domingo, 6 de janeiro de 2013

O ÚNICO CAMINHO

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PACIÊNCIA DE JÓ

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Mais de 80% da matéria do universo é uma coisa que nunca se viu; literalmente. Por isso, é chamada matéria negra, nome pouco feliz porque o negro também se  vê—melhor fora chamar-lhe matéria invisível. Não interessa isto.
A matéria dita negra não emite, nem absorve, radiação e por isso é invisível. Sabe-se que está lá porque exerce força de gravidade sobre outras massas visíveis e sobre as radiações do espaço. Por exemplo, desvia o trajecto da radiação visível quando esta passa pelo seu campo gravitacional, encurvando-a, num efeito semelhante ao do vidro da lupa, e tal desvio é tanto maior quanto maior é a massa de matéria negra.
Partindo deste facto, investigadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, durante cinco anos observaram milhões de galáxias a mais de 6 mil milhões de anos/luz da Terra e estudaram os desvios das suas luzes no trajecto até nós. Com tais dados—obtidos com paciência de Jó—calcularam a massa de matéria negra que provocaram os desvios e a sua localização. Fizeram mapas de quatro áreas do espaço celeste e apresentaram os resultados, com grande sucesso,  numa reunião da "American Astronomical Society". Trabalho importante de que se reproduz uma de múltiplas imagens, onde a branco, ironicamente, está a matéria negra—as manchas maiores têm dimensão semelhante a várias luas—e a negro os espaços vazios.  
A matéria negra é importantíssima para a existência da visível. Sem ela não se formariam as galáxias, as estrelas, os planetas e tudo o mais, incluindo nós próprios, o Benfica que ganhou 3-1 ao Estoril, também ele inexistente se não houvesse matéria negra, o Relvas e o Artur Baptista da Silva, ex-dirigente da SAD do Sporting e ex-membro duma comissão política qualquer do Partido Socialista. Ganda matéria negra!
Como curiosidade, chamo a atenção para o facto de a luz agora estudada pelos investigadores ter sido emitida pelas galáxias há 6 mil milhões da anos, tinha o universo então pouco mais de metade da idade que tem hoje—cerca de 13,7 mil milhões de anos. Ainda era jovem!

MAL LEMBRADO !

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O FADO DA DESGRAÇADINHA

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Um janota chamado Luís Morais Sarmento, que faz qualquer coisa no Governo na área das Finanças, veio dizer urbi et orbi que o chumbo do Orçamento de Estado tal como está lavrado pode acabar com a ajuda da troika a Portugal e ponto final. Chama-se a isto tentar encurralar o Tribunal Constitucional, ponto final.
O referido janota diz implicitamente que o Tribunal tem a obrigação patriótica de ignorar a Lei, se achar o Orçamento um aborto, e declarar que está tudo muito bem. E fala assim porque está com a fralda molhada―sem a certeza de que o Governo não fez uma borrada. Tal e qual.
Se vier aí um chumbo, irá acompanhar à guitarra―com Vítor Gaspar na viola―Passos Coelho a interpretar o fado da desgraçadinha.
As supracitadas personagens teriam sido mais avisadas se lavrassem um Orçamento com pés e cabeça e não só com os pés.
A mensagem encriptada de Morais Sarmento para o Tribunal Constitucional é mais ou menos assim: “Senhores Conselheiros, é possível que o Orçamento para 2013 seja uma trampa, também o admitimos; mas desta vez fechem os olhos, por favor. É que, caso contrário, ficamos numa enorme entalação.
Há pachorra?

sábado, 5 de janeiro de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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"Stad Amsterdam"
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CHAPELARIA

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VIOLETA

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BUFFET & BON JOVI

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Warren Buffett tem 82 anos e a terceira maior fortuna do mundo. É forreta, grande administrador e um dos ricos  mais honestos  do planeta. E um grande “ponto”. Veja-se o vídeo em baixo, a tocar viola e cantar com Bon Jovi.


