domingo, 16 de dezembro de 2012

NECROLOGIA DAS LÍNGUAS

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(Pormenor do "US Census Bureau Report" de 2006-2008) 

De acordo com a UNESCO, três línguas foram consideradas extintas desde 1992. Nesse ano, o Ubyh da Turquia morreu com o único cidadão que o conseguia falar e entender. Em 2003, aconteceu o mesmo com o Akkala Saami da Federação Russa. E em 2008, com o passamento de Marie Smith Jones do Alasca Americano, morreu o Eyak.
Há cerca de 6.500 línguas no mundo e cerca de metade estão em risco de extinção. Porquê? Porque a outra metade as substitui, por serem línguas mais úteis do ponto de vista social e antropológico.
Os Estados Unidos, País de forte imigração, é um bom laboratório para estudo do fenómeno. Numa população a rondar os 280 milhões, cerca de 55 milhões falam outra língua em casa, que não inglês, mas quase metade desses fala inglês fluentemente. A outra metade são os velhos que vão desaparecer daqui a tempo mais ou menos curto. Com as próximas gerações, acaba a língua de origem na família.
Dir-se-á que isso se deve à inclusão numa população muito maior e muito próxima e à pressão desta sobre comunidades mais pequenas. É verdade, mas provavelmente trata-se do caso extremo de um fenómeno global que trabalha da mesma forma, embora mais suave e lentamente.
Em boa verdade, e já aqui o disse, esta coisa da Babel das muitas línguas não tem interesse funcional. É importante do ponto de vista histórico e cultural, sem dúvida, mas não tem vantagem para as relação dos povos, sejam económicas ou políticas. E a prova do que digo é o domínio actual do inglês, transformado a martelo no Esperanto internacional, com todas as suas matizes, desde o English of Oxford, até ao inglês técnico e macarrónico do Zezito.
Eventualmente, outra língua assumirá um dia o papel actual do inglês, talvez o chinês ou o espanhol, mas isso é a prova que tem de haver uma língua quase comum, na ausência da língua única. É a experiência a corrigir a tradição, a acção e a reacção.

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