados no Big-Bang; mas com o tempo foram fundindo átomos e originando elementos mais pesados, como o carbono e o oxigénio; eventualmente ferro, mas pouco. Quando chegavam ao fim da vida, explodiam, por exemplo numa supernova, e lançavam esses elementos no espaço, assumindo a forma de nebulosa. Se o gás e a poeira dessa nebulosa compactassem para formar nova estrela, esta tinha logo à partida algum ferro. Se fundisse mais, ao morrer lançava mais ferro no espaço para outra nebulosa e rebabá. A quantidade de ferro no universo vem aumentando assim desde o génesis cosmológico. Portanto, a quantidade de ferro numa estrela é o relógio que permite conhecer há quanto tempo foi formada.
Então, vem outra pergunta: e como se sabe quanto ferro tem uma estrela, por exemplo a de que falamos? É ainda mais "simples"! As reacções de fusão nuclear no centro das estrela originam radiação electromagnética (a luz do Sol, por exemplo) que chega até nós. Ao atravessar as várias camadas da estrela, antes de atingir a superfície, essa radiação é parcialmente absorvida pelos compostos que a compõem—sabe-se que o carbono absorve aqui, o oxigénio ali e o ferro acoli. Portanto, o estudo do espectro da radiação emitida por uma estrela permite saber se tem muito ferro, ou carbono, ou outro elemento qualquer. E esta tem pouco ferro—deve ser a segunda geração duma família de estrelas.
Falta dizer porque durou tanto tempo—13,6 mil milhões de anos (mais que o Matusalém!).  Acontece que a estrela é pequena, mais pequena que o Sol. E, quando assim é, a fusão nuclear no interior é vagarosa porque a gravidade é mais fraca e a pressão não é muita—a estrela "arde" em fogo lento e dura que se farta. 
É muito velha, mas tem um nome fácil de fixar. Não é Ni, nem Jó, mas SMSS J031300.36-670839.3. Bonito!
.
(Pode ler aqui um artigo muito bem feito de um dos investigadores australianos)
.

Sem comentários:

Enviar um comentário