quarta-feira, 5 de junho de 2013

OBRIGADO MARQUÊS

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Lê-se na Wikipedia:

Autos de fé, ou autos da fé, eram eventos de penitência realizados publicamente (ou em espaços reservados para isso) com humilhação de heréticos e apóstatas bem como punição dos cristãos-novos pelo não cumprimento ou vigilância da nova fé que lhes fora outorgada, postos em prática pela Inquisição, principalmente em Portugal e Espanha.
As punições para os condenados pela Inquisição iam da obrigação de envergar um sambenito (espécie de capa ou tabardo penitencial), passando por ordens de prisão e, finalmente, em jeito de eufemismo, o condenado era relaxado à justiça secular, isto é, entregue aos  carrascos da Coroa (poder secular, em oposição ao poder sagrado do clero). O estado secular procedia às execuções como punição a uma ofensa herética repetida, em consequência da condenação pelo tribunal religioso. Se os prisioneiros desta categoria continuassem a defender a heresia e repudiar a Igreja Católica, eram queimados vivos. Contudo, se mostrassem arrependimento e se decidissem reconciliar com o catolicismo, os carrascos procederiam ao "piedoso" acto de os estrangular antes de acenderem a pira de lenha.
Os autos de fé decorriam em praças públicas e outros locais muito frequentados, tendo como assistência regular representantes da autoridade eclesiástica e civil.

Falo nisto porque neste dia, 5 de Maio de 1751, faz hoje 262 anos, o Marquês de Pombal acabou com os autos de fé em Portugal. Daqui lhe tiro o chapéu por isso.
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MAR DA TRANQUILIDADE

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P&O "Ventura"
Lisboa, 02/10/2012
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O SIGNIFICADO OCULTO DAS PALAVRAS

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Imagine-se a ouvir ou a ler que ontem um carro, em plena montanha, se dirigia para Norte—sem mais explicações. A pergunta é: ia o carro a subir a montanha, ou a descer a montanha? É quase certo que o leitor pensou no carro a subir e pensaria nele a descer, se fosse para Sul.
Não acredita? A experiência foi feita e quase nunca falha; isto é, Norte é para cima e Sul é para baixo. É estúpido, mas é assim. Um australiano chamado Stuart McArthur um dia perdeu a paciência  e propôs que os mapas fossem feitos ao contrário, com o hemisfério Sul em cima, e consequentemente a Austrália também, e o hemisfério Norte em baixo, com a a Europa e a América do Norte em baixo.
Estúpido dir-se-á! Mas porquê? Porque os europeus e os americanos cairiam todos de cabeça em direcção ao Norte? Posso sossegar os leitores porque já vivi dois anos no hemisfério Sul e nunca caí. É um viés, como aquela coisa de dizer sem pensar que um quilo da chumbo pesa mais que um quilo de algodão. Os mapas podiam perfeitamente ser feitos assim e, à parte a trapalhada que era quebrar o costume, era tudo igual.
As palavras têm significados que lhes estão agarrados e nem sei se isso foi a razão da sua génese. Por exemplo, dois "carros colidiram" não desperta a mesma ideia que "dois carros esbarraram-se"—no primeiro caso o choque não é muito forte e foi a baixa velocidade, e no segundo o choque é mais forte e a velocidade maior, o que é uma burrice.
O poeta alemão Christian Morgenstern disse um dia que todas as gaivotas parecem chamar-se Ema. É subjectiva a afirmação, mas consubstancia a teoria de que as palavras têm significados inesperados, não previstos nos dicionários, tal como os nomes—uma Ana Luís, ou Margarida José que não conhecemos, não são imaginadas como uma Dulce Maria, ou Cristina Isabel.
Tudo é convencional e relativo, ou seja, o costume é rei de tudo, segundo o Poeta Píndaro que, não sei se já disse, não tive o prazer de conhecer.

MUSEU BERARDO

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John Chamberlain (1927)
Lisboa, 04/10/2012
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MORRA A ILITERACIA !

