quinta-feira, 27 de maio de 2010

RESPOSTA ATEMPADA AO ELEVADO VOLUME DE TRABALHO

Mafalda Coelho Moreira nasceu em 20 de Janeiro de 1983, é licenciada em Direito, de fresca data – tem de ser! - e, segundo o Correio da Manhã, no ano passado auferiu rendimentos pouco superiores a 1.000 euros mensais.
Mas as dificuldades acabaram, pelo menos por agora: em 6 de Maio, foi nomeada para o gabinete do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Sérgio Tavares Vasques, a fim de realizar consultas e estudos de natureza técnico-jurídica, pelo período de um ano, renovável sucessiva e automaticamente por iguais períodos de tempo, com a remuneração mensal de 4.088 euros, à qual acresce o IVA à taxa em vigor. Segundo o jornal i, é mais do dobro do vencimento de muitos juristas do Ministério mas - diz o governante - justifica-se, dada a necessidade de “dar resposta atempada ao elevado volume de trabalho”. A jovem licenciada deve ser uma verdadeira locomotiva jurídica!
Já teve página no Facebook, mas eclipsou-se. Porque terá sido?
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A AUTORIDADE É POUCA, MAS...

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

O ERRO DE ANTERO DE QUENTAL

(Socialism)
[...] O socialismo não é nem a subversão violenta das instituições e dos costumes, nem a palingenesia messiânica milagrosamente revelada, para acabar para sempre com os males humanos, por este ou aquele inspirado profeta de tal ou qual cenáculo de crentes: e não é uma coisa, exactamente porque não é a outra. Não há nisto paradoxo. Quero dizer que o socialismo não ameaça as instituições e os costumes, que constituem o organismo e a tradição da humanidade, precisamente porque não é uma invenção do pensamento individual um sistema sem raízes históricas, exterior à realidade social, mas sai, pelo contrário, da tradicção e da história, é a própria história e tradicção num período das suas transformações contínuas, um parto da razão colectiva e um fruto natural do mesmo desenvolvimento da sociedade. É por isso que a não ameaça, porque a sociedade não se destrói a si mesma: desenvolve-se e transforma-se; o socialismo não é mais do que a palavra que quadra ao grau de transformação e desenvolvimento do momento actual. O que foi no primeiro quartel deste século o liberalismo, o que três ou quatro séculos antes havia sido a monarquia, e antes cinco ou seis as comunas e o feudalismo, é o que será amanhã (e já hoje começa a ser) o socialismo: um novo período e uma nova forma no organismo das sociedades europeias. Tão inevitável como aqueles, será como eles tão benéfico e tão pouco subversivo, sendo, como eles foram, não um resultado fortuito de opiniões e interesses de indivíduos, mas um facto necessário da Providência imanente na história. [...]
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Antero de Quental in “Oliveira Martins”
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Nota: Este texto, literariamente sedutor, foi escrito há 116 anos. Desde lá a sociedade evoluiu, incluindo experiências falhadas do chamado "socialismo científico", mas não como Antero de Quental previa. A sua previsão foi, essa sim, uma "invenção do pensamento individual". A colectividade das mulheres e dos homens, chamada sociedade, é mais complicada que a soma das complicações pessoais e prega partidas a quem se aventura em profecias sociológicas.
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PRAGA

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SEXTA-FEIRA 13

Sexta-feira 13 é dia de azar; dizem! E quantas vezes se pode ter azar?
No Calendário Gregoriano - que é o nosso - um ano é igual a si mesmo de 400 em 400 anos, isto é, com os mesmos dias de cada mês nos mesmos dias da semana. Tal corresponde a 4.800 meses e outros tantos dias 13, dos quais 668 ocorrem à sexta-feira. A probabilidade é ligeiramente superior a 1 sexta 13 em cada 7 meses, embora a irregularidade seja muito grande. Há anos com uma, com duas e com três sextas 13 - 1998 teve três, 1999 e 2000 apenas uma.
Como ninguém vive quatro séculos como o Matusalém, o número de dias de azar numa vida é altamente personalizado. É uma discriminação da natureza, a juntar a outras.
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O ESCÂNDALO É GERAL!...

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Há crise? Qual crise?

A do povão... "prontes"!

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HÁ OSSOS E OSSOS




Florentino Pérez foi presidente do Real Madrid de 2000 a 2006, e de 2009 até hoje. Nestes anos triturou 7 treinadores: Vicente Del Bosque, Carlos Queiroz, José Antonio Camacho, Mariano García Remón, Vanderlei Luxemburgo, Juan Ramón López Caro e Manuel Pellegrini.
Agora terá, provavelmente, um osso duro para roer. Veremos quem rói melhor.

