O homem chamado Francesco
di Bernardone, conhecido hoje como S. Francisco de Assis, era muito magro,
mesmo esquelético, e de aparência simples. Usava uma túnica suja, uma corda a
servir de cinto e andava descalço. Quando pregava, frequentemente fazia imitações
de animais, chorava, dançava, despia-se até ficar em roupa interior e tocava cítara. Os olhos
negros brilhavam e muita gente considerava-o louco ou perigoso. Atiravam-lhe
lixo e as mulheres fechavam-se em casa quando se aproximava.
Francisco
aceitava tudo isto com serenidade e as qualidades que de princípio faziam
pensar ser um excêntrico, eventualmente fizeram-no parecer santo. As suas
palavras, dizia um escritor, eram suaves, ardentes e penetrantes. Quando
falava, tinha forma de transformar todo o corpo em língua. Nesta fase, quando
chegava às cidades, os sinos tocavam e o povo roubava a água com que lavava os
pés, que se dizia curar as vacas doentes.
Anos antes de
morrer, Francisco foi considerado santo e, em oito séculos, não perdeu
prestígio. Depois da Virgem Maria, é o mais conhecido e homenageado dos santos
católicos. Francisco é especialmente considerado pelos partidários das causas
de esquerda: movimentos de defesa dos direitos dos animais, do feminismo, da
ecologia, do vegetarianismo (embora não fosse vegetariano). Mas não é preciso
ser de esquerda para gostar de Francisco. Ele é o santo padroeiro—com Catarina
e Bernardo de Siena—da nação italiana.
Assim começa um extenso
e interessante artigo, intitulado "Rich Man, Poor Man", publicado em
14 de Janeiro deste ano na revista "The New Yorker" que pode ler aqui. Da autoria da escritora e jornalista Joan Acocella, vale a pena ler.
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