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Francisco José Viegas, na sua coluna habitual do "Correio da Manhã", fala hoje de uma edição especial do "Manifesto Anti-Dantas", de Almada Negreiros, e faz algumas considerações sobre Júlio Dantas, dizendo com graça que é o "mais famoso dos escritores desconhecidos".
Mas o importante é o "Comentário Mais Votado" que ali também figura, da autoria de João Manuel Teles Soares, enviado às 09h01m, ainda com a cabeça refrescada por um sono reparador. Reza assim:

Deus queira que esse livro não seja como o quadro que autorizas-te (sic) a venda ao rapaz da TVI PAIS DO AMARAL... E depois os outros é que são ladrões, sais-te (sic) a tempo para não dar bronca.

Chegados aqui, já todos perceberam  porque está a Pátria no estado revelado pela autópsia: há um senhor com computador e acesso à Internet, que vota e lê jornais como se comprova; que comenta o lido e verte comentários na caixa dos ditos; que escreve como se vê; e tal naco de prosa é o "Comentário Mais Votado" no jornal—catita, diria o Eça.
Preocupante manifestação de iliteracia, a roçar o analfabetismo, escolhida como melhor comentário não sei por quem—embora apreciasse saber— e aceite como tal por um jornal diário que a publica ipsis verbis, preto no branco. Tal como o Dantas, segundo Almada Negreiros, o comentador "nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever!"
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A PREVENÇÃO E A SOMBRINHA

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Lisboa, 04-06-2013
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terça-feira, 4 de junho de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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"Concord"
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Galeão de 500 toneladas, tinha 39,6 m de comprimento e 9,75 m de boca. Transportou os primeiros emigrantes alemães para a América.
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O CINISMO

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(Ficamos tão felizes com aconselhar os outros que, ocasionalmente, até o fazemos no interesse deles)
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CROMOS DO SOL NASCENTE

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Lisboa, 04-06-2013
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DICIONÁRIO DO DIABO

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Executivo, s. m—Membro do Governo cuja função é dar cumprimento à vontade do poder legislativo, até que a Justiça a declare inválida e sem efeito.

Segue um excerto do livro "The Lunarian Atonished"—Pfeiffer & Co., Boston, 1803:

Habitante da Lua (doravante Lunar): Então, porque não são as vossas leis, antes de serem executadas, validadas pela Justiça, em vez de o serem pelo Presidente?

Terrestre: Não há precedente de tal procedimento.

Lunar: Precedente? O que é precedente?

Terrestre: Precedente foi definido por 500 juristas em três volumes cada um. Como queres que saiba?
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UM INTELECTUAL RIJO

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Não enfraquecemos, nem falharemos. Vamos até ao fim. Lutaremos em França, nos mares e oceanos, lutaremos com crescente confiança e força nos ares, defenderemos a nossa ilha quaisquer que sejam os custos. Vamos lutar nas praias, nos pontos de desembarque, nos campos e nas ruas, lutaremos nos montes; nunca nos renderemos.

Winston Churchill
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TURISMO DE QUALIDADE

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Lisboa, 04-06-2013
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MEIOS E FINS

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Dois gémeos siameses nascem com órgão comuns o que impede a sobrevivência de ambos. Se forem separados, um deles sobrevive e o outro morre. É legítimo salvar um e matar o outro? Algumas vítimas dum  desastre aéreo não morrem e estão em local onde só poderão ser socorridos ao fim de tempo suficiente para morrerem de fome. Se matarem um deles e o comerem, sobrevivem. Morre um, salvam-se quatro. É legítimo fazê-lo?
Assim se põe o problema dos meios e dos fins. O consequencialismo diz que a distinção entre o certo e o errado deve ser feita exclusivamente com base nas consequências: uma acção é boa ou má em função da sua eficácia em conseguir um fim justo.
Em contraste, nos sistemas deontológicos as acções não são apenas meios—têm valor intrínseco e não só instrumental ao contribuir para um fim, seja este qual for. Por exemplo, matar é intrinsecamente mau e não pode ser justificado para garantir a sobrevivência de outrem, em nenhuma circunstância.
É complicado? Muito. Nos casos limite descritos, já o é; agora pense-se nas pequenas decisões do dia a dia—pior que um jogo de xadrez!
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ALENTEJO

