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Há pontos de vista na vida surpreendentemente indiscutíveis e inesperados. Por exemplo, o afirmar- se que viver é fatal. Embora pareça contradição, a verdade é que todo o ser vivo morre, enquanto o inanimado, por definição, não pode morrer. Viver é uma condição sine qua non para morrer.
O exemplo é “careca” de tão evidente que é. Fala-se nele porque permite abordar outro ponto de vista também inesperado, qual é o do insucesso ― o insucesso pode constituir uma vantagem. É clássica a afirmação de que com os erros se aprende, embora Bismark, egoisticamente, escrevesse: “Os tolos dizem que aprendem com os seus próprios erros; eu prefiro aprender com os erros dos outros.” Sejam eles nossos ou dos outros, representam informação com valor na procura da verdade. Quantas descobertas se devem a enorme panóplia de investigações falhadas que, por exclusão de partes ― essas investigações falhadas ― permitiram chegar à verdade?
Pode dizer-se que a valorização do insucesso foi uma das grandes conquistas da ciência, embora não possa chegar ao limite do cirurgião que afirmava urbi et orbi: “A minha experiência de sucesso assenta num monte de cadáveres”!
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