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Vivemos em mundo de previsões apocalípticas. Em 2008, Lester
Brown estava apreensivo: se todos os chineses consumissem papel como os
americanos, em 2030 seria preciso o dobro do papel produzido em todo o planeta naquela época. Se em cada quatro chineses, três tivessem carro como nos EU, em
2030 a China teria 1,1 mil milhões de carros (na altura havia 860 milhões em
todo o mundo). Estradas, auto-estradas e parques ocupariam uma área igual à da
plantação do arroz. Em 2030, a China vai precisar de 98 milhões de barris de
petróleo por dia, sendo a produção actual de 85. Blá, blá, blá...
Uns anos mais cedo poderia também dizer-se que, em 1950,
as ruas de Londres iriam estar intransitáveis, cheias de trampa de cavalo com
três metros de altura. Em 1943, Thomas Watson, fundador da IBM, opinava existir
mercado mundial para apenas cinco computadores. E em 1977, Ken Olson, fundador
da Digital Equipment Corporation, considerava não haver qualquer razão para as
pessoas terem computador em casa—um computador pesava então uma tonelada e
custava várias "toneladas" de dólares. O astrónomo real britânico e o conselheiro espacial do Governo de Sua Majestade, achavam que as
viagens espaciais eram uma "laracha" e "um perfeito disparate"—pouco
tempo depois, os russos lançaram o Sputnik e a seguir foi o que se viu.
O alvo do pessimismo varia com os tempos. Nos anos 60 do
Século passado era a explosão demográfica e a fome universal; nos anos 70, o
esgotamento dos recursos; nos anos 80, a chuva ácida; nos anos 90, as
pandemias; e no início do Século actual, é o aquecimento global, para não falar da
depleção do ozono e outras matérias planetárias menores.
Com excepção da última ameaça, o aquecimento antropogénico,
todas as outras foram avisos de vem aí o lobo. Mau; muito mau! Quando o
lobo vier de facto, ninguém acredita. Nem o senhor Al Gore. Vai ser o primeiro
a ficar com as canelas escavacadas.
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