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Clique na imagem para ver um filme interessante sobre o Alentejo
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--Para sair, use o botão de retrocesso do browser--

(Com colaboração de Pedro Masson)
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HONRAR OS MORTOS NO FEMININO

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Lisboa, 04-06-2013
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segunda-feira, 3 de junho de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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"Harriot"
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Brigue inglês c. 1828
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PESCAR COM ARMA DE DOIS CANOS

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O OVO CÓSMICO

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Três minutos depois do Big-Bang, 75% do material do universo eram protões, 24% núcleos de hélio (2 protões e 2 neutrões), uma pequena quantidade de deuterões (núcleos de deutério, com um protão e um neutrão) e pequenas quantidades doutras partículas leves, entre as quais electrões.
Cerca de 300.000 anos mais tarde, a temperatura havia baixado e era próxima dos 10.000 graus, semelhante à da superfície do Sol. Finalmente, os electrões, com carga negativa, tornaram-se sensíveis à atracção da carga positiva dos protões dos núcleos e combinaram-se com eles, formando os primeiros átomos de hidrogénio. O espaço tornou-se permeável à radiação electromagnética que o invadiu em todas as direcções. Hoje conseguimos detectar essa radiação, com enorme comprimento de onda, na faixa das micro-ondas, devido à expansão do universo—é a radiação cósmica  de fundo, fóssil do Big-Bang.
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SILHUETAS

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Lisboa, 21-10-2012
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MAIO, MÊS DA RESTAURAÇÃO*

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Leio que o Primeiro-Ministro disse hoje estarem os portugueses já próximos de um marco importante qual é o de encerrar esta primeira fase de emergência nacional que se concluirá no termo do programa de assistência económica e financeira. Receio que o encerramento não se fique pela dita fase e inclua também o País—já faltou mais!
Ainda no mesmo discurso inspirado, o chefe terá manifestado crença numa nova "restauração nacional", aquando do final do programa de assistência da "troika", em Maio de 2014. Que maravilha!... Portugueses celebremos/o dia da redenção/em que valentes ministros/nos deram livre a Nação.
O puto já não deve dormir tão bem como dizia: Deus não quer, o homem tem pesadelos e a borrada  nasce—ganda Coelho!
E pelo Gaspar não vai nada?
Tudo!...
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* Não é a restauração de vinhos e petiscos
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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE

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Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Domingos de Benfica.
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...eh...eh...eh...
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'TEMPUS FUGIT'

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Numa peça de 1993 chamada "Arcadia", escrita por um tal Stoppard, a personagem Thomasina diz a folhas tantas que, se em dado momento fosse possível parar todos os átomos do universo nas suas posições e movimentos, e se conhecêssemos completamente a lei que governa o cosmos, era possível  escrever a fórmula do futuro. E acrescenta: embora não exista ninguém tão inteligente capaz de o fazer, essa lei existe. 
Na realidade, anda toda a investigação científica e reflexão filosófica à procura dela. Mas o que interessa no bitaite de Thomasina é uma coisa aparentemente marginal a ele. Do seu ponto de vista, o tempo não conta; é um personagem passivo. As leis do universo são intemporais e o futuro está todo escrito nelas.
Anaximandro de Mileto, mais de vinte e cinco séculos antes, dizia que todas as coisas resultam doutras coisas e seguem para outras...  Até aqui, Anaximandro parece estar de acordo com Thomasina. Mas o grego era sábio e prudente e acrescentava: ...em conformidade com a ordem do tempo.
Em resumo, serve isto para perguntar: são os fenómenos do universo reais e o tempo uma ilusão do homem? Não é fácil dizê-lo—o passado foi real, mas já não é; o futuro será real, mas ainda não é. O tempo é uma sucessão de momentos, mas a verdade, a Justiça, as leis da Física e muitas mais coisas, aparentemente, existem fora dele, diz-se.
Será? Não sei, mas gostava de saber! Ando a estudar.
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A FOICE E O MARTELO

A FOICE
E O MARTELO


Benfiquista é inteligente e civilizado. 

