[...] G.K. Chesterton dizia que o jornalismo
"consiste, sobretudo, em dar a informação de que Lord Jones morreu a uma
séria de gente que não sabia sequer que Lord Jones estava vivo". Bem, o
quadro do Crivelli, que já teve honras de várias páginas nos jornais mais
conceituados, faz parte deste tipo de jornalismo. Quem sabia que havia um
pintor chamado Crivelli ponha o dedo no ar! Quem sabia que um quadro de
Crivelli podia valer três milhões de euros, ponha o dedo no ar! Quem sabia que
havia um quadro do Crivelli em Portugal, ponha o dedo no ar! Quem sabia que
esse quadro era de Pais do Amaral ponha o dedo no ar! Ao fim da quarta pergunta
não vejo mais de 10 ou 20 dedos. Mas apesar de o quadro ser privado, de quase
ninguém saber da sua existência, de raros o terem visto e de o Estado não o
querer comprar, há uma coisa que os portugueses não podem admitir: é que ele
seja vendido ao estrangeiro, a quem o mostre!
Nós o pós-troika não discutimos. Mas para o Crivelli
estamos sempre prontos. Porque, lá está, é daquelas coisas de que o nosso futuro
depende.
Henrique Monteiro in "Expresso" online
.

Sem comentários:
Enviar um comentário