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MATERNIDADE CÓSMICA

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Júpiter e Saturno são enormes planetas feitos predominantemente de gás―sobretudo hidrogénio e hélio―e, por isso, chamados gigantes gasosos, ou de gás. Acreditava-se que se formavam planetas assim na sequência do nascimento de novas estrelas. Como é sabido, as estrelas resultam da compressão de gás e poeiras cósmicas por efeito da força da gravidade e, à medida que a pressão aumenta no núcleo dessa massa, começa a fusão nuclear do hidrogénio, formando-se hélio e libertando energia. Essas fase inicial da estrela caracteriza-se pela existência do novo astro propriamente dito, rodeado de grande quantidade de poeira e gás que o alimenta nos milhares ou milhões da anos subsequentes.
Se nessa fase surge uma massa sólida com elementos pesados a gravitar em volta da estrela recém-nascida, a tendência física é começar a agregar gás em consequência da gravidade. Assim começam os planetas gasosos, com núcleo rochoso pequeno e massa variável de gás, por vezes enorme, como acontece com Júpiter e Saturno. Mas esta história era puramente teórica até há três dias, quando a revista “Nature” publicou observações feitas pelo Telescópio ALMA  (Atacama Large Millimetre/submillimitre Array), no Chile.
Descreve o artigo as observações da nova estrela HD 142527, a 450 anos/luz da Terra. Nessa recém-nascida há duas zonas de gás e poeira envolventes, a primeira e mais interior com 90 unidades astronómicas (UA) de espessura―1 UA = Distância Terra/Sol―e outra, exterior, com 140 UA. Entre elas orbitarão um ou dois protoplanetas gasosos que absorvem gás e poeira da externa. Como tem, ou têm, mais olhos que barriga, não incorporam tudo que atraem e parte escapa para a zona interior, permitindo mantê-la. Se assim não acontecesse, esgotar-se-ia em menos de um ano, comprometendo a evolução da nova estrela.
Uma explicação teórica acabou, desta forma, por ser confirmada pela observação, o que faz parte da natureza do método científico. Na imagem à direita, vemos a estrela nova no centro, a zona gasosa interior, a zona gasosa exterior, o espaço sem gás entre as duas e as correntes entre elas, passando pelos protoplanetas gasosos gigantes em formação.

SABEDORIA DA ROÇA

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(Colaboração de J. Castro Brito)
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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MAPA MÚNDI

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DICIONÁRIO DO DIABO

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COMPROMISSO s. m.—Ajustamento de interesses em conflito que dá a cada adversário a satisfação de pensar ter conseguido o que não merecia e ficar privado apenas do justamente devido.

'LANDSAT 5'

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O Landsat 5, o quinto dum conjunto de satélites de observação da Terra ao serviço da "United States Geological Survey", foi posto em órbita em 1984 para operar durante 3 anos. Chegou a 2012, tendo sido desactivado em Dezembro. Ultrapassou as expectativas em mais de 25 anos. Boa cepa.
Deu 150.000 voltas à Terra e tirou 2,5 milhões de fotografias! A que se vê em cima é do delta do rio Okavango, no Botswana. O Okavango nasce em Angola, onde se chama Rio Cubango, e termina no Botswana em delta sem saída para o mar.

'PICK UP'

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COISAS SALAZARENTAS

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Sem comentários. Os números falam por si. A comparação com Portugal deve ser do mesmo género, considerando as proporções.
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(Recebido de J. Castro Brito)
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BARBA RIJA

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Neste momento, solitários de vários países dão a volta ao mundo à vela. No vídeo, o skipper francês do "Virbac Paprec 3",  Jean-Pierre Dick, menos de 24 horas depois de passar o Cabo Horn, sobe ao mastro no Pacífico para poder usar a vela gennaker. De loucura! 

