De acordo com a revista "Nature", investigadores
australianos descobriram a mais antiga estrela conhecida. Está na Via Láctea, "apenas"
a 6 mil anos /luz de nós e tem cerca de 13,6 mil milhões de anos—o universo
começou há perto de 13,7 mil milhões, ou seja, a estrela em causa formou-se 100
milhões de anos depois do Big-Bang.
Como se sabe uma coisa dessas?—perguntar-se-á. É "simples"!
As primeiras estrelas começaram com a compactação gravitacional apenas de hidrogénio
e hélio formados no Big-Bang; mas com o tempo foram fundindo átomos e
originando elementos mais pesados, como o carbono e o oxigénio; eventualmente
ferro, mas pouco. Quando chegavam ao fim da vida, explodiam, por exemplo numa
supernova, e lançavam esses elementos no espaço, assumindo a forma de nebulosa.
Se o gás e a poeira dessa nebulosa compactassem para formar nova estrela, esta
tinha logo à partida algum ferro. Se fundisse mais, ao morrer lançava mais
ferro no espaço para outra nebulosa e rebabá. A quantidade de ferro no universo
vem aumentando assim desde o génesis cosmológico. Portanto, a quantidade de
ferro numa estrela é o relógio que permite conhecer há quanto tempo foi
formada.
Então, vem outra pergunta: e como se sabe quanto ferro
tem uma estrela, por exemplo a de que falamos? É ainda mais
"simples"! As reacções de fusão nuclear no centro das estrela
originam radiação electromagnética (a luz do Sol, por exemplo) que chega até
nós. Ao atravessar as várias camadas da estrela, antes de atingir a superfície,
essa radiação é parcialmente absorvida pelos compostos que a compõem—sabe-se
que o carbono absorve aqui, o oxigénio ali e o ferro acoli. Portanto, o estudo
do espectro da radiação emitida por uma estrela permite saber se tem muito
ferro, ou carbono, ou outro elemento qualquer. E esta tem pouco ferro—deve ser
a segunda geração duma família de estrelas.
Falta dizer porque durou tanto tempo—13,6 mil milhões de
anos (mais que o Matusalém!). Acontece
que a estrela é pequena, mais pequena que o Sol. E, quando assim é, a fusão
nuclear no interior é vagarosa porque a gravidade é mais fraca e a pressão não é
muita—a estrela "arde" em fogo lento e dura que se farta.
É muito
velha, mas tem um nome fácil de fixar. Não é Ni, nem Jó, mas SMSS J031300.36-670839.3. Bonito!


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