Tem fair play e sentido de humor.

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DAI-LHE SENHOR O SENSO COMUM

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Hoje, no jornal "i", uma tal Ana Sá Lopes, que tenho o prazer de não conhecer, mostra-se agastada porque Tozé não deu cavaco a Soares e não pôs os pés na Aula Magna, nem mandou mensagem como Pacheco Pereira.
Em minha opinião, Pacheco Pereira escreveu uma peça controversa aqui e ali, mas boa. Não devia era tê-la mandado para aquele ajuntamento. Nesse aspecto—faça-se justiça—Tozé foi bastante mais sensato e ficou de fora física e politicamente.
O Dr. Soares é um insensato a quem deu um ataque convulsivo anti-governo. Está no seu direito, como eu estou, porque sofro de ataque semelhante. Mas manda o senso comum saber escolher aliados para consumar o acto de mandar o executivo para a fogueira e o Dr Soares não tem senso—nunca teve. Numa inquietação infantil, alia-se a tudo quanto aparece para levar a sua vontade avante. Até os dirigentes comunistas já perceberam que Soares não é boa companhia.
Porque não se cala e sossega o homem? A sua figura é tão patética que começa a ser doloroso bater-lhe.
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domingo, 2 de junho de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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O "Mir" no primeiro plano, ao fundo o "Alexander von Humboldt", com velas verdes, e no meio, provavelmente o "Kruzenshtern", embora não esteja certo de tal.
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IGREJA DA LUZ

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Lagos, Luz, 16-04-2013
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UM ESTUÁRIO COMO DEVE SER

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DISCURSO DIRECTÍSSIMO

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O Ministro das Finanças, Vítor Gaspar,  tornou-se  um problema e bastante inútil para o Governo.

O Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho tem de pensar seriamente em prescindir de Vítor Gaspar depois das eleições autárquicas.

Os erros e o discurso interno são de tal forma desastrosos que não compensam o prestígio externo de Vítor Gaspar.

Sempre disse que Vítor Gaspar era uma mais-valia, mas começa a ser uma menos-valia para o Governo.

Se eu fosse Primeiro-Ministro ele tinha os dias contados; mas não sou Primeiro-Ministro.


Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa, ou Professor Martelo
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...eh...eh...eh...
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PENSAMENTO SOBRE O PENSAMENTO

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PASSE A PUBLICIDADE

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Um espaço simpático...

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...com vista em conformidade.
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02-06-2013
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MAIS LINDO QUE AS GRAÇAS DO MAR

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S. FRANCISCO, 1906

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Era assim o trânsito na Market Street, quatro dias antes do terramoto que destruiu a cidade. 
Motivo para admirar como o sismo não ocorreu antes—pior que em Nápoles!
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(Com colaboração de J. Castro Brito)
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ABAIXO A AUSTERIDADE ! ! !

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Desta massa é que eles se fazem.
Grândola, vila morena/Terra da fraternidade . . .
.(Com colaboração de J. Castro Brito)
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A CULPA FOI DA SALOIADA

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A autópsia de como Portugal chegou a este estado de pré-falência está no roteiro do último quarto de século elaborado por Augusto Mateus. Milhões para asfalto, betão e ilusão de riqueza a crédito.

