quarta-feira, 6 de abril de 2011

ASSIM ESCREVIA FERNÃO LOPES (1440-50)

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[...] Morto El-Rei D. Afonso, como haveis ouvido, reinou seu filho, o infante Dom Pedro, havendo então de sua idade trinta e sete anos e um mês e dezoito dias. E porque dos filhos que houve, e de quem, e por que guisa, já compridamente havemos falado, não cumpre aqui arrazoar outra vez; mas das manhas, e condições, e estados de cada um, diremos adiante, muito brevemente, onde convier falar de seus feitos.
Este rei Dom Pedro era muito gago, e foi sempre grande caçador e monteiro, em sendo infante e depois que foi rei, trazendo grande casa de caçadores e moços de monte e de aves, e cães, de todas maneiras que para tais jogos eram pertencentes. [...]

[...] Este rei não quis casar: depois da morte de Dona Inês, em sendo infante, nem depois que reinou, lhe prove receber mulher; mas houve amigas com que dormiu, e de nenhuma houve filhos, salvo de uma dona, natural de Galiza, que chamaram Dona Teresa, que pariu um filho que houve nome Dom João, que foi mestre de Aviz em Portugal e depois rei, como adiante ouvireis, o qual nasceu em Lisboa onze dias do mês de Abril, às três horas depois do meio dia, no primeiro ano do seu reinado. E mandou-o El-Rei criar, em quanto foi pequeno, a Lourenço Martins da Praça, um dos honrados cidadãos dessa cidade, que morava junto com a Igreja Catedral onde chamam a praça dos Canos, e depois o deu, que o criasse, a Dom Nuno Freire de Andrade, mestre da Cavalaria da ordem de Cristo. [...]
Fernão Lopes in “Crónica de El-Rei D. Pedro I”
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