(Vídeo cedido por Pedro Masson)
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O CANHÃO

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(03-01-2013)

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'NO MEU TEMPO...'

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Estudos sociológicos e psicológicos mostram que o homem exagera na avaliação da capacidade de ter sucesso. Cerca de 80% dos condutores, por exemplo, acham que conduzem melhor que outros automobilistas e a probabilidade de terem um acidente é pequena ou nula. O mesmo se observa com outras situações menores, como a possibilidade de escapar à chuva se ameaça chover, ou de chegar a tempo ao cinema, apesar de ser tarde. Exagerar a probabilidade de sucesso é um viés, provavelmente o que se chama optimismo.
Mas, curiosamente, esses mesmos optimistas com coisas menores são, na maioria, pessimistas na grande perspectiva. Para eles, a idade dourada está no passado e não no futuro, como era de esperar. São os do "no meu tempo...!"
Estão certos ou errados? Mostra a História que, verosimilmente, estão errados. A sociedade tem evoluído para melhor com o passar dos séculos e os do "no meu tempo...!" sempre existiram—isto é, o tempo deles terá sido quase sempre pior. Porquê, isto?
É difícil explicar, mas há algumas razões evidentes. Primeiro, a memória é traiçoeira e, com a diminuição da aptidão física e mental, apaga os problemas do passado e conserva os êxitos e sucessos vividos; coisa compreensível. Depois porque, com a sepultura no horizonte, mesmo subconsciente, a nostalgia floresce—afinal, vimos de um tempo em que esse horizonte estava distante, ou mais distante.
Penso nisto sempre que vejo jovens com piercings, tatuagens, boné de pala para o lado, calças abaixo do rabo, brinquinhos, cabelo à Yannick Djaló. Suspeito que estou a mais naquela fita; embora—no fundo—fique à espera do dilúvio.
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TUDO É ENORME NO COSMO


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No dia 31 de Dezembro, uma erupção enorme ocorreu no Sol, subindo e contorcendo-se artisticamente no espaço, por acção de forças magnéticas sobre o plasma da estrela, mas sem dimensão suficiente para vencer a sua gravidade. A maior parte do plasma regressou ao corpo solar. A altura da erupção foi, aproximadamente, de 258.000 km—o diâmetro da Terra é cerca de 13.000 km, ou seja, 20 vezes menor (ver a figura em baixo).
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CORES

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Violeta
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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USS "Constitution" e HMS "Java"
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REFORMADOS

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As personagens que povoam os pesadelos do Dr. Vítor Gaspar
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PORTO BRANDÃO

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Porto Brandão e o bigode do navio "Souselas"
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(03-01-2013)
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FAZER VIVER AS ALMAS

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Nunca me esquecerei do dia em que, dizendo-lhe "Mas, senhor padre Manuel, a verdade, a verdade, acima de tudo", ele, a tremer, sussurrou-me ao ouvido - e isso apesar de estarmos sozinhos no meio do campo: - "A verdade? A verdade, Lázaro, é porventura uma coisa terrível, uma coisa intolerável, uma coisa mortal; as pessoas simples não conseguiriam viver com ela."
"E porque é que ma deixa vislumbrar agora aqui, como confissão?", perguntei-lhe. E ele respondeu: "Porque se não atormentar-me-ia tanto, tanto, que acabaria por gritá-lo no meio da praça, e isso nunca, nunca, nunca. Eu estou cá para fazer viver as almas dos meus paroquianos, para os fazer felizes, para fazer com que se sonhem imortais e não para os matar.
O que aqui faz falta é que eles vivam sãmente, que vivam em unanimidade de sentido, e com a verdade, com a minha verdade, não viveriam. Que vivam. E é isto que a Igreja faz, fazer com que vivam. Religião verdadeira? Todas as religiões são verdadeiras enquanto fazem viver espiritualmente os povos que as professam, enquanto os consolam de terem tido de nascer para morrer, e para cada povo a religião mais verdadeira é a sua, a que ele fez. E a minha? A minha é consolar-me em consolar os outros, embora o consolo que eu lhes dê não seja o meu."
Nunca esquecerei estas palavras.