A IRONIA NA POLÍTICA

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O PCP não fará mais perguntas ao primeiro-ministro no âmbito do inquérito parlamentar ao 'caso TVI' por considerar que seria «um exercício inútil» dada a «falta selectiva de memória» de José Sócrates, disse o deputado do PCP João Oliveira.
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In SOL
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BRANCO NO PRETO

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António de Sousa

Presidente da Associação Portuguesa de Bancos

terça-feira, 25 de maio de 2010

DÉJÀ VU


[...] Trocadas as descomposturas preliminares sobre a questão da fazenda, decide-se que é indispensavel, ainda mais uma vez, recorrer ao crédito, e faz-se um novo empréstimo. No ano seguinte averigua-se por cálculos cheios de engenho aritmético que para pagar os encargos do empréstimo do ano anterior não há outro remédio senão recorrer ainda mais uma vez ao país, e cria-se um novo imposto.
Fazem-se empréstimos para suprir o imposto, criam-se impostos para pagar os juros dos empréstimos, tornam-se a fazer empréstimos para atalhar os desvios do imposto para o pagamento dos juros, e n'este interessante círculo vicioso, mas ingénuo, o deficit—por uma estranha birra, admissível n'um ser teimoso, mas inexplicável n'um mero saldo negativo, em uma não existência,—aumenta sempre através das contribuições intermitentes com que se destinam a extingui-lo já o empréstimo contraído, já o imposto cobrado.
Assim como os alforges dos antigos pobres das feiras e das extintas ordens mendicantes, o deficit tem dois sacos, um para diante outro para trás, ambos destinados a receber o vácuo. N'um dos sacos mete-se a dívida flutuante, no outro mete-se a dívida consolidada. De quando em quando há um relâmpago de júbilo, porque parece por um momento que o alforge do deficit está vazio, isto é, que está sem vácuo dentro: é a divida, que se achava em estado de flutuação no saco da frente, que passou no estado de consolidação para o saco de trás.
A alegria fugaz mas intensa que provem da ilusão d'esta gigajoga vale o dinheiro que custa, mas custa sempre alguma coisa, porque de todas as vezes que eles mexem na dívida, seja para o que fôr, mesmo para a mudar de saco, ela cresce.
Pela parte que lhe respeita o país espera. O quê? O momento em que pela boa razão de não haver mais coisa que se colecte, porque estará colectado tudo, deixe de haver quem empreste por não haver mais quem pague. [...]
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Eça de Queirós in "As Farpas" (Junho de 1882)
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TERESA TAROUCA

(Fado)

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Não sou fadista de raça

EMOÇÕES CONTRADITÓRIAS

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I am very honored to have one of my paintings, "Conflicting Emotions" selected for the cover of “Psicologia” the Journal published by the Portuguese Association of Psychology.
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Carolle Clarck



PARIS

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. Vista da Ponte de Notre Dame

AGUARELA PORTUGUESA

(Portuguese watercolor)
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O risco da dívida portuguesa é o quarto que mais sobe no mundo esta manhã, colocando Portugal na sexta posição da tabela mundial dos países com maior risco de incumprimento, de acordo com os dados da agência de informação financeira Bloomberg.
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Os cortes nas verbas destinadas a prémios de desempenho e progressões facultativas na função pública vão afectar cerca de 45 mil funcionários, que verão a sua carreira ficar parada até que o plano de austeridade decretado pelo Governo seja suspenso ou flexibilizado.

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As contas poupança da Caixa Geral de Depósitos remuneram a uma taxa mais baixa desde ontem. Apesar do preçário dos produtos focados nos jovens, reformados e emigrantes ter sofrido uma redução, as contas poupança-habitação foram as mais penalizadas: os juros caíram para metade.
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A bolsa nacional acentuou a tendência de queda e segue já a perder mais de 3%.
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Mas...
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A crise parece não ter chegado à Assembleia da República. Só para transportes os deputados irão receber mais 25% do que em 2009, ou seja, mais 780 mil euros do que no ano anterior.
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O secretário de Estado dos Transportes reiterou a intenção de lançar um novo concurso para o troço Lisboa-Poceirão, que inclui a terceira travessia do Tejo, dentro de seis meses, e assegurou a construção da totalidade da linha Lisboa-Madrid.
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A OUTRA FACE DE VENEZA

. (Venice)
. Calor, mosquitos e cheiro a "maré baixa"

TOMEM JUIZO!


O secretário de Estado dos Transportes disse ontem não sei quantas burrices, mas destaco três:
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1. O preços dos títulos dos transportes públicos vão ser revistos.
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Leia-se que vão ser aumentados. É o estado social a funcionar em pleno num país pelintra. Quer dizer: quando se exagera na concessão de benesses para que se não tem dinheiro, acaba-se a prejudicar de forma grave exactamente aqueles que foram enganados ao recebê-las.
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2. A realidade é extremamente volátil. Andamos ao sabor dos 'ratings' da República e dos 'spreads'. Hoje em dia, talvez seja mais fácil prever o Totobola do que prever como é que os mercados vão funcionar no dia seguinte.
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É o momento de perguntar a S.Exa porque andam os ratings desta República sul-americana tão voláteis. Será porque gerimos com parcimónia e bom senso os nossos recursos? Se não gerimos, quem o fez?
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3. Temos de ser comedidos nas afirmações, porque não sabemos o que vamos enfrentar.
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Acha S.Exa que o governo tem tido essa preocupação? Que não diz hoje o desmentido amanhã, num ridículo só ultrapassado pela tragédia de tal irresponsabilidade ao lançar os portugueses na maior ânsia, num mar de incertezas quanto ao futuro?
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Vai-te lixar manjerico!
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CONCURSISTA

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

SOMOS DOIS?