Alberto Esteves Pereira in "Correio da Manhã"
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AS LUZES DA LUZ

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Lagos, Luz, 16-04-2013
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sábado, 1 de junho de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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"Augustine Caën"
Escuna francesa de 1851
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DA NORUEGA À TRAFARIA

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15-05-2013
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BALÕES DE OXIGÉNIO PARA UM GOVERNO

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[...] A intervenção que emocionou a noite coube ao reitor da Universidade de Lisboa, um tal Sampaio da Nóvoa. O dr. Nóvoa parece carenciado em matéria de ligações à realidade, mas pródigo em lirismo. Sempre sob intensos aplausos, explicou que "Agora é preciso construir caminhos". E que "Um encontro [das esquerdas] pode decidir uma vida". E que "Não podemos perder a Pátria nem por silêncio nem por renúncia". E que "Abril abriu-nos à vida". E que "Sentimos este desespero de quem está a morrer na praia às mãos de visões curtas, estreitas e desumanas". E que "Podemos falar, podemos conversar e agir em conjunto". E que "É preciso renovar a política".
Convém notar que a reitoria da UL continua a primar pela excelência intelectual: a verborreia do dr. Nóvoa mantém os níveis estabelecidos por José Barata Moura, autor de Joana come a papa. Convém notar ainda que a única esquerda assumida capaz de chegar ao poder esquivou-se, horrorizada, à demonstração de arrogância antidemocrática levada a cabo pelos diletantes da Aula Magna: até António José Seguro percebe que, a existir um dia, a sua legitimação nunca advirá da vontade de uma clique privilegiada e caduca que brinca, felizmente sem consequências, a decidir quem manda à revelia dos cidadãos. Não sei se António José Seguro percebe que, pelas comparações que suscitam, brincadeiras assim constituem uma rara justificação para a sobrevivência de um Governo em frangalhos. [...]
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Alberto Gonçalves (para ler amanhã no "Diário de Notícias")
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(O sublinhado é meu)
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GASPAR CORTE REAL

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Assim foi ele "apanhado" no dia 14 de Abril do AD de 2013
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JORNALISMO 'DE PONTA'


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UMA GAIVOTA DO CÉU DE LISBOA


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Lisboa, 15-01-2013

O LIVRO DO LEVÍTICO

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Falava ontem do dilema de Eutífron e da teoria do comando* divino relativamente ao que é moral e imoral—é a moral um preceito religioso, ou existe moral sem religião; ou melhor, são as coisas boas porque Deus gosta delas, ou Deus gosta delas porque são boas?
Lendo mais umas linhas, encontro dificuldades adicionais no tema. Os textos religiosos serão o principal meio de Deus dar a conhecer a sua vontade e para quem defende o comando divino como fonte da ética, é deles que resulta o conhecimento do que é bom e mau. Mas há vários exemplos de aparentes contradições em textos sagrados, difíceis de explicar.
Por exemplo, leio que no Livro do Levítico se diz aproximadamente  o seguinte: "Se um homem se deitar com outro homem como se deita com uma mulher, ambos praticaram um acto repugnante. Terão que ser executados, pois merecem a mor­te" (nunca li o Livro do Levítico e estou a transcrever, conforme um texto de Ben Dupré, professor de Oxford, em princípio credível). E acrescenta este autor: "Sendo a Bíblia a palavra de Deus, e definindo a palavra de Deus o que é bom e mau, a execução de homossexuais activos seria moralmente justificada, em contradição com o sentimento  universal actual, e até com o mandamento bíblico de que "não matarás". Segundo suponho, esta matéria tem sido objecto de discussões sobre a tradução da Bíblia e outras filigranas linguísticas, mas o essencial do problema mantém-se.  Exemplos equivalentes podem ser encontrados noutros textos sagrados, o que não é bom para as religiões.
O problema da teoria do comando divino da moral é que, na ausência de crença religiosa, é fácil esvaziar a ética. Não se vê inconveniente em que esta seja moldada por religiões; mas é perigoso que decorra exclusivamente delas.

