A coluna de Manuel Maria Carrilho no DN,
chamou-me a atenção para Daniel Cohen,
vice-presidente da Escola de Economia de Paris. Cohen diz coisas importantes
num artigo do "L' Express"; nomedamente:
Vivemos num mundo
onde a Economia tende a ocupar-se de tudo: emprego, crescimento, carreiras, o
que interessa às pessoas. Por mim, lamento este caminho para o
"tudo-económico", mas temos de
o constatar. De repente, voltámo-nos para os economistas, como se fossem profetas
do tempo moderno.
Mas não são, nem nunca serão. Estão mais próximos dos biologistas
que estudam a evolução. Um grande sábio pode explicar porque tem a girafa um
pescoço tão comprido, mas é incapaz de prever a evolução da espécie.
Somos fortes a racionalizar a posteriori tal ou tal fenómeno. Sobre a crise dos anos
1930, por exemplo, fez-se um trabalho intelectual considerável. Mas somos
totalmente incapazes de saber qual será o regime de crescimento nos próximos
trinta ou quarenta anos, e as respostas a perguntas angustiadas são forçosamente
decepcionantes.
Mas não se prestam os economistas a este papel de prever
o futuro? Sem dúvida que muitos têm assumido o papel de pitonisas. Se vos
interrogam todos os dias sobre o que se vai passar, acaba-se por responder. Se perguntam
se é isto e eu penso que é, digo que é. Há uma pressão mediática a que era,
talvez, necessário resistir. Se um economista tem um palpite, não é anormal que
o diga. Mas devia avisar que não se trata de conclusão científica, mas antes de
intuição individual.
.
Um retrato fiel do que se vê diariamente nos media: saída do Eurogrupo versus continuação; austeridade versus investimento; blá, blá, blá. Ninguém tem coragem de dizer que são palpites. É a velha definição da Economia, ciência que permite explicar porque as coisas não correram como previsto pelos economistas.
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