quinta-feira, 13 de junho de 2013

É A ECONOMIA, ESTÚPIDO

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A coluna de Manuel Maria Carrilho no DN, chamou-me a atenção para Daniel Cohen, vice-presidente da Escola de Economia de Paris. Cohen diz coisas importantes num artigo do "L' Express"; nomedamente:


Vivemos num mundo onde a Economia tende a ocupar-se de tudo: emprego, crescimento, carreiras, o que interessa às pessoas. Por mim, lamento este caminho para o "tudo-económico", mas temos  de o constatar. De repente, voltámo-nos para os economistas, como se fossem profetas do tempo moderno.  
Mas não são, nem nunca serão. Estão mais próximos dos biologistas que estudam a evolução. Um grande sábio pode explicar porque tem a girafa um pescoço tão comprido, mas é incapaz de prever a evolução da espécie.
Somos fortes a racionalizar a posteriori  tal ou tal fenómeno. Sobre a crise dos anos 1930, por exemplo, fez-se um trabalho intelectual considerável. Mas somos totalmente incapazes de saber qual será o regime de crescimento nos próximos trinta ou quarenta anos, e as respostas a perguntas angustiadas são forçosamente decepcionantes.
Mas não se prestam os economistas a este papel de prever o futuro? Sem dúvida que muitos têm assumido o papel de pitonisas. Se vos interrogam todos os dias sobre o que se vai passar, acaba-se por responder. Se perguntam se é isto e eu penso que é, digo que é. Há uma pressão mediática a que era, talvez, necessário resistir. Se um economista tem um palpite, não é anormal que o diga. Mas devia avisar que não se trata de conclusão científica, mas antes de intuição individual.
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Um retrato fiel do que se vê diariamente nos media: saída do Eurogrupo versus continuação; austeridade versus investimento; blá, blá, blá. Ninguém tem coragem de dizer que são palpites. É a velha definição da Economia, ciência que permite explicar porque as coisas não correram como previsto pelos economistas.
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