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Não deveis estranhar se hoje vedes poltrão aquele que ontem vistes tão intrépido: ou a cólera, ou a necessidade, ou a companhia, ou o vinho, ou o som de uma trombeta, tinham-lhe incutido coragem. Não se trata de uma coragem que a razão haja modelado; foram as circunstâncias que lhe deram consistência; não espanta, pois, que circunstâncias contrárias a tenham transformado.
Esta tão flexível variação e estas contradições que em nós se vêem, fizeram com que alguns imaginassem termos duas almas, e que outros supusessem que dois poderes nos acompanham e agitam, cada qual à sua maneira, um tendendo para o bem, o outro para o mal, já que tão brutal diversidade não poderia atribuir-se a uma só entidade.
Não somente o vento dos acidentes me agita consoante a direcção para que sopra, mas, ademais, eu agito-me e perturbo-me a mim próprio pela instabilidade da minha postura; e quem, antes do mais, se observar, nunca se achará duas vezes no mesmo estado. Confiro à minha alma ora um rosto ora outro, conforme o lado sobre que a pousar. Se falo de mim de diferentes maneiras é porque de maneiras diferentes me observo. Toda a sorte de contradições se podem encontrar em mim sob algum ponto de vista e sob alguma forma. Envergonhado, insolente; casto, luxurioso; tagarela, taciturno; duro, delicado; inteligente, estúpido; irascível, bonacheirão; mentiroso, veraz; douto, ignorante; generoso, avaro e pródigo: tudo isto vejo em mim de algum modo, conforme para onde me viro.
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Michel de Montaigne, in 'Ensaios - Da Inconstância das Nossas Acções'
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FILOSOFIA ESPANHOLA

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VOLTA JOÃO ESTEVES!...



Já vós ouvistes bem quanto os reis antigos fizeram por encurtar nas despesas suas e do reino, pondo ordenações em si e nos seus, por terem tesouros e serem abastados. Porque sendo o povo rico, diziam eles que o rei era rico, e o rei que tesouro tinha, sempre era prestes para defender seu reino e fazer guerra quando lhe cumprisse, sem agravo e dano de seu povo, dizendo que nenhum era tão seguro de paz que pudesse carecer de fortuna não esperada.
E para encaminharem de fazer tesouro, tinham todos esta maneira: em cada um ano eram os reis certificados, pelos vedores de sua fazenda, das despesas todas que feitas haviam, assim em embaixadas como em todas as outras coisas, que lhe necessariamente convinham fazer, e diziam-lhe o que além d'isto sobejava de suas rendas e direitos, assim em dinheiros como em quaisquer coisas, e logo era ordenado que se comprasse d'eles certo oiro e prata para se pôr no castelo de Lisboa, em uma torre, que para isto fôra feita, que chamavam a torre albarrã. [...]
El-rei Dom Pedro, como reinou, pareceu a alguns que não tinha sentido de ordenar que acrescentassem no tesouro, que os antigos com grande cuidado começaram de guardar. E vendo isto um seu privado, que chamavam João Esteves, houve-o por grande mal, e propôs de lh'o dizer, e falando el-rei com ele uma vez, em coisas de sabor, disse ele a el-rei em esta guisa: Senhor, a mim parece, se vossa mercê fosse, que seria bem de proverdes vossa fazenda, e ver o que se dispender pode, e, do que sobejar, encaminhardes como acrescenteis alguma cousa nos tesouros que vos ficaram de vosso padre e de vossos avós, para fazerdes o que os outros reis fizeram, e para terdes que dispender mais abundosamente se vos alguma necessidade viesse à mão, cá muito mais com vossa honra dispendereis vós acrescentando no tesouro que tendes, que gastar o que os outros reis deixaram, sem pôr n'ele nenhuma coisa.
A estas e outras razões respondeu el-rei que dizia bem, e que lhe pusesse em escrito quanto era o que renderiam seus direitos, e a despesa que se d'elo fazia. [...]
E ordenou logo, como se pusesse cada ano, em oiro, e prata, e moedas, tudo o que sobejasse de suas rendas, nos lugares acostumados onde os reis punham seu haver; porém que dizia el-rei que não fazia pouco quem guardava o tesouro que lhe ficava de outrem e se mantinha nos direitos que havia de seu reino, sem fazendo agravo ao povo, nem lhe tomando do seu nenhuma coisa. [...]

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Fernão Lopes in “Crónica d’El Rei D. Pedro”
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(A figura à direita é de Fernão Lopes)
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