Miguel de Unamuno, in "São Manuel Bom, Mártir"
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'BRAEMER'


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Neste bonito navio de cruzeiro chamado "Braemer", da companhia holandesa Fred Olsen, a entrar no Porto de Lisboa hoje pelas 10H40, visitei os fiordes da Noruega em 2004. Bela viagem!
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Na imagem da direita, está o "Je" a tocar o sino assinalado na fotografia da esquerda.
Eh... eh... eh...
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VAMOS FALAR CLARO


Manuel Maria Carrilho escreve hoje no "Diário deNotícias" uma crónica intitulada "Mutantes" cujo nome é infeliz porque o conteúdo não tem nada a ver com o conceito biológico de mutação. Começa Carrilho por perguntar:

Seremos nós, hoje, seres mutantes? Será que as transformações tecnológicas e culturais das últimas décadas nas sociedades desenvolvidas são mudanças que apenas alteram, embora às vezes muito substancialmente, as características, as rotinas e as expectativas do ser humanos?

E acrescenta pouco depois:

Eu aposto na via da mutação. Faço-o não por uma qualquer simpatia com a perspetiva da rutura, mas porque me parece que se multiplicam os fatores de diferenciação e, sobretudo, de não-retorno, que apontam nesse sentido.

E dá exemplos, de que destaco:

Vive-se hoje quase mais um terço do que se vivia há um século. Mas este dado objetivo, por si só absolutamente notável, trouxe com ele mudanças subjetivas tão inéditas como extraordinárias em termos de modo e de qualidade de vida.
Quase desapareceram os elementos que faziam parte da experiência central e imemorial da humanidade, como a dor, a febre ou o sofrimento, que deram lugar a um corpo que é vivido como uma garantia de bem estar, que torna normal pensar alcançar a felicidade na terra, sem ter de se esperar pela "outra" vida.
Viver muito, e bem, foi uma transformação que mudou radicalmente a relação do indivíduo contemporâneo com o seu próprio corpo, que passou a ser vivida de um modo mais positivo, nomeadamente valorizando sem complexos todo o domínio dos sentimentos e das emoções.

Nada do que Carrilho menciona corresponde a alteração estrutural significativa do Homo sapiens do Século XXI. Trata-se, tão somente, de alterações comportamentais condicionadas pelo meio, através do progresso tecnológico da Medicina, do avanço da organização social, da total modificação dos meios de comunicação e por aí fora. Não há características humanas novas que não possam ser explicadas pelo contexto social.
Se Carrilho chama mutante a esse homem novo, escolheu mal o termo, porque não é. Não resulta de selecção natural de estirpes sob pressão do meio, mesmo se aceitarmos o conceito de Lamarck da alteração do  genotipo por influência desse meio. A selecção humana darwiniana  leva muitos séculos, ou milénios. 
É preciso cuidado com a terminologia para não estabelecer a confusão. Carrilho sabe isso. Ou devia saber.
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CRISTO-REI

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(03-01-2013)
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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NOTAS PSICADÉLICAS

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Georg Cantor foi um grande matemático alemão do Século XIX. Estudou o infinito, coisa muito complicada. Por exemplo, é possível adicionar 1 ao infinito? Se é, o infinito já não é infinito porque o infinito passou a ser o infinito mais 1.
Cantor achava que há vários infinitos, uns maiores que outros—o infinito dos números decimais entre 1 e 2, segundo Cantor, seria maior que o infinito dos números inteiros, por exemplo. Não foi levado a sério pelos matemáticos seus contemporâneos e morreu deprimido. Hoje, a teoria das séries ou grupos infinitos é um ramo florescente da Matemática para estudar grandes sistemas caóticos, como o clima, a Economia e a estupidez humana. Sobretudo esta porque abunda no cosmo. Eh, eh, eh...
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O MEU CABELEIREIRO

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DICIONÁRIO DO DIABO

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COBARDE adj.—O que, em emergências perigosas, pensa com as pernas.