*Ignoro se "comando" é o termo certo em português, mas serve para o efeito pretendido.
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PRIMAVERA

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Lisboa, 01-06-2013
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UMA QUESTÃO DE DECÊNCIA

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Pacheco Pereira é uma figura rebarbativa que não faz muito o meu género. Intelectualmente superior, insere-se tal intelecto numa personalidade que é "do contra" por sistema e desagradável por vocação. Não posso, contudo, estar em desacordo com ele por princípio daí decorrente, sob pena de enfermar do mesmo mal.
Pacheco Pereira escreveu uma carta ao Dr. Soares, a propósito da reunião paralítica contra o actual governo, realizada uma destas noites na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa. Nela diz coisas boas e menos boas, em minha opinião; mas vale a pena lê-la. O essencial vai transcrito a seguiro resto é  "palha".

[...] O que está a acontecer em Portugal é a conjugação da herança de uma governação desleixada e aventureira, arrogante e despesista, que nos conduziu às portas da bancarrota, com a exploração dos efeitos dessa política para implementar um programa de engenharia cultural, social e política, que faz dos portugueses ratos de laboratório de meia dúzia de ideias feitas que passam por ser ideologia.
Tudo isto associado a um desprezo por Portugal e pelos portugueses de carne e osso, que existem e que não encaixam nos paradigmas de “modernidade” lampeira, feita de muita ignorância e incompetência, a que acresce um sentimento de impunidade feito de carreiras políticas intrapartidárias, conhecendo todos os favores, trocas, submissões, conspirações e intrigas de que se faz uma carreira profissionalizada num partido político em que tudo se combina e em que tudo assenta no poder interno e no controlo do aparelho partidário.
Durante dois anos, o actual Governo usou a oportunidade do memorando para ajustar contas com o passado, como se, desde que acabou o ouro do Brasil, a pátria estivesse à espera dos seus novos salvadores que, em nome do "ajustamento" do défice e da dívida, iriam punir os portugueses pelos seus maus hábitos de terem direitos, salários, empregos, pensões e, acima de tudo, de terem melhorado a sua condição de vida nos últimos anos, à custa do seu trabalho e do seu esforço.
O "ajustamento" é apenas o empobrecimento, feito na desigualdade, atingindo somente "os de baixo", poupando a elite político-financeira, atirando milhares para o desemprego, entendido como um dano colateral não só inevitável como bem-vindo para corrigir o mercado de trabalho, "flexibilizar” a mão-de-obra, baixar os salários. Para um social-democrata, poucas coisas mais ofensivas existem do que esta desvalorização da dignidade do trabalho, tratado como uma culpa e um custo, não como uma condição, um direito e um valor.
Vieram para punir os portugueses por aquilo que consideram ser o mau hábito de viver "acima das suas posses", numa arrogância política que agravou consideravelmente a crise que tinham herdado e que deu cabo da vida de centenas de milhares de pessoas, que estão, em 2013, muitas a meio da sua vida, outras no fim, outras no princípio, sem presente e sem futuro.
Para o conseguir, desenvolveram um discurso de divisão dos portugueses que é um verdadeiro discurso de guerra civil, inaceitável em democracia, cujos efeitos de envenenamento das relações entre os portugueses permanecerão muito para além desta fátua experiência governativa. Numa altura em que o empobrecimento favorece a inveja e o isolamento social, em que muitos portugueses têm vergonha da vida que estão a ter, em que a perda de sentido colectivo e patriótico leva ao salve-se quem puder, em que se colocam novos contra velhos, empregados contra desempregados, trabalhadores do sector privado contra os funcionários públicos, contribuintes da segurança social contra os reformados e pensionistas, pobres contra remediados, permitir esta divisão é um crime contra Portugal como comunidade, para a nossa Pátria. Este discurso deixará marcas profundas e estragos que demorarão muito tempo a recompor. [...]

 [...] Precisamos de ajudar a restaurar na vida pública um sentido de decência que nos una e mobilize. Na verdade, não é preciso ir muito longe na escolha de termos, nem complicar os programas, nem intenções. Os portugueses sabem muito bem o que isso significa. A decência basta.   
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(Com colaboração de António-Pedro Fonseca e J. Castro Brito)
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