terça-feira, 11 de junho de 2013

ESCREVER COM CHISPA

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[...] G.K. Chesterton dizia que o jornalismo "consiste, sobretudo, em dar a informação de que Lord Jones morreu a uma séria de gente que não sabia sequer que Lord Jones estava vivo". Bem, o quadro do Crivelli, que já teve honras de várias páginas nos jornais mais conceituados, faz parte deste tipo de jornalismo. Quem sabia que havia um pintor chamado Crivelli ponha o dedo no ar! Quem sabia que um quadro de Crivelli podia valer três milhões de euros, ponha o dedo no ar! Quem sabia que havia um quadro do Crivelli em Portugal, ponha o dedo no ar! Quem sabia que esse quadro era de Pais do Amaral ponha o dedo no ar! Ao fim da quarta pergunta não vejo mais de 10 ou 20 dedos. Mas apesar de o quadro ser privado, de quase ninguém saber da sua existência, de raros o terem visto e de o Estado não o querer comprar, há uma coisa que os portugueses não podem admitir: é que ele seja vendido ao estrangeiro, a quem o mostre!
Nós o pós-troika não discutimos. Mas para o Crivelli estamos sempre prontos. Porque, lá está, é daquelas coisas de que o nosso futuro depende.

Henrique Monteiro in "Expresso" online
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