'MILES TO GO'

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(19-07-2012)
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FIM DA LINHA

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O mais que suspeito militante do socialismo científico Baptista Bastos (BB) diz hoje no "Diário de Notícias", entre outras coisas, o que segue: A regressão a que Pedro Passos Coelho nos obrigou contém uma incerteza dramática, que o atinge, atingindo-nos cruelmente. Ele abriu a caixa de Pandora e, agora, não sabe como fechá-la. É um tonto perigosíssimo. Arruinou a pátria, não somente a pátria política, social e económica mas, sobretudo, a pátria moral. Nem daqui a duas ou três décadas o desastre será remediado, diz quem sabe.


Estou de acordo—embora julgasse isso impossível—com algumas frases de BB. Por exemplo, quando diz que Passos Coelho criou uma incerteza dramática e que é um tonto perigoso. Sem dúvida. Na sua impreparação, assumiu-se reformador/salvador e deu um passo maior que a perna. Meteu-se numa alhada donde não vai sair bem.
Mas dizer que arruinou a Pátria, é de mais—a Pátria começou a ser arruinada pelos correligionários de BB no preciso momento em que deram início ao PREC com o socialismo científico. Aí se iniciou a ruína, depois apurada pelo socialismo menos científico do PS. Foi a esquerda que cavou a sepultura, acolitada por uma direita de meias tintas e meia tigela.
Passos Coelho é um político de aviário, com meia cultura—o pior que se pode ter—e sem  lastro para o lugar de Primeiro-Ministro; mas notoriamente incapaz de provocar toda a desgraça que se abateu sobre Portugal. Afirmá-lo é sobrestimar o homem. Digamos que, à beira do abismo onde nos deixou o Zezito, Passos Coelho deu o empurrão final. Acabou a obra cuja primeira pedra foi lançada pelo Dr. Cunhal. Passos é o fim da linha duma viagem de quase 39 anos.
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TOLBACHIK

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O vulcão Tolbachik, na península russa de Kamchatka, está em actividade desde 27 de Novembro de 2012. A fotografia mostra o flanco Sul, onde a lava já atingiu 20 km de distância. Vêem-se fissuras com lava ainda quente—negras—e outras com lava mais fria e cobertas de neve—cinzento. No topo Norte, observa-se uma fissura a entrar em actividade.
A imagem foi feita pela NASA, a partir do satélite "Earth Observing-1" (EO-1).

Ver em baixo a imagem com legendas

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OS CABOS DAS TORMENTAS

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(19-07-2012)
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EH... EH... EH...

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Só lá faltava este, depois do Pereira Cristóvão! 
Volta Jorge Gonçalves!
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(Informação recebida de J. Castro Brito)
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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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O DESGASTE DA INVEJA

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De todas as características que são vulgares na natureza humana a inveja é a mais desgraçada; o invejoso não só deseja provocar o infortúnio e o provoca sempre que o pode fazer impunemente, como também se torna infeliz por causa da sua inveja. Em vez de sentir prazer com o que possui, sofre com o que os outros têm. Se puder, priva os outros das suas vantagens, o que para ele é tão desejável como assegurar as mesmas vantagens para si próprio. Se uma tal paixão toma proporções desmedidas, torna-se fatal a todo o mérito e mesmo ao exercício do talento mais excepcional
Por que é que o médico deve ir ver os seus doentes de automóvel quando o operário vai para o seu trabalho a pé? Por que é que o investigador científico pode passar os dias num quarto aquecido, quando os outros têm de expor-se à inclemência dos elementos? Por que é que um homem que possui algum talento raro de grande importância para o mundo deve ser dispensado do penoso trabalho doméstico? Para tais perguntas a inveja não encontra resposta. Afortunadamente, porém, há na natureza humana um sentimento compensador, chamado admiração. Todos os que desejam aumentar a felicidade humana devem procurar aumentar a admiração e diminuir a inveja.

