Segundo o próprio,
Mário Soares não viu tanta fome em Portugal "nem no tempo de
Salazar". O que explica isto? Na versão clínica, talvez a hipótese de a memória
do dr. Soares sofrer de alguns percalços. Na versão conspirativa, talvez a
hipótese de o dr. Soares afinal não passar de um revisionista de Maio
disfarçado de campeão de Abril. Na versão plausível, talvez a hipótese de o dr.
Soares proferir os disparates que julga necessários aos seus objectivos.
Hoje, é ele mesmo
quem confessa: "Toda a gente diz na televisão que não há dinheiro para
comprar pão, para comprar nada, tem de ir pedir, ir aos caixotes de lixo.
Alguma vez se viu isto em Portugal? Eu tenho 88 anos e nunca vi. Sinceramente
nunca vi, nem [todos juntos, agora] no tempo de Salazar." Em suma, a
perspectiva histórica de um dos maiores vultos do Portugal contemporâneo
fundamenta-se exclusivamente no que lhe chega através dos "telejornais",
inexistentes ou inconsequentes durante o Estado Novo e incansáveis em
denúncias, com ou sem aspas, desde que, para irritação de muitos amigos do dr.
Soares, Cavaco Silva abriu as ondas hertzianas à iniciativa privada. [...]
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Alberto Gonçalves in "Diário de Notícias"
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