Bertrand Russell in "A conquista da Felicidade"

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GNR

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(Museu da Electricidade, 05-10-2010)
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MAIS VALE TARDE QUE NUNCA

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[...] O Orçamento do Estado para 2013, aprovado pela Assembleia da República, visa cumprir o objectivo de redução do défice acordado com as instituições internacionais que nos têm emprestado os fundos necessários para enfrentar a situação de emergência financeira a que Portugal chegou no início de 2011.
A execução do Orçamento irá traduzir-se numa redução do rendimento dos cidadãos, quer através de um forte aumento de impostos, quer através de uma diminuição das prestações sociais.
Todos serão afectados, mas alguns mais do que outros, o que suscita fundadas dúvidas sobre a justiça na repartição dos sacrifícios.
Por minha iniciativa, o Tribunal Constitucional irá ser chamado a pronunciar-se sobre a conformidade do Orçamento do Estado para 2013 com a Constituição da República. [...]

Cavaco Silva
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'CLARENCE'

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(Museu da Electricidade, 05-10-2010)
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Viatura de cidade, do fabricante Binder, de Paris (103 MNC), Século XIX. A caixa tem dois lugares principais, bancada suplementar e cinco janelas com estores de rolo em cetim. No rodado, molas elípticas à frente e semi-elípticas com cruz na traseira e pneus de borracha, o que dá mais comodidade aos passageiros. O banco do cocheiro, solidário com a caixa, é elevado e tem, do lado direito, travão de disco. Puxada por dois cavalos.

O 'GENESIS' ASTROFÍSICO

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Marcus Chown foi escritor sobre temas científicos e um dia escreveu assim, num livro chamado  "The Magic Furnace": Para nós vivermos, as estrelas com milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares de milhões de anos de existência, morreram. O ferro no nosso sangue, o cálcio nos nossos ossos, o oxigénio que enche os nossos pulmões quando respiramos, foram feitos nas fornalhas das estrela que expiraram muito antes da Terra existir.
Os poetas gostam de pensar que são pó de estrela. Os cínicos dizem que somos lixo nuclear.
Na realidade, os primeiros átomos foram de hidrogénio e seus isómeros, muito simples, apenas com um protão e um electrão, eventualmente com um ou dois neutrões. Depois veio o hélio, criado por fusão nuclear do hidrogénio no centro das estrelas e só depois os elementos mais pesados como o carbono, o oxigénio, o ferro, etc. A fusão do hidrogénio para formar hélio era compreendida pelos físicos, mas o resto não. Como surgia o carbono e os outros átomos mais pesados?
Ninguém sabia até Hoyle, já aqui referido como defensor do universo eterno, ter tido uma inspiração: os elementos pesados formam-se nas estrelas quando estas entram em agonia ante mortem por falta de hidrogénio e começam a fundir os núcleos de outros átomos, para produzir energia e sobreviver algum tempo, começando pelo hélio e por aí fora. Depois morrem, explodem, dão origem às supernovae e os detritos destas espalham os átomos pesados no espaço, vindo estes, depois e eventualmente, a integrar outras estrelas recém-nascidas (o nosso 
Sol é, talvez, uma estrela de terceira geração).
A passagem do hélio, com dois protões e dois neutrões no núcleo, para o carbono, com seis protões e seis neutrões, exige três átomos do primeiro para um átomo de carbono. Mas do ponto de vista da Física Teórica tal fusão não pode ocorrer como habitualmente—é precisa uma engenhoca muito complicada, adivinhada por Hoyle, que estava errado na defesa do universo eterno, mas era um homem inspirado, sábio, íntegro e com muito mau feitio, acrescente-se em aparte.
A inspiração de Hoyle e a sua descoberta não cabem neste espaço. Mas foi tão importante que o astrofísico Gamow escreveu um texto conhecido na ciência como o Genesis, segundo Gamow. É assim, da melhor forma que consigo traduzir:

Ao princípio, Deus criou radiação e matéria. E a matéria não tinha forma
ou quantidade, e os nucleões corriam sem nexo nas profundezas.
E Deus disse: "Faça-se a massa dois". E a massa dois foi feita. E Deus viu o
deutério e que o deutério era bom.

E Deus disse: "Faça-se a massa três". E a massa três foi feita. E Deus viu o tritium e que o tritium era bom.

E Deus continuou a chamar números até aos elementos transurânio. Mas, quando olhou a sua obra, viu que não era boa. 
Na pressa de contar, esqueceu-se da massa cinco e, naturalmente, não podiam formar-se elementos mais pesados.

Deus ficou desapontado e, primeiro, queria contrair o Universo e começar outra vez do princípio. Mas não quis ser simples.
Sendo todo poderoso, Deus decidiu corrigir o engano duma maneira quase impossível.

E Deus disse: "Faça-se Hoyle". E Hoyle foi feito. E Deus viu Hoyle
e disse-lhe para fazer os elementos pesados da maneira que mais gostasse.

E Hoyle decidiu fazer elementos pesados  nas estrelas e espalhá-los
pela exposão das supernovae. Mas, para assim fazer, teve de obter
a abundância da nucleossíntese do princípio, porque Deus se
tinha esquecido de chamar a massa cinco.

E assim, com a ajuda de Deus, Hoyle fez elementos pesados, mas foi
tão complicado que hoje, nem Hoyle, nem Deus, nem ninguém,
compreende exactamente como foi feito.
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CANADÁ

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Ocasião única: papel higiénico usado, em bom estado.
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O SANGUE DE LUÍS XVI

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Luis XVI foi guilhotinado no dia 21 de Janeiro de 1793, faz dentro de menos de três semanas 220 anos. No dia da execução, muitos populares embeberam peças de vestuário no sangue do rei decapitado e tais objectos foram muito procurados durante anos, por republicanos e monárquicos. Com o tempo, foram desaparecendo e hoje já não se encontra nenhum. Excepto, talvez, uma cabaça, pertença de um tal Maximilien Bourdaloue, que recolheu o sangue real num lenço e lá o escondeu. Tal cabaça é hoje propriedade duma família italiana, os restos do lenço já mais que apodreceram, mas restam manchas rosadas no interior do recipiente.
Estudos forenses do ADN nessas manchas mostram que há uma anomalia rara no cromossoma Y que se observa também em restos mortais do rei Henrique IV, antepassado de Luís XVI. Esse facto, e mais alguns pormenores forenses, garantem, com 95% de probabilidade, que as referidas manchas são de sangue do rei executado.
Vem isto a propósito de ser dizer que a execução do rei foi complicada, por este recusar  deixar-se guilhotinar, tendo-o sido à força e sob a ameaça das espingardas. Um carta recentemente encontrada, da autoria de Charles Henri Sanson, executor-mor de Paris que se encarregou pessoalmente de Luís XVI, onde se refere que Luís XVI encarou a morte com coragem ao subir ao cadafalso e, impedido de se dirigir aos presentes, terá gritado "Povo, morro inocente". E, para Sanson e outros algozes, terá dito: "Cavalheiros, morro inocente de tudo de que sou acusado. Desejo que o meu sangue possa servir para fortalecer a felicidade dos franceses".
Não sei se serviu, digo eu, mas ainda anda por aí, segundo dizem especialistas forenses.
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COMEÇOU OUTRO ANO ! ! !

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BOM ANO

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A Lua, fotografada em quarto minguante às 22H13 de Lisboa, deseja Bom Ano aos leitores d'"O Dolicocéfalo"
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